Bora Jogar? por aneskamachado em Inkitt
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Resumo

Tinham muitas histórias de amor e tesão rolando na minha cabeça e eu achei que seria legal colocá-las no papel pra divertir e entreter outras pessoas. Depois me conta se funcionou...

Status
Em Andamento
Capítulos
1
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

Capítulo 1 - Primeiro Game

Eu pensei em começar pelo começo, me apresentando e explicando o que estamos fazendo aqui. Mas daí eu me lembrei que coerência e coesão são ativos bem pouco vendáveis e não serei hipócrita a ponto de fingir que parte da razão de estar aqui não é o ibope. Então vamos começar logo pelo que interessa a vocês e que vende como nada igual: sexo. Ou quase isso.

Quando Olívia combinou de sair pra tomar umas com Fred, a única coisa que a preocupava era o preço dos drinks naquele lado da cidade. A agência ficava no Jardim Paulista e a não ser que eles fossem pra Augusta, qualquer coisa ali perto custaria aproximadamente meio rim. Mas Fred não queria ir pra Augusta, achava meio “baixo astral”. Palavras dele, que fique claro.

– A gente podia ir no Seen. – ele scrollava pelo celular buscando opções enquanto Olívia guardava os equipamentos fotográficos.

– Mas nem fudendo! Aquele lugar é uma fortuna e infestado de faria limer. Prefiro abrir uma cerveja em casa. – Enquanto desmontava a lente da câmera, Olívia começou a se perguntar onde ia deixar toda aquela tralha, porque levar pro bar não faria sentido nenhum.

– Larga a mão de ser mão de vaca, mulher. Você acabou de ser contratada pela maior agência do país. – Fred era o tipo de cara que gostava de conversar usando o corpo todo. Seus gestos eram teatrais, assim como ele. – Acabou não, vai, você já embolsou uns 3 salários. 4? Sei lá, há quanto tempo você tá com a gente?

– 4 meses ontem. – Ela fechou a última bolsa e olhou pros lados procurando algum lugar onde fizesse sentido deixar as coisas.

– Perfeito! Precisamos de um lugar legal pra comemorar, tá vendo? – Fred percebeu o ar de confusão e completou. – Quatro meses aqui e ainda não aprendeu onde ficam os armários, deixa eu te ajudar, meu anjo. – Ele pegou as duas bolsas, apoiou uma delas nas costas e foi andando até o outro lado do salão onde tinham alguns armários metálicos com chave e fechadura à disposição. Talvez agora seja um bom momento pra descrever como se parecem esses dois. Me desculpem, não sei se eu já deveria ter feito isso no começo. É que, verdade seja dita, descrições são um saco. E frequentemente ignoradas.

Seja honesta, quantas vezes você não simplesmente pulou a descrição do lugar ou personagem e escalou algum ator ou atriz que fazia sentido na sua cabeça? Pois é, eu sei, eu também faço isso, todo mundo faz. E assim, imaginar um rosto eu consigo, onde eu quero ser surpreendida é no diálogo, tá ligado? Tolkien que me perdoe, mas a magia dos livros tá na conversa entre os personagens, não na descrição da cor e textura do cogumelo na base da formação rochosa que saía da terra e crescia em direção ao céus. E pelo amor de deus gente, eu amo Tolkien, mas tenho o span de atenção limitadíssimo. Onde eu tava? Ah é.

Basicamente: Fred é um cara bem alto, 1,90 e poucos, ombros largos, em forma, mas não é trincado. Alguém que é ativo fisicamente, mas não é obcecado com o próprio corpo a ponto de tomar coisas estranhas ou só comer frango com batata. Cabelos loiro escuros, curtos e pele clara. Imagine o Sam Claflin, e deduza 5 pontos de gostosura pra ele parecer uma pessoa do mundo real (olha como a tia é gente boa, até escalar o ator eu já fiz pra você. De nada).

