Antes Dele
Eu vivi em lares adotivos, muitas famílias me acolheram, mas por vários motivos de devolviam, então os Jhonson me adoraram aos 16 anos. Eles me usam para muita coisa, como empregada, para descontar a raiva de algo que na vida deles está ruim, para diversão apagando cigarros em minha pele enquanto tenho que servir mais bebida enquanto estão bêbados... E assim é há 3 anos.
Sei o que deve estar pensando, "por que não fugiu?"
Nunca fui aceita em nenhum lugar, nunca nem mesmo recebi carinho e mesmo que eu não tenha amor aqui, pelo menos alguém precisa de mim e sou útil.
- Claire venha aqui agora! – grita meu "pai adotivo"
- Sim, Ir. Brenno. – respondo indo rapidamente até ele.
- Ajoelhe-se, meu negócio não deu certo e estou irritado. – diz ele levantando minha blusa enquanto me ajoelho
Ele tira o cinto e bate várias vezes em minhas costas, enquanto choro silenciosamente para não irrita-lo mais, mantenho em minha mente que vai passar. Quando termina ele me manda trocar de roupa e ir comprar cerveja.
Visto uma blusa de frio após trocar de camisa e vou até a loja do outro lado da cidade, pois ele só gosta da cerveja de lá.
Quando eu chego na loja, vou até a geladeira nos fundos e pego duas caixas de cerveja, quando me viro, vejo encostado em uma prateleira, um homem bonito, cabelos arrepiados, olhos castanhos bem claros, aparentemente alto, moreno e com um ferimento feio na barriga. Corri até o homem e dei um pouco de água de uma garrafa que peguei correndo, então ele disse:
- Fique abaixada.
- O que você tem? – Pergunto.
- Foi uma facada. – diz o homem tossindo com dor.
- Espere aqui. – digo me levantando.
- Não se levante! – diz ele.
- Espere. – digo me desvencilhando de suas mãos.
Olho em volta e ninguém vejo, então apoio o braço do homem em meu e caminhamos noite a dentro, chego a casa do Sr. Brenno, deixo o homem em meu quarto no porão e subo para entregar a cerveja, quando não precisam mais de mim, desço com algumas toalhas e um kit de primeiros socorros, limpo a ferida do homem e costuro, depois enfaixo ele e espero que acorde.
Quando ele abre os olhos me vê trocando de blusa e diz:
- Está ferida.
- Está tudo bem, como se sente? – pergunto vestindo rápido minha blusa.
- Me sinto dolorido. – diz ele.
- Vai se sentir assim por um tempo, mas não atingiu nenhum órgão, então vai se recuperar. – Digo entregando remédios.
- Quem fez isso a você? – pergunta ele.
- O Sr. Brenno teve problemas no trabalho, então eu fui punida. – digo dando água a ele.
- Quem é Sr. Brenno? – pergunta o homem.
- Aquele que me adotou. – digo olhando seu ferimento.
- Então ele é seu pai adotivo? – pergunta o homem se sentando devagar.
- Não, ele é meu dono. – digo me levantando e indo até a escada.
- Espera, qual o seu nome mocinha? – pergunta o homem.
- Me chamo Claire. – digo o olhando nos olhos.
- Eu sou Dimitre, obrigado por salvar minha vida Claire, eu tenho uma dívida com você. – Diz ele.
- Não quero nada, quando conseguir, coma o lanche ao seu lado e descanse – digo subindo.
💠
Passo a tarde fazendo tudo o que o Sr. Brenno me pede, a noite ele me deixa descer, quando chego a meu quarto vejo que Dimitre não está mais lá, então sigo minha vida.
Nós próximos dias Sr. Brenno parece bem mais irritado, ele me bate tanto que acabo perdendo a consciência no sexto dia, tento abrir os olhos mas vejo apenas cenas borradas, tenho a impressão de ouvir a voz de Dimitre, mas não é possível, ele foi embora.
Quando acordo, me vejo em uma cama grande, com lençóis brancos manchados com meu sangue, estou deitada de bruço sem blusa, tento me levantar, mas a dor é insuportável, então ouço uma voz dizer:
- Fique assim, vou cuidar de suas feridas.
