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Na Encruzilhada do Destino

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Resumo

Everly Reid achava que sabia o que a esperava. Terminar os estudos. Ficar perto de casa. Construir um futuro sensato. Então, uma carta de sua bisavó abre uma porta que ela jamais esperou. Ao ganhar uma bolsa de estudos na Silvern Academy, Everly deixa para trás tudo o que lhe era familiar para começar uma nova vida na cidade. Entre aulas exigentes, amizades complicadas, segredos de família e um mundo que parece muito maior do que ela jamais imaginou, ela logo descobre que recomeçar não é tão simples quanto esperava. Enquanto antigas questões sobre o passado de sua família colidem com novas possibilidades para o seu futuro, Everly se vê em uma encruzilhada — forçada a decidir não apenas onde pertence, mas quem deseja se tornar. Perfeito para leitores que apreciam fantasia coming-of-age, heranças ocultas, found family e histórias centradas em personagens com relacionamentos slow-burn.

Status
Completo
Capítulos
40
Classificação
4.7 5 avaliações
Classificação Etária
16+

Last Bus Ride Home

O ônibus faz a curva e para com um chiado. Coloco minha mochila em um ombro, enquanto a luz do sol aquece minha bochecha; o som familiar dos alunos se mistura a um borrão que eu nem noto mais.

Um toque de verão paira no ar de novembro, e uma brisa vadia puxa as pontas do meu rabo de cavalo.

"Então é isso", Jo sorri. "A última viagem de ônibus para casa."

Psicologia acabou. Meu exame final e o último vínculo com o ensino médio estão feitos. Eu deveria me sentir livre.

"Não parece real", eu digo.

Jo sorri, observando a multidão de alunos, cujos uniformes se misturam em uma colcha de retalhos colorida.

"Mal posso esperar para me mudar para Northspire", diz Jo. "Para finalmente deixar este lugar para trás."

Para ela, Ashgrove é pequena demais, comum demais. Ela quer as luzes da cidade, uma educação de elite, uma chance de provar seu valor na Silvern Academy de Northspire.

Eu? Já vivi a vida urbana em Crestbourne. Northspire será muito parecida: só barulho e neon, multidões e caos. Ashgrove, porém, tem árvores verdes e céu aberto. Rostos amigáveis. Espaço para respirar.

Claro, eu quero sucesso e emoção. Só não estou convencida de que a cidade seja o lugar para encontrar isso.

A fila do ônibus é um emaranhado de mochilas e conversas. As crianças passam empurrando, brigando por espaço. Uma menina mais nova da turma da Jo dá um passo para trás, e nós nos encaixamos ao lado dela.

Algo roça meu braço. Heath passa por mim, lançando-me um sorriso rápido por cima do ombro enquanto corta caminho para a frente; a fila se abre instintivamente para ele.

Os olhos atentos de Jo me encontram, me avaliando. Olho para qualquer lugar, menos para ele.

As portas do ônibus se abrem com um chiado, e os alunos da frente empurram para entrar.

"Everly, a Silvern te aceitaria em um piscar de olhos, e eu estaria lá também." Jo varre a multidão com a mão, deixando de lado o que é comum. "Você não pertence a este lugar, apenas fingindo ser humana."

As palavras travam na minha garganta. Eu não sei a que pertenço. Ou quem eu quero ser.

Subimos, e o calor abafado do velho ônibus do interior nos envolve. No meio do corredor, sento-me perto da janela e Jo se acomuda ao meu lado. O vinil gruda na parte de trás das nossas pernas, quente pelo sol. Jogo minha mochila no chão.

Jo cresceu aqui. Confiante e ambiciosa, Silvern foi feita para ela. E eu? Meu sangue de lobo é diluído. Minha prima Sienna e eu brincamos sobre isso, entre a esperança e o medo. Às vezes, imagino descobrir que herdamos algo extraordinário, que todas as histórias que mamãe e papai evitam contar são verdadeiras. Então a realidade vence. Se houvesse algo de especial em nós, já saberíamos.

Pela janela, avisto Mia do outro lado da rua. Com os óculos escuros escorregando e o cabelo loiro bagunçado pela brisa, ela acena. O namorado dela tira uma mecha do seu rosto antes de um beijo rápido e leve. Ela o empurra em direção ao estacionamento, rindo.

Mia tinha um jeito de trazer à tona meu lado bobo, aquela parte que parece divertida e leve. Nos distanciamos quando ela começou a namorar. Sinto falta dela. Sinto falta daquela versão de mim que aparece quando ela está por perto.

Jo segue meu olhar. "Algumas pessoas têm prioridades diferentes."

Mia não buscou nada prestigioso. Ela conseguiu um estágio, um emprego, uma vida que já está em movimento. Jo zomba, descartando como algo pequeno. E ainda assim... talvez Mia tenha razão. Ela não esperou pelo caminho "certo". Ela está seguindo em frente nos seus próprios termos, e parece... feliz.

"Meu plano faz sentido", eu digo. "A Universidade de Ashgrove é decente. Ficar por aqui economiza dinheiro, e posso conseguir meu diploma sem precisar correr atrás do prejuízo como aqueles que já nasceram com vantagem. Você tem uma matilha atrás de você; eu tenho que fazer tudo sozinha."

Jo pisca, quieta por uma vez. Então ela cede: "Você tem razão. É diferente para você. Mas se você só está dizendo não porque é difícil, isso não é um motivo. Isso é medo."

Isso dói.

Sinto vontade de discutir, de fazê-la entender, mas isso desaparece tão rápido quanto veio. Qual é o sentido? Essa é a Jo.

