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A Escolhida (Livro 3)

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Resumo

A Escolhida — Livro Três Lura Night passou a vida sendo moldada por escolhas que nunca pediu. O destino escolheu seus companheiros. A tragédia os levou embora. Os segredos de sua mãe a levaram a buscar respostas. E, além de um muro que o mundo havia esquecido, Lura finalmente descobriu a verdade sobre o sangue que corria em suas veias. Agora, ela dorme. Se seu despertar a deixou inconsciente no reino oculto dos Lycans, cercada por uma família que ela nunca soube que existia, seu coração está em outro lugar — envolto nos braços do misterioso homem de olhos prateados que assombra seus sonhos desde que sua jornada começou. Pela primeira vez desde a perda de Kael, Lura se permitiu amar novamente. Ela só não sabe que o homem por quem está se apaixonando é real. Por sete mil anos, o mundo esqueceu Ares, o Deus dos Lycans. Amaldiçoado e apagado da história após amar alguém que era proibido de amar, até suas próprias criações esqueceram seu nome. Mas a alma de Lura se lembra. À medida que seu novo sangue Lycan desperta, também desperta o deus esquecido, ligado a ela por algo mais antigo do que os mate bonds que ela sempre conheceu. Em breve, sonhos e realidade colidirão. Maldições antigas ressurgirão. A história esquecida exigirá respostas. E Lura descobrirá que ser a Escolhida não significa entregar seu futuro ao destino. Desta vez, a escolha pertence a ela. Um deus esquecido está despertando. Sua Lua finalmente retornou.

Gênero
Fantasy
Autor
FaeLura
Status
Completo
Capítulos
60
Classificação
4.8 (18 avaliações)
Classificação Etária
18+

Ch 1 O sonho que não queria acabar

Um calor envolveu Lura antes mesmo de ela abrir os olhos.

Não era o calor doloroso de que se lembrava do despertar. Não havia luz ofuscante, nem magia atravessando seu corpo, e nenhuma voz a chamando de além do círculo brilhante. Este calor era confortável e constante, envolvendo-a como um cobertor.

Sua bochecha repousava contra algo firme, e um braço estava relaxado ao redor de sua cintura. Dedos moviam-se lentamente pelas pontas de seu cabelo, roçando ocasionalmente em suas costas.

Então ela ouviu.

Tum-tum. Tum-tum.

Uma batida de coração sob sua orelha.

Os olhos de Lura se abriram lentamente, e a primeira coisa que viu foi um peito familiar sob sua bochecha. Seu olhar subiu até encontrar aqueles olhos prateados que já a observavam.

Memórias do que parecia ser a noite anterior voltaram todas de uma vez.

Ela o havia beijado.

Não por acidente. Não porque ele a tivesse puxado. Ela olhou para aquele homem misterioso e irritante, que de alguma forma se tornou a parte mais segura de seus sonhos, e o beijou porque queria.

Duas vezes.

O calor subiu imediatamente para suas bochechas.

O peito sob ela começou a tremer.

"Não."

O tremor piorou.

Homem Misterioso: "Eu não fiz nada, minha Lua."

"Seu peito está rindo de mim."

Lura levantou a cabeça o suficiente para encará-lo. Seus olhos prateados brilhavam de diversão enquanto ele fazia uma tentativa terrível de manter uma expressão inocente.

Homem Misterioso: "Talvez meu peito tenha senso de humor."

"Então seu peito é um babaca."

Sua risada finalmente escapou, profunda e quente o suficiente para que Lura não conseguisse continuar o encarando. Ela enterrou o rosto nele novamente com um resmungo, enquanto o braço dele apertava o abraço.

Para alguém que deveria existir apenas dentro de seus sonhos, ele estava se tornando confortável demais.

Homem Misterioso: "Bom dia."

"Discutível."

Homem Misterioso: "Você é sempre tão agradável ao acordar?"

"Eu geralmente não acordo em cima de um homem misterioso que se recusa a me dizer qualquer coisa sobre si mesmo."