- Dimitre? – pergunto fraca.
- Sim, sou eu. – diz Dimitre passando algo em minhas feridas que queima e eu choro em silêncio.
- O que faz aqui? – pergunto quase em um sussurro.
- Eu disse que tenho uma dívida com você. – ele me observa um pouco – sabe, você pode chorar se quiser, pode gritar, sofrer... Você é humana –
- Não posso irrita-lo. – Digo.
- Quem? O Sr. Brenno? – pergunta Dimitre.
- Sim, ele vai se irritar. – Digo sentindo as lagrimas geladas.
- Não se preocupe mais com ele, você está na minha casa, comigo e só. – diz Dimitre.
💠
Após tomar um remedio que ele me dá, durmo por dois dias, quando me levanto, sinto que a cicatrização dos meus ferimentos começou, visto uma camisa branca grande que vejo e vou até a cozinha.
Olho em volta e percebo que é um apartamento muito bonito, a cozinha é enorme, então vejo Dimitre dormindo no sofá, faço um coque e resolvo fazer o café da manhã, ele acorda com o cheiro dizendo:
- Só pelo cheiro já sei que cozinha melhor que eu.
- Não diga nada antes de provar. – digo colocando um copo de suco no balcão.
Dimitre se senta e come dizendo:
- Essas são as melhores panquecas que já provei, você é muito boa nisso.
- Obrigada. – digo bebendo suco.
- Onde aprendeu a cozinhar? – pegunta Dimitre.
- Eu aprendi um pouco em cada lugar que me adotou, passei 1 ano com chefs cozinheiros, 6 meses com uma dona de empresa de limpeza, 2 anos com um professor... Foram muitos lares. – digo pensativa.
- E por que voltou desses lugares? – pergunta Dimitre.
- Divórcios, bebês, ninguem quer uma criança de fora quando tem um filho legitimo e ninguém quer cuidar de mais alguém quando precisa recomeçar a vida após um divórcio. – digo dando de ombros.
- Entendi, mas o que não entendo é porque ficou com Brenno. – diz Dimitre com revola nos olhos.
- Ele foi o único que se dispos a ficar comigo, mesmo com dificuldades, me deu um quarto, uma casa... – digo triste.
- Em troca quis te machucar, tanto que você quase morreu. – diz Dimitre.
- Nada com o que eu já não estivesse acostumada. -digo terminando meu suco.
- Olha Claire, eu vou te dizer uma coisa, você é corajosa e eu devo minha vida a você, então eu vou fazer algo que nunca faço. – diz Dimitre.
- O que? – pergunto curiosa.
- Vou te dar uma chance de recomeço, vou ajudar com tudo o que precisar, posso até bancar você se assim preferir. – diz Dimitre.
- Eu nem sei o que dizer, nunca me foi ofertado algo assim. – digo surpresa.
- Pense um pouco sobre isso, no jantar espero uma resposta, agora vá se deitar um pouco. – diz Dimitre.
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Volto para o quarto e acabo caindo no sono enquanto penso em tudo o que aconteceu. Me levanto ao ouvir um som de porta abrindo, assustada me levanto e pego o cabo de uma vassoura, chegando na sala ataco a pessoa que bloqueia o cabo e se afasta quando leva um chute meu, mas para meu alívio era só o Dimitre que diz ao passar a mão na costela:
- Você tem um chute e tanto para uma garota ferida. –
- Desculpa, eu fiquei com medo. – digo aliviada.
- Isso é bom, significa que decidiu mudar e não ser mais uma vítima. – diz Dimitre acariciando meu cabelo.
Ele sai da frente da porta e uns homens entram com caixas enormes, eu observo e pergunto:
- Renovando o apartamento? –
- Essas são as coisas do seu quarto. – diz ele seguindo pelo corredor.
- Espera, meu o que? – pergunto surpresa seguindo ele.
