Capítulo 1 - A Sombra
As árvores se abriram à medida que a estrada curvava para baixo, revelando um vislumbre da cidade. Apenas telhados, no início. A motorista apertou o volante enquanto observava a paisagem. Ela estava tomada por um sentimento de triunfo e orgulho. Ela conseguiu. Finalmente estava lá. Depois que todos os ses e porquês foram, de certa forma, esclarecidos, ainda parecia uma ideia maluca.
Ela passou pela placa que dizia Bem-vindo a Knox Hollow: População 303. Alguém tinha riscado o número três e escrito um dois, ela notou.
A torre de uma igreja desbotada surgiu. Um posto de gasolina acanhado com um letreiro de neon que devia estar ali desde os anos 50.
As pessoas lançaram olhares silenciosos para ela enquanto passava e, tão silenciosamente quanto, voltaram a atenção para suas vidas comuns. Knox Hollow não a recebeu, apenas a notou.
Ela seguiu as direções até a estrada estreitar. O asfalto deu lugar a cascalho que estalava sob seus pneus.
Então: a casa. A casa de Edith Foster.
Dois andares. Branca, ou o que costumava ser. Agora a tinta estava descascando. Hera se enrolava nas janelas. Uma veneziana estava pendurada torta. Ela fez uma nota mental para consertar isso enquanto estacionava.
Ela saiu com sua mala de viagem cheia com o essencial. Apenas o suficiente para passar as primeiras noites. No porta-malas, caixas de papelão estavam fechadas com fita e etiquetadas, algumas meio amassadas pela pressa de fazer as malas. Ela não olhou para trás quando bateu o porta-malas naquela manhã e foi embora. Ela rezou em silêncio para que houvesse uma máquina de lavar funcionando lá dentro.
O ar cheirava a pinho e terra úmida. Ela estava na metade do caminho para a varanda quando ouviu o som baixo de outros pneus no cascalho. Uma viatura do xerife encostou e parou no final da entrada. A porta se abriu.
Botas escuras saíram primeiro, depois o restante dele. Alto, ombros largos, uniforme justo, caminhar confiante. Um nariz reto e um queixo marcado eram emoldurados pela aba de um Stetson escuro.
Seu rosto era indecifrável, expressão calma, mas firme, como se carregasse o peso da responsabilidade sem reclamar. Ele ajustou o chapéu levemente e a estudou.
“Xerife Kade Mercer”, disse ele. “Você é a neta?”
Beatrice se endireitou. “Sim. Eu sou Beatrice Foster...” e então, mais por hábito do que por criação, ela completou: “...xerife.”
Ao ouvir a palavra, algo mudou quase imperceptivelmente em seu rosto. Um endurecimento do maxilar. Não irritação, mas também não aprovação. Ele não a corrigiu. Também não pareceu apreciar o título.
Ele assentiu lentamente, seus olhos fixos nos dela. Ele não piscou. Não desviou o olhar. Nem mesmo quando outro carro passou atrás dele.
Ele deu um passo à frente. “Planeja ficar muito tempo, senhorita Foster?”
“Apenas o suficiente para colocar as coisas em ordem. Depois pretendo vender”, respondeu ela.
“Hum. Essa casa não vai ser fácil de vender.” Ele acenou para a construção que agora seria o lar dela. “O pessoal por aqui evita esse lugar. Isolamento ruim, assoalho rangendo... uma longa história.”
Ele olhou para a mão dela segurando a mala e depois voltou a subir o olhar. Ele encontrou os olhos dela novamente.
“É bom manter as portas trancadas. As pessoas costumam pensar que nada acontece em cidades como esta.” Seu tom era uniforme. “Elas estão erradas.”
Ele tirou um pedaço de papel do bolso e o estendeu.
“Se algo... qualquer coisa parecer estranho, você me liga. Não para a central. Para mim. Entendido?”
Beatrice assentiu, pegando o papel lentamente.