Com todos sentados, o ônibus ruge em direção a casa. Mudo o assunto para outras coisas, planos de férias, trabalho, qualquer coisa para manter minha mente longe das palavras dela.

No ponto dela, ela me dá um último tchau e caminha pela estrada de cascalho empoeirada sob o sol do final da tarde. O silêncio toma conta do ônibus.

Deixo meus dedos deslizarem pelo vidro, observando as árvores e os pastos secos passarem como um borrão. O vazio que ignorei enquanto Jo estava aqui volta, mas sei que o fundo do ônibus logo vai se agitar. Mantenho minha expressão neutra, mesmo já sabendo quem está prestes a aparecer.

Como se fosse ensaiado, Heath escorrega para o assento atrás de mim. Nem preciso olhar. O perfume dele chega primeiro: especiarias quentes com um toque de frutas cítricas. Cabelo loiro, uma bagunça charmosa. Aquele sorriso irritante. Mantenho meus olhos no vidro, fingindo que não percebo.

Nós dividimos a primeira parada da manhã e o último trecho para casa. Ainda me lembro do meu primeiro dia no ônibus. Eu subi por último, escolhi um assento no meio, tentando não ser notada. Heath tinha se virado com aquele sorriso torto já estampado no rosto.

"Garotas sentam no fundo."

Ele apontou para a linha desbotada no chão como se fosse lei. Inexperiente e insegura demais para discutir, eu me mudei, ignorando o "piranha esnobe" sussurrado que veio depois.

Aquela linha era a tentativa fraca do motorista de manter Heath e seus amigos na linha. Com o tempo, a marca sumiu, e minha hesitação também.

No começo, mal falávamos. Algumas palavras. Um sorriso. Um desafio silencioso. Mas, assim que os outros alunos desciam, Heath vinha até mim, e naqueles últimos vinte minutos, a provocação virava conversa.

Um papel alumínio amassa atrás de mim. Espio por cima do banco. Uma sobrancelha se levanta.

"Chocolate", murmuro. "Você sabe que esse é meu ponto fraco."

Heath quebra um pedaço, o sorriso se alargando. "Não vou dividir, princesa." Ele segura o pedaço entre nós por um segundo, me desafiando antes de morder.

"Veremos sobre isso."

Inclino-me sobre o banco, pegando o doce da ponta dos lábios dele antes que possa reagir. Minha mão roça sua boca. Pele quente. Uma respiração rápida. Meu coração falha antes que eu possa fingir que não aconteceu.

Mordo o wafer coberto de chocolate e me recosto no meu assento, vitoriosa. Um silêncio atordoado, então sua risada profunda me envolve como fumaça, deixando meu peito aquecido.

"Garota atrevida", diz Heath, com a voz mais rouca que o normal, os olhos brilhando enquanto ele busca o próximo pedaço.

"Você adora", respondo, fingindo não ouvir a tensão que se infiltra nas minhas próprias palavras.

"Não se ache."

"Você basicamente colocou na minha mão."

"Aquilo foi isca", ele diz, chutando levemente o encosto do meu banco. "Você caiu direitinho."

Eu me viro novamente, arqueando uma sobrancelha. "Ah é? E o que aconteceria se eu simplesmente dissesse por favor?"

Ele sorri, inclinando-se para frente, a voz baixa. "Talvez eu tivesse colocado na sua boca."

Meu pulso acelera. Forço uma risada. "Nossa. Que nojo."

"Romântico", diz ele, fingindo estar ofendido. "É assim que vocês garotas nerds gostam, grandes gestos e picos de açúcar."

"Que clichê. Quem disse que ser nerd significa que não posso ser um problema? Você é lento demais para notar."

Acho que vejo algo nos olhos dele, uma sombra de... algo, mas isso desaparece antes que eu possa ter certeza.

"Ah, eu notei", ele murmura, quase para si mesmo, então sorri, rápido e malicioso. "Vai amanhã?"

"Amanhã?"

"Na festa do Shawn."

"Não fui convidada."

Heath faz um som suave de descrença. "Convites? Você não precisa de um. É só aparecer."

Eu reviro os olhos. "Gente bêbada, más decisões, uma caixinha de som Bluetooth que vive falhando. Não faz muito meu estilo."

"É. Mas talvez devesse. É o tipo de coisa que alguém como você faria."

Ele diz isso casualmente, mas o jeito que ele me olha não tem nada de casual. Quase esqueço de respirar.

"Vou pensar nisso", eu digo, desviando o olhar, enquanto um movimento nos lábios dele me faz parar por um segundo.

O ônibus treme ao parar. Nossa parada. Heath se levanta, jogando a mochila no ombro. Por um momento, penso que ele possa dizer algo mais. Um convite real, algo para ancorar essa energia provocadora.

Ele não diz. Ele passa por mim e caminha pelo corredor sem olhar para trás.

E, como sempre, eu o deixo ir. Meu peito parece pesado, como se o ar tivesse sido arrancado de mim.

Meu celular vibra enquanto caminho pela entrada de cascalho de casa. Tiro-o do bolso.

[Sienna] Ei. Sobreviveu aos exames? Encontrei algumas coisas nas tralhas da vovó. Mamãe e papai deixaram aí na sua casa para você ver; seus pais queriam que você terminasse a escola primeiro. É... meio selvagem.

Quando empurro a porta da frente, estou esgotada, com o cérebro fritando e o coração pesado. Os exames acabaram, mas o alívio não veio; anseio por silêncio. Claro, meus pais estão esperando.

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Diálogo Forte

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