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Os homens começam a montar os móveis e mais pessoas entram com sacolas cheia de roupas de cama e roupas feminina, Dimitre me leva até a cozinha e diz:
- Não importa o que você decida, quero que viva aqui, eu vou cuidar de você.
- Mas eu sou uma estranha, por quê você faria isso? – pergunto confusa.
- Eu te devo uma vida, você salvou a minha sem pensar em sua própria, quero que experimente a liberdade. – diz Dimitre.
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Sinto lágrimas escorrendo por meu rosto e tudo o que digo antes de cair no choro é:
- Obrigada Dimitre.
Ele me abraça e pela primeira vez, sinto que alguém está sendo sincero comigo. Depois de alguns minutos, limpo as lágrimas e digo:
- Quero dizer o que decidi.
- Me diz, o que quiser eu farei por você. – diz Dimitre.
- Eu não quero que me banque, no lugar disso, quero que me ajude a conseguir meus documentos, eu quero estudar e trabalhar como uma pessoa normal. – digo.
- Isso é inesperado. – diz Dimitre.
- Tem mais, se quer que eu viva aqui, quero pagar um aluguel para você. – digo segura.
- Pela sua cara, sei que não adianta ir contra, então cobrarei apenas pelo quarto, 300 reais com água e luz inclusos. – diz Dimitre.
- Mas só isso? – pergunto.
- Minha casa, minhas regras. – diz Dimitre.
- Tudo bem. – digo sorrindo.
- É a primeira vez que sorri, fica bem em você. – diz Dimitre indo até o quarto.
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Os homens terminam de montar os móveis e Dimitre me chama, fico surpresa ao ver um quarto enorme com uma janela de vidro que toma toda a parede do lado esquerdo da cama, três prateleiras lindas na parede e um pequeno closet, fiquei surpresa e Dimitre diz ao perceber:
- Decore como desejar, chegará amanhã sua mesa de estudos e o computador, se deseja estudar, vai precisar.
- Eu nem sei como agradecer. – digo indo até o meio do quarto.
- Estude, seja quem deseja, esse é meu agradecimento. – diz Dimitre saindo do quarto.
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Sorrio e imagino como ficará meu quarto pronto. Dimitre fala com algumas pessoas e diz que estão buscando por minha certidão de nascimento, enquanto isso, vamos a um lugar fazer documentos novos para mim, de lá passo em um mercado perto da casa do Dimitre e após conversar com o dono, fico feliz ao conseguir um emprego então corro para casa e acabo assustando Dimitre que pergunta:
- O que aconteceu?
- Eu consegui um emprego! – digo animada.
- Ah estou tão feliz por você Claire. – diz Dimitre me abraçando.
Eu ajudo Dimitre com o jantar e nos sentamos a mesa, enquando comemos, Dimitre diz:
- Eu preciso te contar algo.
- Ah, não se preocupe, eu sei que você trabalha com algo que envolve armas.- digo saboreando meu bife.
- Então foi mesmo você que limpou minhas armas? – pergunta Dimitre.
- Sim, eu ajudava o Sr. Brenno e meu antigo pai adotivo com as armas, to acostumada, só não sei o que exatamente você faz. – digo.
- Eu sou um assassino . – diz Dimitre.
- Poi hobbie ou por contrato? – Pergunto.
- Contratado. – diz Dimitre.
- Entendi. – digo ainda comendo.
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Dimitre me observa como se tentasse me ler, então pergunto:
- O que está te incomodando?
- Você não se importa? – pergunta Dimitre.
- Eu deveria? – pergunto rindo.
- É a primeira vez que você ri com tanta vontade.- diz ele aparentemente confuso.
- Olha, eu vivi minha vida inteira perto de pessoas que estavam do outro lado da lei, isso não me incomoda nem um pouco, tem coisas que eu até acho interessante. – digo bebendo meu suco em seguida.
- É mesmo? – pergunta Dimitre.
- Sim, mas não levo jeito para essas coisas, ainda assim, desmonto e limpo uma arma como ninguém. – digo fazendo a pose de 007.
Dimitre começa a rir e diz:
- Você é uma boa menina.
- Não, não sou. – digo deixando de sorrir.