Ele deu um último olhar. Longo o suficiente para ela registrar a cor de seus olhos. Verdes. Então ele se virou e caminhou de volta para a viatura.
Beatrice soltou o ar. Ele não era hostil. Ele não era frio. Ele era apenas... intenso. O tipo de homem que não precisava levantar a voz para chamar a atenção de todos em uma sala.
A porta da frente rangeu ao abrir com mais esforço do que Beatrice esperava. “Vamos lá”, ela murmurou baixinho enquanto empurrava com o ombro. A madeira gemeu em protesto antes de finalmente ceder.
Ela deixou a mala cair com um baque surdo. O silêncio que se seguiu era denso o suficiente para ser sentido. Nada de aparelhos zumbindo. Nenhum rádio murmurando. Apenas ela e a quietude da casa.
Poeira e madeira velha se misturavam a um perfume floral que ainda se agarrava às paredes. Devia ser algum rastro teimoso do perfume de sua avó.
Isso é seu agora, pensou ela. Pelo menos até não ser mais.
Ela fechou a porta atrás de si, a tranca girando com um gemido.
As poucas compras foram as primeiras a serem desempacotadas. Chá Earl Grey. Aveia instantânea. Alguns enlatados. Mel. E então a caneca do Pernalonga que ela trouxe de casa. Parecia certo em suas mãos. Um peso e calor familiares em meio a toda essa estranheza.
Quando a chaleira apitou, a cozinha já tinha escurecido com o cair da tarde. Ela despejou a água sobre o chá, observando o vapor subir ao redor de seu rosto como um pequeno suspiro de conforto.
Ela nem conseguiu tomar o primeiro gole antes que a campainha ecoasse pela casa.
Beatrice ficou tensa.
Ela não esperava ninguém.
Seus passos foram suaves e silenciosos sobre a madeira velha enquanto ela voltava pelo corredor. Hesitou na porta antes de inspirar, seus dedos roçando a fechadura enquanto a girava lentamente e abria apenas o suficiente para ver quem era.
Uma mulher estava na varanda. Uns cinquenta e poucos anos, talvez, vestindo um cardigã lavanda, cabelos grisalhos bem cuidados. Suas mãos estavam unidas em torno de um prato coberto com papel alumínio. Ela apenas ficou lá, esperando. Então, de repente, ela sorriu docemente.
“Olá”, disse a mulher, com a voz um tom acima do normal. “Desculpe aparecer tão cedo. Moro aqui perto e só queria dar as boas-vindas.”
A mulher recuou um pouco, com aquele mesmo sorriso ainda estampado no rosto.
“Sou a Martha. Moro um pouco mais adiante na rua. Na casa branca com as rosas e lavandas na frente.”
Ela olhou em direção à rua e depois voltou para Beatrice.
“Ouvi sobre sua avó. Eu não a conhecia bem, na verdade. Ninguém conhecia. Mas queria passar para oferecer meus pêsames. Trazer algo quente para você.”
Ela ergueu o prato levemente, como uma oferenda. Ele soltava fumaça de forma convidativa sob a camada de alumínio.
“Você é a neta, não é?”, perguntou ela, inclinando a cabeça, criando uma dobra na pele onde o queixo e o pescoço se encontravam.
Beatrice assentiu e abriu um pouco mais a porta.
“Sim. Eu sou a Beatrice. É um prazer conhecê-la, Martha”, disse ela. “Obrigada por vir... de verdade.”
“Claro, querida.” O tom de Martha suavizou ainda mais. “Sei como é estranho sentir-se entrando em uma casa que de repente é sua.”
Seu olhar vagou por trás de Beatrice para o corredor.
“Espero que não se importe que eu pergunte, mas... há algum preparativo? Para sua avó? Um serviço?”
“Sim. Um funeral será organizado. Tenho uma reunião com a funerária amanhã.”
Martha assentiu lentamente. “Isso é bom. Essa é a coisa certa a se fazer.”
Ela não insistiu, mas seus olhos permaneceram um pouco tempo demais no corredor atrás dela antes de voltarem para Beatrice.
