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ENTRE O INSTINTO E O AMOR

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Resumo

Uma guerra. Um vínculo inesperado. Um amor impossível. ​Para salvar seu povo, Kira entregou sua matilha ao inimigo. Ela esperava a execução. O que jamais esperava era olhar nos olhos do implacável Beta de Riverplate e perceber que ele é seu companheiro destinado. ​Mas Shade não a quer. Ele a odeia. O pai de Kira assassinou os pais de Shade a sangue frio, deixando uma dívida escrita em vingança. Agora, preso por um vínculo cósmico à filha do seu pior inimigo, a frieza de Shade transforma a conexão deles em uma guerra de desejo, ressentimento e traumas profundos. ​O destino os uniu, mas poderá o amor sobreviver a um laço forjado no sangue de suas famílias?

Gênero
Romance,Drama
Autor
Belinna
Status
Completo
Capítulos
49
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

Chapter 1

O começo

Kira

A guerra começou porque meu alfa queria os recursos da alcateia Riverplate e, apesar de o ataque ter sido uma surpresa e levado vários lobos à morte, rapidamente fomos expulsos do território. A luta final ocorreu na clareira da matilha Redmoon e foi catastrófica.

Por um lado, eu sentia a agonia de ver meu alfa e meu pai, também beta, morrerem. Mas isso era apenas por conta do vínculo. Porque, assim que deram seu último suspiro, uma sensação de alívio pairou sobre todos da matilha. Eu sentia isso e, agora, era a que tinha mais poder.

Assim que o alfa da Riverplate matou nosso alfa, eu me ajoelhei, mostrei meu pescoço e falei o mais alto que pude:

— Todos os Redmoon se ajoelhem diante do nosso novo alfa!

A sensação de poder que senti ao perceber que me obedeceram foi surreal. Sabia que meu povo merecia um destino melhor do que aquele que meu pai e o alfa nos deram.

Então, senti o alfa da Riverplate se transformar e chegar mais perto.

— Levante!

Eu obedeci e encarei seus olhos, que ainda estavam escuros devido à ira da luta.

— Com sua permissão, quero entrar para sua matilha e, como atual responsável pela Redmoon, cedo o comando ao senhor.

Ele me encarou, incrédulo, mas pegou uma faca da minha cintura e cortou a própria mão e depois a minha.

— Eu, Alfa Kane, da matilha Riverplate, aceito vocês!

Então, encostamos nossas mãos e, automaticamente, senti sua influência sobre mim. Ajoelhei-me e mostrei meu pescoço.

— Ordeno que todos voltem para seus dormitórios e só saiam por ordem minha ou do meu beta.

Eu me levantei e, quando iria me virar, ele me chamou:

— Preciso conversar com você.

Assenti.

Andamos até perto dos soldados que faziam sua escolta.

— Me conte: por que fez isso?

— Nossa matilha foi torturada por meu pai e pelo alfa Grey. Fomos influenciados a entrar nessa batalha, e a maioria não possui treinamento nem saúde para isso — respondi com calma. — Se reparar, todos estão desnutridos. Acredito que você descobrirá que a matilha já estava definhando. Só libertei todos de uma vez, e só peço que não culpe nem puna pessoas inocentes.

Ele me encarou e assentiu, mas não falou mais nada.

Enquanto pensava em pedir para sair dali, senti o cheiro do meu companheiro.

Que ótima hora!

Era inebriante. Tinha o cheiro de um corpo recém-banhado, com bastante sabonete. Como alguém poderia cheirar assim, estando banhado em sangue?

Encarei o homem à minha frente. O beta.

Acho que se chamava... Samuel? Simon? Não, eu o tinha visto uma vez em um documento. Acho que era algo com Sh... Shade.

Olhei para ele, e meu corpo se arrepiou. Parecia que eu nunca tinha visto um homem na vida. Eu queria sorrir, abraçá-lo, beijá-lo, mas ele virou o rosto quase imediatamente e fingiu não me reconhecer.

Aquilo doeu, e minha loba se retraiu, triste.

— Kane, já percorremos todo o território. Está tudo limpo. O que faremos agora?

Sua voz era grave e despertava em mim um desejo que eu não queria sentir. Então, respirei fundo e olhei para o chão. Precisava sair dali.

— A matilha se rendeu e já está sob meu comando. A filha do beta...

O alfa olhou para mim, esperando que eu dissesse algo.

— Kira — respondi, sem levantar a cabeça.

— Kira, ela desistiu e disse que todos estão dispostos a colaborar, certo?

— Sim, alfa.

— Vamos organizar essa fusão, mas quero que você fique aqui por alguns dias para verificar tudo na matilha enquanto organizo a nossa.

— Sim, Kane — Shade respondeu.

Enfiei a unha na mão. Eu não podia ficar excitada nem parecer uma louca na frente de todos. Precisava me comportar.

Que ótimo momento para encontrar meu companheiro! E logo ele...

— Kira, pode se retirar. Por favor, mostre a casa para Shade e siga as instruções que ele der.

Assenti, ainda de cabeça baixa.

Assim, Kane pareceu falar com o beta por ligação mental e depois andou em direção à floresta. Fiquei ali com Shade e os guerreiros que fariam sua segurança.

— Me sigam, por favor.