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Dimitre percebe, mas não questiona, quando termino de arrumar a cozinha após o jantar, vou para o quarto estudar o folheto da escola que pretendo entrar para fazer os anos restantes do ensino médio.
Na manhã seguinte, me levanto bem cedo, tomo um banho, preparo meu café da manhã e deixo o de Dimitre pronto. Quando estou prestes a sair Dimitre vem até mim e diz:
- Tenho um contrato novo, ficarei fora por 10 dias, cuide da casa e se divirta.
- Pode deixar, tome cuidado. – digo abraçando Dimitre.
- Eu sempre tomo. – diz ele.
- Não é do que me lembro. – digo apontando para a barriga dele indo trabalhar.
- Espertinha. – Diz ele.
Chego ao mercado e meu chefe me recebe dizendo:
- Espero que tenha tido uma boa noite de sono, venha comigo vou mostrar tudo antes de abrirmos.
Ele me mostra tudo e abrimos a loja. 4 dias se passam e eu me adaptei muito bem ao trabalho, Sr. Roberto, dono da loja é muito gentil e Thalita, a moça que trabalha comigo é muito divertida. Sinto que minha vida está finalmente tomando um rumo.
Continuo trabalhando duro nos próximos dias, então chega o dia que Dimitre voltará, enquanto organizo a prateleira perto da janela de vidro da loja, comento com Thalita que quero fazer uma surpresa de boas vindas para Dimitre, já que ainda não agradeci devidamente por tudo que ele faz por mim, então convido ela para ir junto e ela fica muito feliz.
Quando chego em casa coloco uma musica para tocar e começo os preparativos, com o bolo no forno eu vou para a sala e me empolgo com a música, danço loucamente e rindo, quando me viro, vejo Dimitre me encarando com sua mala do lado, me desequilibro com o susto e caio no sofá, ele vem até mim rindo e diz:
- Eu nunca imaginaria aquela menina fechada do primeiro dia se divertindo tanto.
- Eu só me empolguei. – digo me levantando e tirando o cabelo do rosto.
- Estou muito feliz com isso, agora vem me contar como foi sua semana. – diz ele.
- Não, você é que vai me contar como foi a sua, eu quero muito saber como é estar em missão. – digo me sentando ao lado dele empolgada.
- Sabe que alguém morreu não é? – pergunta ele surpreso.
- Sei, agora conta! – digo olhando para ele como um cachorrinho numa loja de adoção.
💠
Ele me conta como foi e eu tiro o bolo do forno, pouco tempo depois, Thalita e o Sr. Roberto chegam e Dimitre adora a pequena reunião, nos divertimos muito e ás 2h da manhã eles vão embora.
Dimitre e eu nos sentamos no sofá e ele diz:
- Você tem o dom de conquistar as pessoas que conhecem você.
- Eu não sei do que você está falando. – digo envergonhada.
- Fico feliz que tenha encontrado um chefe tão gentil e uma colega tão alegre. – diz Dimitre.
Depois de uns minutos caímos no sono, quando acordo me levanto correndo achando que estou atrasada, Dimitre acorda no susto e pergunta:
- O que houve?
- Devo estar atrasada, vou me arrumar. – digo correndo para o banheiro.
Quando termino de me arrumar vou para a sala com minha mochila e Dimitre vem até mim com uma caixa, eu encaro aquilo e pergunto:
- O que é?
- Um celular, você não tem um e acho importante ter. – diz Dimitre.
- Obrigada, mas não precisava, você já me deu um computador. – digo surpresa.
- Você precisa de um, meu número já está salvo nele. – diz Dimitre.
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Eu o abraço e saio para trabalhar, quando chego ao trabalho, Thalita me ajuda a abrir a loja e ficamos arrumando as prateleiras, quando ela vê meu celular, diz:
- Finalmente comprou um celular.
- Foi um presente do Dimitre. – digo.
- Seu namorado é um fofo. – diz Thalita sorrindo.
- Ele não é meu namorado. – digo surpresa.
- Não? Pera, mas ele...