“Bem... se precisar de qualquer coisa, moro a poucos minutos daqui.” Ela sorriu novamente, mas algo nele parecia ensaiado.
“E se precisar de ajuda com a casa, ou... qualquer outra coisa, é só pedir.”
Beatrice hesitou. Então: “Gostaria de entrar para um chá? Acabei de fazer uma xícara.”
O sorriso de Martha se transformou em um riso enrugado. “Eu adoraria, querida. Obrigada.”
Ela entrou sem hesitar, limpando os sapatos no capacho como se fosse uma rotina. Seus olhos vasculharam o espaço avidamente: subiram as escadas, foram em direção à cozinha, passaram pelas paredes onde quadros estavam pendurados.
Ela seguiu Beatrice até a cozinha e sentou-se na pequena mesa, dobrando as mãos no colo como alguém educado para se comportar em casa de estranhos.
“É estranho ver o lugar”, disse ela. “Nunca entrei aqui enquanto ela era viva.” Ela continuou a olhar ao redor. “Ela nunca convidou ninguém para entrar.”
Beatrice serviu o chá e deslizou uma xícara em sua direção. “Você teve que viajar muito para chegar aqui?”, Martha perguntou enquanto segurava a alça.
“Não muito. Apenas algumas horas”, respondeu Beatrice. “Eu era a única que restou para cuidar das coisas.”
Martha assentiu lentamente.
“Não pretendo ficar muito tempo”, continuou Beatrice. “Apenas tempo suficiente para consertar a casa e vendê-la. Eu precisava de uma pausa de casa, de qualquer forma. Isso... veio na hora certa. De uma forma estranha.”
Ela tomou um gole de seu chá, mantendo o resto de seus pensamentos guardados.
“Engraçado como a vida faz isso”, murmurou Martha. As palavras pairaram tempo demais no ar. “Você está dormindo no andar de cima?”, ela perguntou de repente.
Beatrice olhou para ela sobre a borda da xícara. “Sim... desembrulhei minhas coisas no quarto de hóspedes”, disse ela. “Era lá que eu costumava dormir quando a visitava quando criança.”
Os olhos de Beatrice desviaram para a escada. “Seria estranho... ocupar o quarto dela. Para ser sincera, o lugar todo ainda parece ser dela. Como se eu fosse apenas uma hóspede de passagem.” Ela pousou a xícara lentamente.
“Essa sensação pode não passar, não completamente”, disse Martha com sinceridade. “Algumas casas não deixam as pessoas irem embora facilmente. Eu ainda imagino meu marido sentado na poltrona dele. Às vezes, juro que o vejo pelo canto do olho.”
Ela terminou o chá, alisou o tecido do cardigã e se levantou. “Obrigada pelo chá, Edith.”
Beatrice piscou. “É Beatrice.”
Martha hesitou, então sorriu. O tipo de sorriso que não chegava aos olhos. “Claro. Perdoe-me.”
Ela caminhou em direção à porta da frente como se sempre tivesse conhecido o caminho. Beatrice a seguiu.
“Se precisar de alguma coisa”, lembrou Martha, “me avise.”
Beatrice trancou a porta atrás dela. O calor do chá já tinha passado.
A casa parecia silenciosa novamente. Mas não vazia.
Ela subiu as escadas lentamente, os dedos roçando o corrimão, o ranger de cada degrau era suave e oco no silêncio. No topo, ela virou para o quarto. As cortinas estavam abertas apenas o suficiente para deixar entrar a última luz pela janela.
Lá fora, o quintal permanecia sob os últimos raios de um pôr do sol teimoso. As árvores na extremidade da propriedade balançavam suavemente com a brisa. Suas sombras longas se estendiam em direção à estrada de terra.
Foi ali que ela viu.
Se não fosse pelo brilho súbito e fraco de algo, algo liso e reflexivo, ela não teria visto.
Presente em um segundo, ausente no outro.
Apenas o suficiente para chamar sua atenção.