Homem Misterioso: "Alguma coisa?"

Lura levantou a cabeça novamente.

O sorriso dele dizia exatamente o que ele tinha feito.

"Não se ache."

Homem Misterioso: "Eu nem sonharia com isso."

"Você é hilário."

Ela tentou rolar para longe, mas o braço dele permaneceu em sua cintura. Ele não estava realmente a impedindo; ela sabia que poderia sair se quisesse.

O problema era que ela não queria muito.

Lura relaxou contra ele novamente, e a expressão provocadora dele suavizou lentamente. Seus dedos voltaram ao cabelo dela, separando uma mecha preta de uma branca antes de deixá-las cair sobre seu ombro.

Homem Misterioso: "Você se arrepende?"

A pergunta foi mais silenciosa do que tudo o que veio antes.

Lura soube imediatamente ao que ele se referia.

Ela o observou por um momento. Pela primeira vez, não havia aquele sorriso sagaz em seu rosto nem uma resposta misteriosa esperando atrás de seus olhos. Ele realmente parecia incerto.

Aquilo a surpreendeu.

Ela pensou nos beijos e em como se sentiu depois. Kael ainda tinha um lugar em seu coração que ninguém poderia tirar. Amar alguém novo não o apagaria, assim como a cura não apagou tudo o que ela sobreviveu. Ela passou tempo demais da vida deixando o destino, a família, a posição e os vínculos de parceiros decidirem o que ela deveria sentir.

Aquele beijo não pertencia ao destino.

Tinha sido dela.

"Não."

Algo mudou na expressão dele.

Lura sorriu suavemente e colocou a mão sobre o peito dele. "Eu não me arrependo de ter beijado você."

O coração dele deu uma batida mais forte sob sua palma.

Ela sentiu.

Seu sorriso imediatamente tornou-se travesso.

"Oh."

Os olhos dele se estreitaram levemente.

"O quê?"

Homem Misterioso: "Nada."

"Seu coração acabou de fazer algo."

Homem Misterioso: "Corações costumam fazer isso."

Lura riu. "Você estava nervoso?"

Homem Misterioso: "Não."

"Você estava!"

Homem Misterioso: "Garanto-lhe, minha Lua, que não estava."

"Você estava sim. Olhe só para você tentando agir como se fosse misterioso de novo."

Ele balançou a cabeça, mas o pequeno sorriso puxando os lábios o traiu. Lura riu e acomodou-se contra o peito dele mais uma vez, estranhamente satisfeita consigo mesma por descobrir que o homem misterioso de olhos prateados não era impossível de abalar.

Por um tempo, eles simplesmente ficaram ali.

Foi quando Lura começou a notar como tudo parecia diferente.

Geralmente os sonhos deles eram envoltos pelo luar. A árvore enorme havia se tornado familiar, assim como a grama macia e o som distante de água, mas hoje a luz do sol entrava pelas folhas lá em cima. Raios quentes tocavam sua pele enquanto pássaros cantavam em algum lugar além da clareira. Flores minúsculas se moviam com uma brisa que ela realmente conseguia sentir em seu rosto.

Lura franziu a testa e sentou-se lentamente.

O movimento fez com que o braço dele caísse de sua cintura.

"É de manhã?"

Ele olhou para o céu antes de voltar sua atenção para ela.

Homem Misterioso: "Ao que parece."

"Espertinho."

Lura se levantou e olhou para baixo imediatamente. A grama fria pressionava seus dedos descalços, e sob ela era possível sentir a terra úmida e até pedras irregulares escondidas sob o solo.

Ela mexeu os dedos dos pés.

Isso era... estranho.

Ela deu alguns passos para longe da árvore enquanto ele ficava atrás dela. Cada sensação parecia mais aguçada do que antes. Ela conseguia sentir o calor do sol em um lado de seu rosto e a brisa mais fresca no outro. Podia ouvir água fluindo por perto e o bater de asas no alto dos galhos.

Então os aromas a atingiram.

Flores. Terra molhada. Casca de árvore. Água.