- Ah não, ele cuida de mim, mas como um irmão mais velho e melhor amigo. – digo interrompendo Thalita.
- Então são amigos? Que decepção, vocês eram minha meta de relacionamento. – diz Thalita fazendo biquinho.
Começo a rir e quando vou até as prateleiras perto da janela de vidro, vejo algo que me tira o sorriso, um dos homens de Brenno me vê e diz:
- Claire? Então você estava aqui esse tempo todo? Brenno vai adorar saber.
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Ele vai embora e eu começo a hiperventilar, Thalita corre até mim e pergunta o que aconteceu, o Sr. Roberto me leva até Dimitre que me recebe na porta, eu entro e desabo no choro, Dimitre fica preocupado e pergunta o que houve, mas eu não quero preocupa-lo e digo:
- Vi uma família hoje, eles eram tão lindos, me senti mal e comecei a chorar.
- Vá tomar um banho e deite-se, eu te chamo mais tarde para o almoço. – diz Dimitre.
Na manhã seguinte vou trabalhar meio encabulada, quando chego, Thalita me recebe com um abraço e pergunta se estou melhor, digo a ela que está tudo bem e trabalho duro o dia todo para compensar o dia anterior.
Na hora da saída, vou caminhando devagar, até que alguém segura meu braço, eu gelo até a alma e quando me viro, vejo Brenno, ele me encara de cima a baixo e diz:
- Eu não sabia que por baixo de todo aquele pano e sangue, tinha um corpão desse.
- O que faz aqui? – pergunto.
- Vim te buscar. – diz Brenno me puxando.
- Não. – digo me desvencilhando das mãos de Brenno.
- Nossa, você está diferente, mais arisca. – diz Brenno bem perto de mim.
- Vá embora, eu não vou mais voltar. – digo caminhando.
- Você me pertence, virá comigo. – diz ele sinalizando para os homens me pegarem.
💠
Eu começo a correr pelas ruas enquanto sou perseguida por 3 homens, viro em várias ruas e entro em um beco sem que eles me vejam, abro um buraco que tem em uma parede e fecho com uma tábua deixando apenas uma brecha, para que eu possa ver onde estão. Eles me perdem de vista e Brenno começa a gritar:
- Você está mais arisca, parece até sua mãe, eu vou te achar Claire, você é minha.
Ele sobe a rua rindo, saio quando não ouço mais vozes e me esgueiro pelos cantos até chegar em casa,me arrumo e respiro fundo antes de entrar em casa, ao abrir a porta Dimitre vem até mim e diz:
- Tenho algo que você queria, mas a história é bem estranha.
- O que? – pergunto.
- Seu registro de nascimento. – diz Dimitre me entregando.
Pego rápido e me sento na mesa, quando olho, vejo um nome familiar.
- Esse nome, Brenno falava muito de uma mulher com esse nome! – digo ficando ansiosa.
- O que ele dizia? – pergunta Dimitre.
- Que tinha uma mulher como eu, uma vadia drogada e inutil, ele dizia no inicio que me punia por parecer ela. – digo olhando para os papeis.
- Isso é um problema, tem mais uma coisa. – diz Dimitre.
- O que? – pergunto ansiosa.
- Não existem registros sobre a adoção, então o Brenno deve ter comprado você. – diz Dimitre.
- Não pode ser, ele falou com a diretora do orfanato na minha frente. – digo pensando.
- Viu ele assinar algo? – pergunta Dimitre.
- Não. – digo me levantando revoltada.
- Onde vai? – pergunta Dimitre.
- Descobrir a verdade. – digo pegando a chave da moto do Dimitre e saindo pela porta.
💠
Acelero em direção ao orfanato, ao chegar pulo o muro e sigo até a sala da diretora, abro bruscamente a porta e ela assustada ao me ver pergunta:
- O que faz aqui Claire?
- Quem é minha mãe? – pergunto.
- Não sei do que ta falando. – diz a diretora empinando o nariz como sempre fazia.
- Eu perguntei quem é minha mãe! – grito colocando uma adaga no pescoço dela.