Olívia também é alta, 1,73m pra ser bem exata. Braços e pernas levemente torneados, resultado da dança que pratica semanalmente e de usar a bicicleta pra se locomover por São Paulo (ocasionalmente surge um roxo ou outro, ela nunca se lembra se é de algum tombo ou das coreografias novas que o Rafa inventa). Cabelos bem longos, castanhos, assim como os olhos, pele morena do sol. Aqui você pode imaginar a Dua Lipa se ela fosse humana e não uma deusa.

— Ô “anjo”, diferente de você, eu trabalho em locação, não atrás de um computador o dia inteiro. Essa não, essa eu preciso pra levar as minhas coisas – ela puxou de volta uma bolsa pequena a tiracolo onde guardava carteira, celular e a chave do cadeado da bicicleta.

— Ah, tá bom, Olívia. Metade do tempo cê tá aqui dentro fazendo composite1 com o time. Quer pagar de Dora aventureira agora – eles foram saindo do salão em direção aos elevadores na entrada. Era verdade, Olívia havia sido contratada como fotógrafa interna da agência VAI de modelos. Apesar de ocasionalmente fazer alguns trabalhos em locações externas, boa parte do seu dia a dia era dentro da própria agência. Mas como era PJ, Olívia não passava 100% do tempo ali, ela também tinha outros trabalhos em outros lugares o que lhe conferiam a desculpa de dizer que não sabia onde os armários ficavam exatamente.

Fred apertou o botão para chamar o elevador.

— E aí, vamo pra onde?

— Teoricamente você ia decidir essa parte, lembra?

— Eu ia, né chuchu? Mas a bonita não aceita nenhuma das minhas sugestões, então você agora resolve esse b.o. E resolve logo que o elevador já tá chegando – ele acenou em direção ao visor que mostrava em qual andar o elevador estava.

— Não sei, tem o São Cristovão.

— Pô, mas aí cadê a coerência? Não quer ir no Seen porque é caro, mas tudo bem pagar 17 conto numa cerveja?

— Justo. Balsa?

— Eu não to jovem hoje não, filha.

— Tá, você tem duas opções: ou a gente vai tomar whisky no Caledonia ou a gente vai pro Picco comer pizza e tomar drinks. Fim. Decida.

— Nunca fui em nenhum dos dois, mas como eu não sou um senhor 50+, vamos na segunda opção.

O Uber até lá foi divertido. Olívia e Fred se conheciam há pouco tempo. Era a primeira vez que saíam fora do trabalho e só os dois. Alguma coisa tinha clicado em todas as conversas, o humor era no mesmo nível de sombrio e doentio e mesmo os raros momentos em que Fred permitia algum silêncio não eram incômodos. Eles já estavam indo pro terceiro drink quando os assuntos começaram a ficar um pouco menos casuais…

— Não é possível. Você passa o dia conversando com modelos, homens e mulheres lindos e maravilhosos e não flerta nem um pouquinho? — Olívia indagou, desconfiada.

— Tá maluca? É meu ambiente de trabalho, sua sem noção. Vai falar que você fica flertando com as pessoas enquanto elas tão lá posando pra você?

— Fico, uai. Não precisa ser nada agressivo, mas rola. Às vezes até ajuda a pessoa a se sentir mais à vontade no ensaio — Ela deu de ombros como se não fosse nada demais.

— Você é doente. — Ele bateu na mesa, fazendo mais barulho do que pretendia. Algumas pessoas olharam à volta e ele ficou sem graça e fez um gesto de pedido de desculpas. — Tá vendo? Você é tão esquisita que me deixou perturbado. — Ele realmente parecia sem jeito enquanto pedia mais um drink.

— Eu não sou doente e muito menos esquisita. E você tá todo perturbado aí provavelmente porque fica acumulando uma tensão filha da puta no trabalho. Não vem me encher o saco só porque eu sei liberar a minha. — Ela deu um gole no Whisky Sour.

