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A Maldição da Lua De Sangue

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Resumo

Entre florestas sombrias e estradas perigosas, a jornada de Milo e Troyen é marcada por segredos, batalhas e descobertas. Milo, um jovem de olhos violetas, carrega o peso de ser um ômega em um mundo que o rejeita. Troyen, capitão e príncipe, luta contra uma doença silenciosa e contra feridas que podem ser fatais, mas nunca deixa de proteger o rapaz que se torna sua razão de resistência.

Gênero
Lgbtq
Autor
Weslley West
Status
há 20 horas
Capítulos
12
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

O Caminho Para o Recomeço

O dia começava gelado na fazenda Thorne, e Milo sentia o vento frio cortar sua pele como lâminas invisíveis. Do quarto luxuoso que servia de cela, ele observava os escravos se levantando para mais um dia nos campos de trigo. Muitos acreditavam que viver na casa grande era um privilégio, mas para Milo, aquele era o pior dos infernos.

No espelho à sua frente, via um jovem negro, magro pela fome, marcado pela crueldade. Mas o que mais o perturbava eram seus olhos - olhos que não pertenciam a um humano comum. Eles eram o legado da noite maldita em que fora transformado em um ômega. Não era lobo, não tinha a força da fera, mas carregava em si a maldição de gerar filhos para os alfas que dominavam a fazenda.

Nova República fingia que lobisomens eram apenas lendas, mas Milo sabia a verdade: eles estavam ali, escondidos nas zonas rurais, controlando terras e espalhando terror.

Uma maldição lançada por uma bruxa havia condenado as fêmeas lobas à infertilidade, e os humanos sequestrados eram a solução cruel encontrada pelas alcateias. O ritual da Lua de Sangue transformava jovens rapazes em ômegas, mutilados e marcados para sempre.

Naquela manhã, Milo sentiu o peso de sua condição mais forte do que nunca. O som de passos pesados ecoou pelo corredor. O alfa da fazenda se aproximava. O coração de Milo disparou, e uma sensação de pânico tomou conta de seu corpo. Ele tentou se esconder, mas a porta se abriu com violência. A sombra do homem cobriu o quarto, e os olhos carmesim do lobisomem se fixaram nele.

O ataque foi brutal, rápido, inevitável. Milo gritou, sentindo o mundo se despedaçar ao seu redor... até que, de repente...

Acordou.

Estava sentado na carruagem a caminho de Castelo Prata. A sua frente o homem de cabelos negros e olhos azulados segurava a lamina da adaga que o rapaz empunhava em sua direção. O sangue do homem banhava a lamina enquanto os olhos de Milo se fixa nele.

— Me desculpe, capitão... eu... tive um pesadelo. — murmurou, a voz embargada, abaixando a lâmina com mãos inseguras.

— Teve um pesadelo e tentou me matar? - disse com suavidade, inclinando-se para frente. — Milo, você não precisa se desculpar por lutar contra fantasmas.

O sorriso discreto não era de deboche, mas de compreensão. Seus olhos azuis intensos refletiam a luz da lua que entrava pela pequena janela da carruagem. Obvio que aquela pequena lamina jamais o mataria, mas se divertia com a expressão assustada nos olhos violeta do rapaz.

Milo Finnick era um jovem de pele negra, magro, seus olhos expressivos transmitiam intensidade e curiosidade, com um toque de inocência, o rosto possuía traços masculinos bem definidos.

Em contra partida, o homem a sua frente era Troyen ST. James capitão da guarda real do reino de Northemia, um guerreiro de traços fortes condizentes com sua postura, o rosto era robusto com um maxilar forte e barba por fazer, os olhos possuíam um tom azul intenso e com cabelos escuros.

Milo abaixou o rosto, encolhendo-se no banco.

— Eu não queria... mas às vezes sinto que ainda estou preso naquela fazenda. Nos olhos deles, nos gritos... eu não consigo escapar.

O silêncio entre Milo e Troyen era pesado, quebrado apenas pelo som das rodas e o trotar dos cavalos. O incidente com a adaga ainda pairava no ar, como uma sombra difícil de dissipar. Milo mantinha os olhos baixos, envergonhado.