E ele.

Lura parou.

O perfume dele a alcançou a alguns metros de distância, mais forte do que ela já tinha notado antes. Cedro misturado com chuva e algo mais escuro que a lembrava do ar logo antes de uma tempestade.

Ela se virou lentamente.

Ele a observava.

"O quê?"

Homem Misterioso: "Você me diz."

Lura inspirou novamente.

A sobrancelha dele se ergueu.

"Eu consigo sentir o seu cheiro."

Aquela sobrancelha subiu ainda mais.

Lura ouviu imediatamente como aquilo soou.

"Não desse jeito."

A boca dele se contraiu.

"Não."

Homem Misterioso: "Eu não disse nada."

"Seu rosto disse."

Ela apontou para ele de forma acusadora antes de seguir o som da água. Ele entrou no passo ao lado dela, parecendo divertido demais consigo mesmo.

O riacho não ficava longe. Água límpida fluía entre pedras lisas, brilhando sob a luz da manhã. Lura se agachou ao lado dele e mergulhou as pontas dos dedos sob a superfície.

Um calafrio percorreu o corpo dela.

Ela puxou a mão rapidamente.

"Que porra é essa?"

Ele parou ao lado dela.

Homem Misterioso: "Algum problema?"

"A água está gelada."

Homem Misterioso: "Essa é, geralmente, uma qualidade que a água possui."

Lura olhou por cima do ombro, irritada. "Você sabe do que estou falando."

Ela colocou a mão de volta no riacho, bem devagar. A água fluiu entre seus dedos, gelada o suficiente para que ela sentisse cada movimento contra a pele. Quando levantou a mão, gotículas rolaram pelo seu pulso, passando pela marca que tinha surgido durante sua jornada.

Lura tocou a ponta do dedo molhado na língua.

Água.

Ela podia sentir o gosto.

Seus olhos se estreitaram.

"Eu normalmente não sinto gosto das coisas nos sonhos."

Por um breve segundo, algo cruzou a expressão dele.

Desapareceu tão rápido que Lura quase não notou.

Quase.

Ela se levantou e limpou a mão molhada na calça. "Você sabe de alguma coisa."

Homem Misterioso: "Eu sei de muitas coisas."

"Essa é exatamente o tipo de resposta irritante de que estou falando."

Homem Misterioso: "O seu despertar mudou você, minha Lua. É natural que seus sonhos mudem com você."

"Isso é uma resposta que não responde nada."

Ele sorriu.

Lura cruzou os braços e o encarou. Ele era impossível. Lindo, irritante e impossível.

Então, outro pensamento lhe ocorreu.

Na verdade, ela estava cansada de outra coisa também.

"Quer saber?"

Homem Misterioso: "Essa pergunta geralmente me preocupa."

"Deveria."

Lura caminhou até ele e parou bem na sua frente. "Você sabe o meu nome. Você sabe coisas sobre mim que eu nem te contei. Você me chama de sua Lua quando bem entende, mas eu ainda não sei como te chamar."

A diversão dele diminuiu um pouco.

Interessante.

Lura inclinou a cabeça. "Qual é o seu nome?"

Ele permaneceu em silêncio.

Ela esperou.

Nada.

"Sério?"

Homem Misterioso: "Há certas coisas que você deve descobrir quando for a hora certa."

Lura bufou. "Claro que há."

Ela se afastou e começou a andar de um lado para o outro, batendo o dedo no queixo.

Ele a observava com desconfiança.

Homem Misterioso: "O que você está fazendo?"

"Resolvendo o problema."

Homem Misterioso: "Que problema?"

"Eu preciso de um jeito de te chamar, e aparentemente você está determinado a ser dramático sobre seu nome verdadeiro."

Seus olhos prateados a seguiram enquanto ela circulava por ele.

Homem Misterioso: "Eu já tenho um nome."

"Então me diga."

Silêncio.

Lura parou na frente dele novamente e sorriu com doçura.

"Exatamente."

Ele suspirou.

