Capítulo 1
ETHAN
Comprar um anel de noivado deveria ser algo emocionante. Era o passo final antes de começarmos a vida com a qual sonhei por anos. Em vez disso, eu estava encarando a vitrine de vidro, com um frio na barriga de pura dúvida que começava a surgir.
Fileiras de diamantes brilhantes piscavam para mim, zombando da minha indecisão. Esta seria a maior decisão da minha vida adulta, e eu precisava ser inteligente na escolha, não importava quanto tempo levasse.
A vendedora, Lydia, de acordo com seu crachá, estava do outro lado do balcão, esperando. Ela me ofereceu outro sorriso paciente, enquanto seus olhos iam até o relógio, como faziam de vez em quando.
Isso estava tomando mais tempo e esforço do que eu esperava. Limpei a garganta, focando novamente na tarefa de hoje.
“Estou procurando algo clássico. Nada muito chamativo.”
“Com certeza”, respondeu Lydia, deslizando algumas opções sobre o balcão. Os anéis pareciam iguais, com diamantes de tamanhos diferentes neles. “Você está pensando em um corte redondo, princesa ou talvez algo um pouco mais exclusivo?”
Exclusivo. Essa era a Izzy com certeza. Ela adorava se destacar, chegar chegando. Mas quando se tratava de um anel, eu sabia que ela iria querer algo chamativo e atemporal, algo que ela pudesse usar pelos próximos cinquenta anos e ainda amar.
Enquanto Lydia explicava as diferenças, meu celular vibrou no meu bolso. Eu o tirei para ver Coach Jones na tela. Ignorei na primeira vez, mas vibrou de novo.
Trabalhávamos juntos como uma equipe há cinco anos, mas, nesse tempo, eu ainda não conseguia distinguir quando as ligações dele eram por emergências de trabalho ou apenas mais uma chance de elogiar a comida deliciosa da esposa. Eu estava ansioso para retribuir esse favor, porque Isabelle era uma cozinheira dos infernos nos dias em que ela escolhia cozinhar.
Uma namorada não era uma esposa, como meu pai e o Coach Jones diriam, mas isso mudaria em breve. Eu esperei tempo demais para finalmente poder fazer isso.
“Com licença”, eu disse, me afastando para atender. “Coach.”
“Ethan Alexander Cole.” A voz estrondosa dele era alegre, alta e clara. Eu quase afastei o telefone da orelha para fazer uma careta, algo que eu teria feito se ele estivesse bem na minha frente. “Espero não estar interrompendo.”
“Mais ou menos. Estou no meio de uma coisa”, confessei, olhando de volta para o balcão, onde Lydia fingia examinar os anéis. “O que houve? Está tudo bem?”
“Claro. Como está o meu talento favorito em ascensão?”
Incapaz de me conter, soltei uma risada baixa. “Acho que não me encaixo mais como ‘em ascensão’, Coach.”
“Você se encaixa se eu disser que se encaixa”, ele rebateu, com aquele tom cheio da confiança inabalável que eu sempre admirei. “O que eu interrompi?”
“Tarefas”, respondi vagamente, olhando de volta para as fileiras de anéis brilhantes à minha frente. “Resolvendo umas pendências.”
“Pendências, hein? Para aquela sua mulher bonita?”, o Coach brincou, e minhas bochechas esquentaram. “Grandes planos para o fim de semana?”
Hesitei. “Talvez.”
“Talvez”, ele disse, prolongando a palavra como se não acreditasse em mim. “Parece que você está escondendo grandes segredos, Ace.”
O Coach Jones começou a me chamar de Ace depois que sugeri uma jogada decisiva que virou o jogo a favor dos Marlins Eagles durante uma partida tensa. Eu podia contar nos dedos quantos jogos perdemos desde que entrei para a equipe. Nós funcionávamos muito bem como uma dupla de técnico e assistente.
“Nem tudo é segredo, Coach. O que você precisa?”
“Ah, direto ao ponto como sempre”, disse ele. Sim. Eu precisava escolher um anel para a minha garota. “Tudo bem. Ouvi dizer que o Coach Aster, dos CityHills Hawks, precisa de um assistente para o time feminino.”
Eu gemi. “Por favor, não me diga que você vai tentar me convencer disso.”
“Me escuta”, insistiu ele, a voz ficando séria. Era inútil, porque a resposta era clara. “É muito bom e uma ótima oportunidade para você. CityHills tem um programa maior, paga melhor, você ganha seu próprio lugar, uma chance de crescer.”
Passando a mão pelo cabelo, eu disse: “CityHills fica a seis horas de Los Marlins. A Izzy trabalha aqui.”
“E daí? Ainda é uma oportunidade melhor. Ela pode se mudar.”
“Obrigado por pensar em mim, Coach”, eu disse, cortando o resto do discurso dele antes que pudesse terminar. “Mas não estou interessado. Izzy e eu queremos criar nossa família aqui.”
Los Marlins podia ser café pequeno comparado a CityHills, mas minha futura esposa morava aqui. Nós criamos lindas memórias aqui. Eu não queria viver longe da minha parceira depois de ter aguentado isso durante nosso relacionamento.
“Deixa eu melhorar a oferta”, ele pressionou. “O salário é o dobro do que você ganha agora, Ace. Porra, mais do que o dobro.”
“Estou bem onde estou.”
“Você não precisa pagar aluguel porque ganha um lugar de graça.”
Parecia bom, mas… “Estou bem em um apartamento alugado.”