Estava longe demais para ver com clareza. Apenas a sugestão de um vulto, mais alto que os postes da cerca, mas mais escuro que as árvores.
Seria uma pessoa?
Ela não se moveu da janela, apenas ficou lá. O coração batendo um pouco mais rápido no peito, observando a figura.
Será que a figura também a observava?
Muito lentamente, Beatrice deu um passo para trás. Não se afastou totalmente da janela. Apenas o suficiente para que a borda da moldura a escondesse da vista.
Então, finalmente, ela esticou a mão e fechou a cortina com um movimento rápido. Ela não olhou para fora novamente.
Naquela noite, o sono não veio fácil.
Ela deitou-se encolhida sob o cobertor desconhecido. A mão repousava sobre o estômago, o rosto virado para a parede. A casa se acomodava ao redor dela com rangidos e suspiros que pareciam quase vivos. Cada som deixava seus nervos à flor da pele. O gemido das tábuas do assoalho, a batida repentina que ela dizia a si mesma ser apenas o vento.
Em certo momento, ela achou que ouviu a porta de um carro fechar, mas quando se esforçou para escutar, o silêncio pressionou ainda mais forte. Eventualmente, o sono a venceu.
~
Os fantasmas da noite passada foram espantados pelos primeiros raios do sol da manhã.
Beatrice sentou-se na cozinha. A mesma caneca de ontem estava entre suas mãos. Migalhas do café da manhã estavam espalhadas sobre a mesa.
O chá tinha esfriado, mas ela não tinha notado. Seu laptop brilhava suavemente, com a tela aberta em anúncios de emprego:
Knox Hollow General Store.
Procura-se ajudante em meio período.
Não é necessário currículo.
Ligue para informações.
Ela encarou o número por um momento, então pegou o telefone e tocou na tela.
Uma voz feminina atendeu, monótona e distante. “General Store, aqui é a Janine.”
“Oi”, disse Beatrice, limpando a garganta. “Meu nome é Beatrice Foster. Vi o anúncio para vaga de meio período e gostaria de saber se a posição ainda está aberta.” Houve uma pausa.
“…Uh-huh. Sim, ainda está.” O silêncio se estendeu entre elas. Sem boas-vindas, sem incentivo.
Beatrice insistiu suavemente: “Posso passar aí hoje, se ajudar?”
Outra pausa.
“Acho que tudo bem se você quiser dar uma passada.”
Click.
A linha ficou muda. Sem nome. Sem horário. Apenas uma porta entreaberta. Com sorte.
Beatrice franziu a testa e encarou o telefone na mão por um segundo, então se afastou da mesa. Pegou as chaves e foi para a cidade.
~
O sino acima da porta deu um toque suave quando Beatrice entrou e colidiu com algo. Alguém.
Ela ofegou, tropeçando levemente para trás, mas uma mão se estendeu e a segurou pelo braço. Estabilizando-a com uma facilidade surpreendente.
Ela olhou para cima e encontrou o sorriso divertido do Xerife Mercer.
Sem bolsas. Sem prancheta. Sem desculpas. Apenas ele, parado como se fosse parte da entrada, como se a esperasse. Seus olhos estudavam o rosto dela, sem curiosidade, sem surpresa, mas como se estivesse confirmando algo. A mão dele ainda permanecia em seu braço.
“Procurando trabalho?”, perguntou ele. Sua voz era grave.
Beatrice piscou; ela não tinha contado isso a ninguém. Mercer acenou com a cabeça para o cartaz de procura-se ajuda na janela como se pudesse ler seus pensamentos.
“Sim”, ela finalmente disse. “Eu liguei hoje de manhã.”
A mão dele soltou-a com um controle absoluto. Como se aquele momento ainda pertencesse a ele. “Bom.” Ele deu um aceno seco. Não disse mais nada. Então passou por ela com a mesma calma sem pressa que parecia carregar sempre.