Virei-me sem olhar para eles e andei em direção à casa da matilha.

Todos ficaram em silêncio e, assim que entramos, comecei as explicações.

— Aqui embaixo tem alguns quartos com banheiro. Ninguém os usa, então podem ficar à vontade — falei, apontando para os corredores. — Lá em cima ficam o escritório e os quartos do antigo beta e do alfa. Gostaria de ir até lá?

Perguntei sem encarar Shade. Sabia que ele estava olhando para mim, e isso me arrepiava. Mas, se ele não tinha falado nada até aquele momento, ou queria conversar em particular ou simplesmente não me queria. E eu não o julgava. Meu pai e o alfa tinham cometido muitas atrocidades durante a vida e, com certeza, ele não queria se juntar a alguém com o mesmo sangue.

— Vamos! — ele respondeu, de maneira rude, e subiu a escada.

Fui atrás dele e pude ver sua bunda, suas coxas e seus braços. Ele ainda estava sujo, mas era tão másculo e selvagem! Balancei a cabeça. O vínculo estava me atrapalhando.

— Onde é o escritório?

— Nesta porta — apontei.

Ele entrou sem olhar para mim e caminhou até o computador.

— Sabe a senha?

— Er... Acho que sim.

Ele me encarou com ira.

— Sabe ou não? — perguntou, irritado.

— Posso tentar. Só vi ele digitar uma vez.

Aproximei-me. Shade estava em pé, e tive que passar por ele para me sentar na cadeira. Acabei esbarrando no braço dele. Meu corpo se arrepiou intensamente, mas me sentei sem falar nada.

Eu estava respirando fundo e sabia que ele estava sentindo minha excitação.

Que vergonha! Que merda de vergonha!

Eu estava quase desmanchando, e ele não conseguia nem me encarar.

— Acho que era algo como Andro... O nome de uma constelação...

— Andrômeda. É uma galáxia — ele respondeu, frio.

Senti meu rosto esquentar de vergonha, mas me concentrei em digitar, e a tela abriu.

— Onde ele guarda os arquivos das finanças e dos moradores?

— Eu não sei — falei baixo, esperando que ele me respondesse de forma rude.

— Como você pode ser uma beta tão incompetente?

Sua resposta me pegou desprevenida. Ele mal conhecia minha história, mas estava me tratando daquela forma.

Realmente, a Deusa da Lua não brincava em serviço na hora de juntar pares incompatíveis.

Mas eu não deixaria que ele me humilhasse. Passei a vida sendo humilhada de todas as formas e não aceitaria um companheiro assim.

Então, me levantei com raiva e o encarei. Ele havia tocado no meu ego, o pouco que ainda me restava.

— Olhe nos meus olhos — falei firme.

Ele me encarou. Estávamos a centímetros de distância, e seus olhos estavam escurecendo. Eu sabia que o vínculo estava afetando-o, mas seria forte.

— Eu sei que não é a melhor situação para nos conhecermos. Sei que minha matilha atacou a sua primeiro e sei que sou filha de um beta maldito. Mas sou uma pessoa que não aceita ser tratada dessa forma. Se não gostou, puna-me, mas não aceito ter um companheiro que me trata assim.

Vociferei tudo, encarando-o e sem demonstrar nenhum tipo de arrependimento.

— E outra coisa: se você não me quer como companheira, rejeite-me!

Terminei a última frase revoltada. Eu sabia que não queria isso, mas meu orgulho não permitiria tamanho desrespeito por parte de alguém que deveria me amar.

Amor.

Um sentimento estranho que eu nunca havia aprendido a reconhecer, mas sabia que era tudo, menos aquilo.

Shade me encarou por mais algum tempo, e senti o cheiro de sua excitação. Ele realmente gostou da maneira como agi, mas, em vez de agir de acordo, simplesmente segurou meu pescoço e falou com raiva:

— Da próxima vez que me desafiar, irá para a masmorra!

Eu ri.

Sim, comecei a rir enquanto ele apertava meu pescoço e não conseguia parar. O castigo que ele me propôs era um deleite para mim, considerando toda a tortura que sofri nas mãos do meu pai como punição.

— Você acha que estou brincando?! — perguntou, irritado. Ele não gostava de ser desafiado.

— Eu...

Olhei para o rosto dele e percebi que, realmente, nunca chegaríamos a lugar algum. Não aceitaria ser tratada daquela maneira.

Eu achava que companheiros deveriam se amar e cuidar um do outro. Era isso que eu via nos casais que se defendiam do alfa no dia a dia. Eles nunca fariam aquilo com seus pares.

— Eu, Kira Hill, rejeito você, Sha...

Ele arregalou os olhos e me puxou para um beijo.

Foi um toque de lábios carregado de ódio, mas também de muitas sensações. Ele sentia aquilo, tenho certeza, porque todos os meus sentidos e meu corpo inteiro borbulhavam. Eu sentia a eletricidade do toque. As faíscas eram intensas e faziam meu corpo amolecer.

Então, ele soltou meu pescoço e se virou para a janela. Apoiou os dois braços no batente e abaixou a cabeça.

— Vá para o seu quarto.

Não respondi. Apenas saí dali, extasiada e tonta.

Eu não sabia o que sentir.

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