“Ace, não seja idiota.”
A frustração dele era palpável e compreensível. Cinco anos atrás, eu poderia ter concordado, mas Izzy estava na jogada agora. Ela queria morar na mesma cidade que os pais dela, e eu também. Nossos empregos também eram aqui.
Meu salário atual não me tornaria o homem mais rico de Los Marlins tão cedo, mas estávamos bem. Eu gostava da minha vida aqui.
“Você ganha seu próprio lugar, Ethan”, o Coach acrescentou. “Sem dividir instalações, sem ter que lidar com moleques recém-saídos da faculdade que não sabem nem segurar o cabo da vassoura. Você pode economizar mais para o seu futuro e, em alguns anos, você será o técnico principal dos CityHills Hawks.”
“Ok…”
“Você tem ideia de quão grande é essa oportunidade?”
“Por que você não pega o emprego, então?”
“Sou técnico há vinte e nove anos”, ele rebateu. “Eu me ferro se sair daqui para ser assistente de qualquer um. Mas você é jovem. Correm boatos de que o Coach Aster pretende se aposentar em breve. Isso vai ser ótimo para você.”
Embora ele não pudesse me ver, balancei a cabeça. “Por mais que eu agradeça por você cuidar de mim, para mim a família vem primeiro. Izzy está aqui. Nossos pais estão aqui. Minha vida é aqui.”
Ele soltou um suspiro longo e dramático. “Vou te dar um dia, Ace. Pense nisso. Se você ainda estiver irredutível, eu direi não a eles.”
“Não perca seu tempo. Minha resposta não vai mudar.”
“Só me faça um favor e não deixe que alguma mulher te segure. Não quando você tem tanto potencial.”
“Izzy não é ‘alguma mulher’. Ela é minha garota.” Ele tentou falar, mas eu não deixei. “Essa conversa acabou, Coach.”
Encerrando a ligação, enfiei o celular de volta no bolso e voltei ao balcão para que Lydia apresentasse as opções finais. Escolhi o anel perfeito: um solitário modesto em uma delicada aliança de platina. Era simples e atemporal, como nós.
Lydia registrou a compra e, ao sair da loja, imaginei a reação da minha namorada. Eu já podia ouvir seu suspiro de surpresa e ver as lágrimas brilhando em seus olhos castanhos.
Isabelle Hart sempre foi dramática da melhor forma possível. Tudo o que eu fazia era por ela — por nós. Eu estava com ela há cinco anos, oito, se você contasse os três anos em que fomos amigos antes de ela aceitar ser minha namorada. Embora ela não estivesse pronta para sossegar, eu esperei pacientemente.
Ela queria aproveitar seus vinte e poucos anos primeiro. Explorar a vida antes de se comprometer com o casamento. Eu entendia isso. Mas agora, eu tinha parado de esperar. Ela tinha acabado de completar trinta anos, então era o momento perfeito para pedir em casamento.
Ao sair, chamei um táxi. Assim que entrei no banco de trás, tirei uma foto do anel e enviei para a mamãe.
A imagem mal tinha sido entregue quando meu celular vibrou. Papai estava ligando. A mamãe deve ter mostrado a ele; aqueles dois agiam como unha e carne. Sempre apaixonados.
“Oi”, respondi.
“Você comprou o anel”, ele disse sem rodeios.
A mamãe gritou ao fundo, sua empolgação transbordando para mim. O motorista do táxi me deu uma olhada pelo retrovisor, e eu lancei um sorriso para ele.
“Comprei. Planejo pedir em casamento neste fim de semana.”
“Já era hora, porra. Oito anos, Ethan”, disse ele. Não me dei ao trabalho de lembrá-lo de que nosso relacionamento não era tão longo, porque ele apontaria o quanto eu fiquei solteiro nesse período. “Você já é praticamente um velho.”
“Obrigado, pai.”
“Estou falando sério, filho”, ele continuou. “Sua mãe e eu estamos esperando por netos desde que você se formou na faculdade.”
“É verdade”, a mamãe concordou.
Esses dois. “Deixa eu fazer ela dizer sim primeiro, tá bom?”
“Você consegue, E.”
O apelido trouxe memórias do meu eu mais jovem em campo, segurando meu taco de lacrosse enquanto eu disparava a bola para o gol. Enquanto os outros recebiam um número na camisa, eu recebi uma letra. Mas a vida aconteceu, e eu tive que fazer a transição de jogador para técnico. Empurrei para longe aquelas velhas memórias antes que elas arruinassem este momento para mim.
“Obrigado, pai”, eu disse novamente, mais suave desta vez.
Quando cheguei em casa, coloquei a caixinha do anel na gaveta da minha cômoda. Saber que finalmente estava acontecendo parecia tão surreal. Mas era o primeiro passo para construir a vida que eu sempre quis. Uma família, estabilidade e uma parceira para compartilhar tudo isso.
Ei, Queens!!!
Estamos de volta para explorar as dinâmicas dos Lycan. De volta a onde tudo começou ;) se é que vocês me entendem.
Obrigada por escolherem TFLP. Espero que gostem de ler tanto quanto eu gostei de escrever.
TFLP é o 6º livro da série Curse of the Lycan e pode ser lido como um livro independente. Sintam-se à vontade para conferir os outros livros da série. Todos eles são gratuitos para ler no Inkitt.
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Começado: 15 de junho de 2026
P: Que dia você começou a ler?







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this is really interesting
08.10.2026