— Mas você não tem medo de isso virar alguma coisa? Tipo e se uma dessas pessoas corresponder ao flerte?

— Pô, melhor ainda, né? Jogar tênis com adversário é bem mais gostoso do que squash sozinha. — Ela deu um sorrisinho de canto e olhou pra ele por um segundo a mais, o que pro Fred pareceu uma eternidade. Ele se ajeitou na cadeira sem saber muito bem o que tava acontecendo.

— Mano, olha o jeito que você fala! Você não é normal, cê sabe disso, né? E aí, o que acontece? Você vai lá ficar flertando com o cara…

— Ou a mina — ela pontuou. Ele olhou pra ela, intrigado por meio segundo, mas seguiu.

— Ou a mina. E fica como isso?

— Fred, do jeito que eu enxergo, flerte é um esporte. É treino. É como se alongar. É bom, é importante, é gostoso. Não é o jogo pra valer, mas pra estar preparado pro jogo você tem que ter feito o treino direitinho, entendeu? Você pode tentar jogar com a sorte, mas eu gosto de estar preparada. — Ela deu mais um gole e enquanto bebia, olhou pra ele por cima do copo de novo. Ele ficou encarando ela e sem perceber estava sorrindo. Ela soltou o copo e riu antes de desviar o olhar.

— Mas e se virar alguma coisa? Você não tem medo de se envolver com alguém do trabalho e depois dar merda?

— Meu amor, eu trabalho mais de 40 horas na semana, eu sou PJ. Se eu não me envolver com alguém do trabalho eu vou me envolver com quem? Meu porteiro? Porque é a única outra pessoa que eu vejo com frequência fora do trabalho. E vou te falar, acho bem mais problemático me envolver com o porteiro do que com alguém do trampo. Muito mais complexo achar um aluguel que eu consiga pagar e que seja um apartamento decente do que um novo emprego.

Ela falava com muita confiança e naturalidade, o que deixava Fred um pouco espantado e também muito curioso. O fato de ela estar sempre muito à vontade, de alguma forma o deixava mais relaxado. Ele era um cara muito atencioso e consciente do seu tamanho e gênero. Ele tinha consciência de que o fato de ele ser o que era (um homem hétero, cis e branco) já era o suficiente para gerar desconforto em muita gente e por isso ele estava sempre tomando cuidado com o que dizia, como se portava e até o que estava pensando. Mas a Olívia não parecia estar medindo tudo o que ele dizia e fazia. Não que ela não fosse uma pessoa preocupada, aliás, ela já havia deixado claro vários dos seus posicionamentos políticos nessa e em outras conversas. Mas parecia que ela estava só interessada em ouvir e dizer o que pensa, não em julgá-lo. E ele já havia reparado nela desde o primeiro dia. Ficou surpreso quando descobriu que ela era fotógrafa, tinha certeza de que seria outra modelo. Ela era realmente muito bonita. E charmosa. E tinha alguma coisa a mais… Esses olhares que ela dava eram… Perturbadores e deliciosos ao mesmo tempo. Ele estava ficando mais interessado a cada gole e a cada assunto. Talvez fosse a bebida, ele não saberia dizer.

— A gente tem visões de mundo muito diferentes. Prefiro mil vezes ter que achar um porteiro novo do que ficar sem emprego. — Ele falou exacerbado.

— Claramente, você nunca ficou sem emprego. — Ela riu.

— E não pretendo. — Ele devolveu.

— Tá bom, ué, o problema é seu. — Ela se virou. Eles estavam sentados numa mesa encostada na parede, um de frente pro outro. Quando se virou, ela ficou com as costas encostadas na parede, olhando pro resto do bar e não pra ele, propositalmente.

Eles ficaram em silêncio um tempo. Eles já tinham comido, mas Fred pegou de novo o cardápio e ficou lendo pra ver se pegava mais alguma coisa. Mas seu copo estava cheio e ele não queria comer mais. Percebeu que estava só incomodado com o silêncio e desatou a falar de novo.