O sino tocou novamente quando ele saiu. Ela não olhou para trás, mas sentiu o olhar dele permanecer sobre ela mesmo depois que a porta fechou com um clique.
O interior da loja estava silencioso. Atrás do balcão, estava uma mulher com as duas mãos apoiadas na superfície laminada. Seu cabelo era castanho, cortado em um chanel curto. Lábios vermelhos e um toque de sombra azul combinavam com a linha de suas sobrancelhas. Ela não sorriu, mas não parecia indelicada. Parecia alguém esperando pelo inevitável.
“Você é a Beatrice?”, ela perguntou.
“Sim. Eu liguei mais cedo sobre a vaga.”
A mulher, Janine, se ela se lembrava corretamente, olhou em direção à porta da frente. Não foi um olhar demorado, mas longo o suficiente para fazer Beatrice se perguntar se ela esperava que alguém entrasse. Então ela pegou uma folha de papel debaixo do balcão. Um formulário. Ela não entregou imediatamente.
“É meio período”, disse ela de forma rápida. “Manhãs e tardes, dependendo do que precisarmos. Reposição. Limpeza. Às vezes o caixa.”
Sua voz carregava o tom de quem repetia um roteiro que não lhe interessava muito.
“Você pode começar amanhã se quiser. Ou hoje. Tanto faz.”
Sem sorriso. Sem perguntas. Sem real interesse.
Ela empurrou o formulário sobre o balcão. Seus dedos tremeram levemente, então se retiraram como se o papel a tivesse queimado.
Beatrice olhou para a folha. Eram informações básicas: nome, número. Nada incomum.
Quando ela olhou de volta, os olhos de Janine já não estavam mais em seu rosto, estavam fixos na porta novamente. Seus dedos tamborilavam um ritmo rápido e inconsciente na borda do balcão.
“Você vai aprender rápido”, ela afirmou. Sua voz era firme, mas seu corpo não. Seus ombros carregavam uma tensão como se ela estivesse segurando o fôlego que não queria soltar. “São apenas prateleiras e clientes. Nada complicado.”
Os olhos de Janine de repente voltaram para ela, como se ela tivesse se lembrado de algo.
“Você mora na propriedade dos Foster, certo?”
Beatrice hesitou. “Sim. Edith era minha avó.”
A reação foi pequena, mas marcante. Os olhos de Janine desviaram para baixo. Sua boca se contraiu em uma linha apertada. Algo desconfortável, preso entre uma careta e um sorriso.
“Isso deve ter sido… algo”, murmurou ela.
Ela se ocupou com uma revista atrás do balcão, claramente evitando contato visual.
“Ela não era uma dama que gostava de bater papo, para dizer o mínimo.”
Sua voz baixou um pouco antes de acrescentar, quase sussurrando: “Acho que você herdou mais do que a casa.”
Beatrice estremeceu no momento em que as palavras saíram.
Janine forçou um sorriso tênue. “Você ficará bem aqui”, disse ela. “Apenas… seja pontual. Seja consistente. É só o que pedimos.” Ela deslizou uma pequena chave prateada sobre o balcão. Sem mais palavras. Sem aperto de mão. A conversa tinha acabado.
Beatrice pegou a chave. Ela tinha sido contratada e Janine já parecia aliviada ao vê-la partir.
Enquanto seu carro passava pela esquina da loja, ela avistou o vermelho e azul de uma viatura do xerife. Estava escondida sob a sombra de algumas árvores como se estivesse escondida, ou à espreita por motoristas apressados.
Um pouco mais adiante na estrada, havia uma lanchonete em um momento de calmaria. Uma daquelas horas silenciosas, entre o café da manhã e o almoço.
Do lado de fora dos correios, ela viu duas mulheres conversando. Uma delas congelou no meio da frase quando seus olhos pousaram no carro de Beatrice. Ela se inclinou para a amiga e usou a mão para esconder a boca enquanto sussurrava algo. A segunda mulher virou a cabeça para seguir o carro até que ele fosse engolido por uma esquina.









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