Capítulo Um A CAMINHADA PARA CASA
Maya
O relógio digital na parede da sala dos professores zombava de Maya desde o momento em que o diretor apresentou a pauta.
Saída às quinze e meia, ela pensara mais cedo. Era um plano simples para pegar seu táxi habitual, fugir do frio mais intenso da noite e chegar em casa a tempo de ajudar a mãe a embalar pedidos da padaria e checar o dever de casa de Lily, de treze anos. Em vez disso, uma reunião obrigatória sobre as avaliações do semestre consumiu uma hora inteira.
Quando Maya finalmente atravessou os portões da escola, o ar de outono já estava cortante, atravessando seu cardigã fino. O sol baixava, manchando o horizonte de um laranja arroxeado. O inverno chegava cedo, trazendo a escuridão a tiracolo.
Seu trajeto era uma via-sacra de transporte público: um táxi lotado, uma baldeação, outro longo trecho e a perna final. Quando o último táxi a deixou na esquina, os postes de luz já zumbiam, projetando poças de uma luz amarela doentia no asfalto. Passava das sete.
E ela ainda tinha vinte e cinco minutos de caminhada pela frente.
Maya apertou as alças de sua mochila de lona pesada, com os nós dos dedos ficando brancos. Dentro estava seu notebook — cada plano de aula, suas planilhas de notas e seu planejador digital. Se perdesse aquilo, estaria perdida. Caminhando rápido, suas botas faziam um ritmo frenético contra o concreto, enquanto sua mente repassava as mudanças administrativas estúpidas da reunião. Ela estava tão envolvida em sua frustração que nem notou a mudança nas sombras.
Num segundo, calculava quantas horas de sono teria; no seguinte, uma massa pesada se desprendeu da copa densa dos carvalhos que margeavam a calçada.
Um homem entrou diretamente em seu caminho, bloqueando a passagem.
"Não se mexa", ele rosnou, com um som baixo e gutural.
Maya ofegou, tropeçando para trás. Seu coração batia violentamente contra as costelas. No brilho âmbar do poste, a lâmina de uma faca captou a luz — metal longo e fosco, tremendo levemente em uma mão suja.
"Celular. Carteira. Passa para cá", o homem sibilou, aproximando-se.
O pânico tomou conta de sua garganta, sufocando qualquer som. Ela queria correr, queria gritar, mas seus membros pareciam preenchidos por chumbo. Ela congelou, o terror primitivo travando cada músculo. Seu celular tinha todos os contatos necessários, mas, pior, sua mochila carregava o notebook. Se ele verificasse — se levasse sua tábua de salvação — ela não teria nada.
"Eu disse para entregar!", o assaltante disparou, avançando e agarrando a frente de seu cardigã. Ele a empurrou contra o tronco de uma árvore, tirando o ar de seus pulmões. Ele tateou seus bolsos freneticamente, mas estavam vazios; tudo estava enterrado dentro da mochila.
Suas mãos ásperas tatearam os ombros dela, tentando arrancar a mochila. Maya soltou um ganido baixo e aterrorizado, os olhos apertados enquanto o metal frio da lâmina pairava perto demais.
Então, um ronco grave cortou a noite.
Não era o barulho do tráfego. Era o ronronar pesado e inconfundível de um motor de luxo reduzindo a marcha.
O assaltante parou, virando a cabeça bruscamente em direção à rua.
Maya forçou os olhos a abrirem, o peito subindo e descendo. Um sedã preto e elegante parou silenciosamente no meio-fio, apagando os faróis assim que estacionou. Antes mesmo que o veículo parasse por completo, as quatro portas abriram ao mesmo tempo.
Quatro homens saíram.
O assaltante soltou um palavrão afiado, soltando Maya tão rápido que ela cambaleou. O medo tomou conta da postura do agressor; ele olhou para os quatro vultos que se aproximavam, fez um cálculo rápido e empurrou Maya para longe com força para sair correndo.