— Não é que eu não sinta atração por pessoas do trabalho — Ela olhou pra ele de canto de olho, mas sem virar o corpo. — Eu só não quero fazer nada com elas… — Agora foi a vez dele de demorar o olhar um pouco mais. Ela revirou os olhos. — Não! Querer eu quero, óbvio que eu quero, eu também não sou maluco — Ele olhava fundo nos olhos dela e ela olhou de volta. Ele deixou abrir um sorriso de canto sem nem perceber, ela sorriu satisfeita.

Fred era um cara massa. Olívia não precisou de mais do que duas interações pra perceber isso. Depois que você trabalha em muitos lugares diferentes fica fácil distinguir os imbecis das pessoas legais. E quando Olívia viu Fred fazendo graça na recepção pra deixar mais à vontade um modelo mirim e o pai dele que tinham vindo do interior, ela instantaneamente soube que ele tinha um bom coração. E agora vê-lo ficando completamente sem jeito com ela a deixava instigada. Ela se sentia segura com ele, por isso ficava à vontade de provocar.

— Que tipo de coisas você queria fazer? — Ela provocou.

— Você quer me fuder, né?

— Ué, eu só fiz uma pergunta — Ela fingiu inocência. — Você disse que queria fazer coisas e eu perguntei que tipo de coisas são essas, só isso.

— Pois é, mas eu não posso fazer nada disso então pra que ficar me torturando pensando nisso?

— Bom, primeiro que você acha que não pode fazer, isso é uma coisa da sua cabeça.

— Eu não acho, eu sei! — Ele interrompeu

— Você não sabe de nada, Fred — Ela falou num tom bem condescendente — Segundo que tem algumas torturas que são até bem gostosinhas… — Ela olhou pro lado como quem está pensando e depois diretamente pra ele sem desviar mais o olhar. Ele ficou preso ali por alguns segundos, até se recompor de novo.

— Que que é isso que você fica fazendo?

— Isso o que? — Ela ainda não tinha desviado o olhar. Quase escapou uma risada, mas ela tentou se manter séria. Ele estava bem sério. Quase bravo.

— Isso, essa merda que você faz com esse seu olhar insuportável que desgraça a minha cabeça, que inferno! — Fred, sendo Fred, falou gesticulando como se fosse uma coreografia.

— Tá bom, tá bom, se tá te incomodando eu paro de olhar pra você, ué. — De novo, ela se virou de lado

— Não! — O impulso falou mais rápido e ele agarrou o braço dela, tentando evitar que ela virasse de lado. Que ela não desse 100% da sua atenção pra ele, o que aparentemente era a melhor droga do mundo porque ele já não conseguia mais raciocinar direito. Será que era a bebida?

Ela tomou um susto. Ele não a agarrou pra machucar, mas ela conseguia sentir a força dele no seu braço. Agora ela já não tinha mais o controle da situação, mas ao invés de se assustar, ela ficou instigada. O que vinha a seguir?

— Não precisa parar de me olhar — ele falou ainda segurando o braço dela. Escorregou os dedos pelo antebraço dela, ela sentiu um arrepio. Ele parou na mão dela e ficou apertando a mão dela enquanto falava. — Se você quiser me olhar pra sempre, tá tudo ótimo. — Agora ele nem tentava mais segurar um sorriso. — Eu só não sei o que tá acontecendo, você tá me deixando muito confuso, eu não sei se você tá brincando, se você tá falando sério, eu só sei que eu to ficando completamente maluco. Tão maluco que eu to aqui falando um monte de merda e segurando a sua mão. — Ele levantou a mão dela presa na dele — Que que é isso? O que a gente tá fazendo aqui?

— Você tá num frenesi verborrágico e segurando a minha mão. Eu to me divertindo muito numa das melhores partidas de tênis que eu já joguei. — Ela arqueou a sobrancelha e sorriu. De novo se sentindo completamente à vontade. Isso o deixava com raiva. Ele tava se sentindo completamente vulnerável, despido de qualquer orgulho e ela parecia ter absolutamente tudo sob controle. Nada abalava essa mulher?