Eu... não queria machucá-lo. Foi o sonho. Eu ainda sinto como se estivesse preso naquela noite. — Seus pensamentos eram carregados de culpa.

Troyen por sua vez estava alheio a tudo isso, para ele não passava de um acidente que não iria interferir em nada na dinâmica daquele relacionamento, ambos estavam noivos. Um casamento arranjado, um acordo mutuo.

Para Milo, segurança, uma nova vida, uma nova chance de escapar do inferno que viveu. Para Troyen, era a chance de estreitar laços com a vila onde o rapaz residia, ele precisava de trabalhadores para as minas de prata em suas terras e vender os lingotes para vilarejos e cidadelas que tanto precisava do minério.

O silêncio da carruagem ainda pesava, mas Milo não conseguia tirar os olhos da mão de Troyen. O corte feito pela adaga era pequeno, mas o sangue escorria lentamente, tingindo de vermelho a pele firme do capitão.

— Você está sangrando... — murmurou Milo, quase num sussurro.

Troyen ergueu a mão, como se não desse importância.

— É apenas um arranhão. Já sobrevivi a feridas muito piores.

Mas Milo não suportava ver o sangue. Movido por um impulso, abriu a pequena bolsa de couro que carregava consigo. De dentro, retirou um pedaço de pano limpo e uma pequena garrafa de álcool. Suas mãos tremiam, mas havia uma delicadeza em seus movimentos.

— Deixe-me cuidar disso. — pediu, sem olhar diretamente para Troyen.

O capitão observou em silêncio enquanto Milo aproximava-se. O rapaz segurou a mão dele com cuidado, limpando o ferimento. O cheiro forte do álcool invadiu o ar, e Troyen franziu o cenho, mas não reclamou.

— Vai arder um pouco... — avisou Milo, com a voz baixa, quase tímida.

Troyen soltou uma risada breve.

— Você fala como se fosse um curandeiro.

Milo apertou os lábios, concentrado no curativo improvisado. Seus dedos, finos e frágeis, contrastavam com a mão robusta do capitão. Por um instante, esqueceu o pesadelo, esqueceu a fazenda, esqueceu os olhos carmesim que o perseguiam. Só havia ali o calor da pele de Troyen e o silêncio cúmplice da noite.

Quando terminou, amarrou o pano com firmeza.

— Pronto. Não é muito, mas vai ajudar.

Troyen ergueu a mão, observando o curativo simples. Depois, olhou para Milo, e seus olhos azuis brilharam com algo diferente - não era ironia, nem indiferença. Era gratidão.

— Você tem mãos gentis, Milo. — disse suavemente.

A carruagem avançava pela estrada até que o capitão ordenou uma pausa. A noite estava fria, e a lua cheia iluminava a clareira onde decidiram montar um acampamento improvisado. Os cavalos foram amarrados próximos às árvores, e uma pequena fogueira logo crepitava, espalhando calor e luz amarelada pelo entorno.

Milo, ainda tímido, ajudava a organizar o espaço. Trouxe lenha, ajeitou o fogo e preparou um pano limpo para reforçar o curativo de Troyen. O capitão observava em silêncio, intrigado com a dedicação do rapaz.

— Você não precisava se preocupar tanto. — disse Troyen, estendendo a mão para que Milo pudesse trocar o curativo.

— Eu sei... mas não consigo ignorar. — respondeu Milo, concentrado. — Já vi muitos morrerem por ferimentos simples, por descuido.

O toque de Milo era firme, mas delicado. Troyen sentiu a estranha calma que vinha daquele gesto. Quando o rapaz terminou, o capitão ergueu a mão e sorriu discretamente.

— Você tem mais experiência com dor do que gostaria, não é?

Milo abaixou os olhos, pensativo.

— Dor é tudo o que conheci na fazenda. Mas... também aprendi a observar, a ouvir. É assim que sobrevivi.

O jovem sentiu o calor da mão de Troyen e, pela primeira vez, não se sentiu apenas uma peça em um jogo cruel. Sob as estrelas da floresta, havia um vislumbre de algo novo: confiança, talvez até esperança.

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