O impacto a fez cair para trás. Seu quadril bateu no meio-fio duro, e sua mão espalmou sobre um pedaço de vidro quebrado, meio enterrado na terra. Uma pontada aguda percorreu sua palma, mas o choque do momento a impediu de sentir o peso real do corte. Ela ficou caída, encolhida na base da árvore, completamente paralisada.
Dois dos homens se separaram instantaneamente, correndo atrás do ladrão em fuga com uma velocidade impiedosa.
Os outros dois continuaram, parando a poucos metros dela. Um deles — os gêmeos, amigos de infância — agachou-se imediatamente, seus olhos varrendo a linha escura das árvores, com uma pistola preta pesada firme e baixa em sua mão direita.
O olhar de Maya encontrou o metal escuro da arma.
O fôlego sumiu de seus pulmões. Sua mente não processou "salvadores"; ela processou "perigo". Processou as mãos pesadas de seu passado, os hematomas que ela tanto se esforçou para esconder, o terror inevitável de um homem com poder sobre ela. O mundo girou. Ela fechou os olhos novamente, ofegante, com o corpo tremendo violentamente.
O outro homem — mais alto, mais largo, envolvido em um casaco de lã escuro — aproximou-se, estendendo a mão, palma aberta, oferecendo ajuda para ela levantar.
"Não... por favor, não me toque", Maya engasgou, recuando contra o tronco da árvore, seus olhos arregalados e cheios de lágrimas desviando dele para o homem com a arma. Em seu peito, seu coração era um pássaro preso batendo até a morte. Ela estava convencida de que aqueles homens eram apenas mais um tipo de monstro.
Dante
Dante Russo tinha visto sangue, violência e terror mil vezes. Era a moeda do mundo de seu pai, a atmosfera que ele respirava desde que tinha idade para segurar uma arma. Ele era frio, calculista e completamente insensível a tudo aquilo.
Até cinco segundos atrás.
Quando viu o ladrão de rua maltrapilho empurrando uma mulher pequena e indefesa contra uma árvore, algo dentro de Dante se partiu com a força de uma mola carregada. Não era racional. Ele não sabia o nome dela, não sabia o que ela fazia ali sozinha, mas, no segundo em que a viu encurralada, uma raiva cega e sufocante rasgou seu peito.
Ele mal deixou o carro parar e já estava fora, com os gêmeos, seus amigos de infância, movendo-se com ele como uma alcateia.
Agora, ajoelhado a trinta centímetros dela, Dante observou a cor drenar completamente do rosto da jovem.
Ele viu o momento exato em que seus olhos arregalados e aterrorizados desceram de seu rosto para a mão de Julian. Julian ainda mantinha sua arma estendida, verificando o perímetro por qualquer ameaça persistente.
O maxilar de Dante travou. Ele seguiu a linha de visão dela, e a compreensão o atingiu como um golpe físico. Para ela, eles não pareciam salvadores. Pareciam carrascos. Ela tremia tanto que mal conseguia se sustentar, seu corpo pequeno encolhido como se esperasse por um golpe.
"Julian", disse Dante, sua voz um comando baixo e áspero que não aceitava discussão. "Guarde isso.
Agora."
Julian imediatamente guardou a arma, recuando para as sombras para dar-lhe espaço, mantendo-se em alerta.
Dante mudou o peso do corpo, movendo-se uma fração de milímetro para mais perto, garantindo que seus movimentos fossem lentos, transparentes e nada ameaçadores. Ele manteve as mãos visíveis, abertas ao lado do corpo.
"Ei", murmurou Dante, sua voz caindo em um registro que ele nunca usara com ninguém em sua vida — suave, desprovida de suas habituais arestas afiadas, carregada com uma necessidade urgente e desesperada de acalmar o pânico que ele causara apenas por existir em seu espaço. "Olhe para mim. Está tudo bem. Nós vamos cuidar de você. Ninguém vai te machucar."