— Liv, me ajuda. — Ele suplicou e havia sinceridade na sua voz. Ela sentiu o coração bater um pouco mais forte. — Eu não sei fazer isso aqui. Eu não sei jogar tênis, eu não sei nem jogar Ping pongue. Eu só sei que você tá me deixando maluco, eu to falando um monte de coisas que eu não falaria nunca pra alguém do trabalho. Coisas que eu acho que nunca falei pra ninguém e eu não sei nem por que. Quando eu percebo já to falando.

— Você realmente fala muito — ela interrompeu e deu uma risadinha. Como ela podia estar tão tranquila?

— Tá bom, me ajuda vai. O que tá acontecendo?

— Eu não tenho como te dizer o que tá acontecendo, tá acontecendo dentro de você.

— Então só eu to sentindo isso?

— Eu não disse isso.

— Tá bom. Mas você claramente sabe muito mais do que tá acontecendo aqui, porque eu tô completamente perdido e parece que nada te abala. — Ele ainda não tinha soltado a mão dela e parece ter percebido isso naquele momento e a soltou. — Desculpa.

Agora foi a vez dele sentar de lado, ele parecia começar a se sentir derrotado. — Não é que nada me abala. Eu só não tenho medo disso. — Ela falava mas ele continuava virado de lado, um pouco de orgulho. — Mas eu também to sentindo.

— O que você tá sentindo? — Ele olhou de volta pra ela. Ele queria que ela admitisse primeiro. Ela riu mentalmente do gesto, era um pouco infantil e isso quase a fez perder o interesse, mas decidiu devolver a provocação.

— O que você gostaria que eu estivesse sentindo? — Ela levantou da mesa e foi até o lado dele, agora eles estavam os dois sentados no mesmo banco. Ele ficou bem nervoso com a aproximação. Ao mesmo tempo, era bem bom estar mais perto. Ele nem conseguiu ficar irritado com ela ter devolvido a pergunta.

— Eu queria que você tivesse sentindo a mesma coisa que eu. — Ele reparou que ela estava vestindo um colar com um pingente esmeralda, que caía sobre o colo dela. Ele pegou o pingente e ficou brincando com ele nos dedos, enquanto olhava pra ela também.

Ela engoliu em seco ao toque dele no seu pescoço. O filho da puta era bom, mesmo sem admitir.

— E o que você tá sentindo? — Ela olhou pra cima na direção dos olhos dele enquanto sua mão descansava no joelho dele.

Ele deu um sorrisinho como se estivesse esperando a pergunta. Ele soltou o colar e agarrou o pescoço dela, apertando forte o suficiente pra ela ficar um pouco sem ar mas não o suficiente que a machucasse. Ela soltou um suspiro, ele falou lentamente ao ouvido dela.

— Uma vontade inacreditável de tirar essa sua roupa, te jogar nessa mesa e te comer aqui mesmo. — Ela suspirou mais forte.

Ele liberou a pressão do pescoço dela e ajeitou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha. Ela sentiu o coração bater mais forte de novo.

— E aí, cheguei perto? — Ele perguntou sorrindo, agora totalmente à vontade na situação e quem estava desconcertada agora era ela. Ela assentiu, ainda meio incapaz de olhar pra ele. Ele fez sinal pro garçom trazer duas cervejas.

— Gostei desse negócio de tênis. — Ele sorria enquanto olhava pro resto do bar, se sentindo completamente vitorioso. — Até que é divertido.

Claramente ele não conhecia muito de esportes porque a atitude era completamente antidesportiva.

Olívia estava se sentindo traída. “Não sei o que tá acontecendo” e depois dá uma dessa? É como falar que não sabe jogar e depois já meter um backhand de uma mão. Mas ela era uma veterana, não ia entregar o jogo assim tão fácil. Foi só 1 game, a noite tava só começando.