- O que está fazendo? Você não é assim. – diz ela tremendo.
- Se pensa que vou ter dó ou piedade está enganada, responda ou eu rasgo sua garganta. – digo com odeio nos olhos.
- Era uma viúva que perdeu tudo quando o marido morreu, deixando ela e a filha sem um lugar para viver, ela conheceu um criminoso que na época era pequeno, se envolveu com ele e acabou se viciando em drogas, ele a mal tratava sem dó, então ela temendo pela filha, deixou ela na porta de um orfanato, eu nunca imaginei que você viria justo para cá. – diz ela muito rápido.
- Você me vendeu? – pergunto.
- Brenno um dia veio até mim para uma conversa, então passou por você e ficou obsecado, você lembrava muito sua mãe, por dias ele veio e ficou observando você pelas sombras, até que ele decidiu comprar você e não aceitaria um não como resposta. – diz a diretora.
- E você não gostou nem um pouco do dinheiro não é? – pergunto.
- Olha isso é um orfanato abandonado pela sociedade, de vez em quando aparece alguém querendo comprar uma crianca e eu não posso recusar, esse diheiro mantem os outros, alimenta os pequenos. – diz a diretora olhando para o chão.
Abaixo a adaga e digo:
- Você é tão monstro quanto ele. – digo indo até a porta.
- Uma ultima coisa Claire, foi ele que matou sua mãe, tome cuidado. – diz a diretora se sentando.
- É eu já desconfiava. – digo voltando para casa em seguida.
- Onde você estava Claire? Eu fiquei preocupado. – diz Dimitre me recebendo na porta.
- Fui ter uma conversinha com a diretora do orfanato. – digo entregando a adaga para ele.
- Sabe usar isso? = pergunta Dimitre.
- É só apontar e enfiar, não tem segredo. Digo me sentando no sofá.
- Você está estranha Claire, é por causa da sua mãe? – pergunta Dimitre claramente preocupado.
- Não... sim, é muita coisa sabe? – digo me sentindo ansiosa.
- Algo mais aconteceu? – pergunta Dimitre.
- Não, tudo bem, eu vou dormir. – digo indo para o quarto.
💠
Não consigo pregar os olhos a madrugada toda, então me levanto no horário de sempre e vou trabalhar, no fim do meu expediente, saio pelos fundos me esgueirando por becos, mas Brenno me encontra, ele me agarra pelos cabelos e me arrasta para o meio da rua com seus homens rindo.
- Pensou que fugiria de mim? – Pergunta Brenno me encarando.
- Me deixa em paz, eu sei o que você fez com minha mãe – digo me debatendo.
- Sim, sua mãe foi a vadia que eu mais gostei de torturar, era selvagem, mas se tornou dócil com o tempo. – Diz Brenno.
- Você viciou minha mãe – digo com raiva.
- Sim, foi fácil, ela nem percebeu até que se tornou dependente. – Diz Brenno.
Rasgo o rosto dele com as unhas e saio correndo, Brenno ri e só ouço ele dizer:
- Arisca igual a sua mãe, será um prazer usar seu corpo virgem como fiz com sua mãe.
Corro sem olhar para trás e entro em casa chorando, Dimitre corre até mim deixando cair no chão o whisky que estava bebendo, conto a ele tudo o que está acontecendo e ele diz:
- Vou resolver isso agora.
- Não, não pode. – digo agarrando seu braço.
- Por que não? – pergunta ele.
- Fica aqui comigo por favor. – digo o olhando nos olhos enquanto sinto as lágrimas descendo.
- Tudo bem, ficarei com você até que durma. – diz ele se sentando no sofá e acariciando meus cabelos enquanto fico deitada em seu colo.
Horas depois Dimitre cai no sono por efeito da bebida, me levanto devagar, vou até a mesa e escrevo um bilhete, depois vou até a sala secreta onde as armas estão, pego uma bolsa preta e coloco algumas dentro. Troco de roupas e antes de sair olha para a casa como se fosse a última vez, dou um beijo na testa de Dimitre e deixo o bilhete em suas mãos antes de ir.