Lura o estudou propositalmente. O cabelo dele pegava a luz do sol, mas eram seus olhos que sempre atraíam a atenção dela primeiro. Aqueles estranhos olhos prateados estavam ali desde o começo, aparecendo na floresta muito antes de ela entender por que aquele homem continuava encontrando o caminho para os seus sonhos.

Então, ela sorriu.

"Prata."

Ele a encarou.

Homem Misterioso: "Prata?"

"É."

Homem Misterioso: "Você decidiu me rebatizar de Prata."

"Até que você me dê algo melhor."

Ele parecia quase ofendido, o que só a fez gostar ainda mais.

Homem Misterioso: "Certamente sua imaginação é capaz de algo menos óbvio."

"Ah, com certeza. Eu tinha outras opções."

A expressão dele tornou-se cautelosa.

Lura deu um sorriso malicioso. "Garoto Lua."

Homem Misterioso: "Prata é aceitável."

Lura caiu na gargalhada.

A rendição dele veio tão rápido que ela quase se dobrou de rir. "Ai, Deusa. Você deveria ter visto a sua cara!"

Homem Misterioso: "Prata servirá."

"Tarde demais. Agora eu sei que Garoto Lua te incomoda."

Ele deu um passo em direção a ela.

Lura recuou, ainda rindo.

Prata: "Cuidado, minha Lua."

"Aí está. Viu? Agora estamos quites."

Prata: "Dificilmente."

"Você tem sua Lua. Eu tenho meu Prata."

As palavras escaparam antes que Lura pensasse muito nelas.

A expressão dele mudou.

A provocação desapareceu, substituída por algo tão inesperadamente terno que a risada de Lura diminuiu lentamente. Prata olhava para ela como se ela tivesse dito algo muito mais importante do que pretendia.

De repente, ela ficou muito consciente de quão perto ele tinha chegado.

"Você odeia tanto assim?"

Prata: "Não."

A resposta dele foi baixa.

Ele estendeu a mão para ela e entrelaçou seus dedos. No instante em que suas peles se tocaram, uma faísca quente percorreu a palma da mão de Lura e subiu pelo seu braço. Era mais forte do que antes, mas em vez de se afastar, ela apertou os dedos contra os dele.

Prata olhou para as mãos unidas antes de levantar aqueles estranhos olhos para os dela.

Prata: "Acho que poderia começar a gostar bastante disso."

Lura sorriu.

"Bom dia, Prata."

A mão livre dele subiu e afastou gentilmente uma mecha de cabelo do rosto dela.

Prata: "Bom dia, minha Lua."

Desta vez, Lura não hesitou.

Ela ficou na ponta dos pés, colocou uma mão no peito dele e o beijou suavemente.

Por um momento mínimo, Prata congelou como se ela tivesse conseguido surpreendê-lo de novo. Então, o braço dele envolveu sua cintura e a puxou para mais perto, retribuindo o beijo com uma ternura que enviou um calor por todo o corpo dela.

Quando Lura finalmente se afastou, encontrou-o olhando para ela.

"O quê?"

O polegar dele se moveu lentamente ao longo da cintura dela.

Prata: "Você está se tornando perigosa."

Ela deu um sorriso largo. "Você ainda não viu nada."

A risada dele a seguiu enquanto ela se soltava dos braços dele e voltava em direção ao riacho.

Lura não questionava mais por que o sonho parecia tão real. Ela não questionava por que podia sentir o gosto da água, sentir cada lâmina de grama ou ouvir o batimento cardíaco de Prata tão claramente quanto o seu próprio. Depois de tudo o que enfrentou, ela queria uma coisa em sua vida que não precisasse se tornar outro mistério a ser resolvido.

Então, ela se permitiu aproveitar.

O que Lura não sabia era que aquela não era mais uma noite comum sonhando embaixo da árvore deles.

Fora daquele belo lugar, a manhã já tinha chegado e ido embora.

E seus olhos reais permaneciam fechados.

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1. Ch 1 O sonho que não queria acabar
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