— Mas você gosta só de narrar ou joga também? — As cervejas tinham acabado de chegar. Fred estava esparramado sobre o banco como se fosse o único ali.

Àquela altura o DJ já estava tocando há algum tempo e as músicas eram uma mistura de soul-funk com hip-hop meio jazzy e alguns beats. Olívia começou a se levantar em direção à parte mais aberta do bar onde poderia dançar. Fez sinal pra que ele a acompanhasse, mas ele negou Jesus 3 vezes, morrendo de medo de sair daquele banco e ter que se expor na frente de todo mundo. 15-0 no segundo set.

Olívia estava rindo e dançando sozinha ao som de “Say a Little Prayer”. Ali era a quadra dela. Um homem alto e moreno veio tirá-la pra dançar e ela aceitou. Fred fingiu sorrir, mas por dentro ficou bastante irritado. Mentalmente, ele se dizia que não tinha o direito de sentir nada, porque afinal de contas ela era uma mulher livre e eles não tinham nada e ela ainda era do trabalho mas porra ele precisa ficar falando coisinha no ouvido dela? E ela precisa ficar rindo? E por que essa filha da puta tem que ser tão linda?

Foda-se, ele ia fazer alguma coisa a respeito. Se levantou e foi em direção ao DJ. Olívia pensou que talvez ele estivesse indo embora e ficou preocupada.. Fred cochichou alguma coisa pro DJ, ele olhou pra Olívia, depois de volta pro Fred. Eles se cumprimentaram e sorriram. Fred foi andando em direção a ela. A música mudou. As batidas agitadas deram lugar a tambores e à voz suave de Dusty Springfield enquanto ela dizia:

“You always keep me guessin’, I never seem to know what you are thinkin’

And if a fella looks at you, it’s for sure your little eye will be a-winkin’

I get confused ’cause I don’t know where I stand

And then you smile, and hold my hand

Love is kinda crazy with a spooky little boy like you”

Fred definitivamente não sabia o que fazer na pista de dança, mas ele sabia dançar uma música lenta, o que foi exatamente o que suplicou para o DJ. Agarrou tudo o que lhe restava de confiança, fingiu mais alguma e pediu licença pro cara que estava dançando com a Olívia, que pareceu meio contrariado, mas vendo o tamanho do Fred e a disposição dela, achou melhor ficar na dele. Ele passou a mão envolta de sua cintura, segurou a outra mão e eles começaram a dançar no ritmo da música.

— Você não é normal, você sabe disso né? — Ele começou

— Onde você quer chegar, Fred? — Ela respondeu séria. Estava ficando cansada das provocações. Ele notou e se recompôs.

— Que você é a mulher mais fascinante que eu já conheci. — Ele apertou a cintura dela um pouco mais forte. Ela sorriu. Parecia ter sido a resposta certa.

— E o que mais? — Ela perguntou, enquanto colava mais seu corpo no dele. Ele estremeceu.

— E o que mais que eu quero aprender tênis pra jogar com você, eu aprendo basquete, dança, slalom, o que você quiser.

— Achei que você era da luta… — Ela brincou.

— Se você quiser, a gente pratica umas imobilizações também, vai ser bem gostoso — Ele sorriu, ela deu risada. Agora eles pareciam realmente estar jogando juntos e não mais um contra o outro.

— Dá pra praticar no banheiro? — Ela arqueou a sobrancelha e começou a soltar a mão dele. Ele ficou olhando pra ela meio sem acreditar. Ela foi se afastando em direção ao banheiro.

Ele foi até a mesa, esperou alguns minutos, tomou mais uns goles de cerveja e foi encontrá-la.

Dizem que o jogo terminou em empate, mas eu não tava lá pra ver, infelizmente.


Um composite é um cartão de visitas profissional de um modelo ou ator. É uma montagem com as melhores fotos do modelo, além de suas medidas, características e informações de contato.↩

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