Espécies Raras

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Summary

Depois de anos estudando táticas e se tornando cada vez mais poderoso, Alfa Gael, lider dos lobsomens Atlânticos, invade o continente Pacifico, mas precisa da aujda da Ousada Csilla Argent para mantê-lo. Csilla é de uma raça de Lobsomens que descende das deusas, as Baodiceanas. Enquanto expora as leis desse novo território, forja alianças e se fortifica, ele tem que lidar com Csilla, outras da raça dela e todas as complicações que vieram com sua nova matilha. O que se prova mais dificil nessa nova jornada, entretanto, é lidar com seus sentimentos por Csilla

Status
Ongoing
Chapters
6
Rating
n/a
Age Rating
18+

Aquisições Hostis

É costume, que após invadir uma matilha e matar seu líder que o novo Alfa se dirija a casa da família do antigo para prestar seu respeito. É dever de quem toma uma matilha na base da força bruta, suprir e cuidar da família do Alfa caído. Lobisomens são arcaicos assim.

Por isso, depois de acabar com a vida miserável de Caio Argent eu me informei sobre o paradeiro de sua família e segui em direção ao limite do território onde uma casa solitária é cercada por um jardim.

— Parece que não tem ninguém em casa. Não sinto cheiro de ninguém.

Eric fala sobre meu flanco direito. Vejo Daniel negando com a cabeça.

— Tem batimentos cardíacos fortes. Alguém grande.

Nós três ficamos em alerta, mas avançamos pelo jardim. Eric espirra e então pragueja.

— Malditas flores de merda.

Escondo meu sorriso, Eric sempre foi alérgico a flores.

Bato na porta e espero, leva três batidas de corações até que uma poderosa voz feminina responde.

— Entre.

Os três de nós se olham e eu alcanço a maçaneta e então recuo a mão.

— É de prata.

Informo os outros e eles rosnam. De dentro da casa a voz zomba.

— Achei que um lobo grande e forte como você poderia aguentar.

Faço uma careta. Nunca gostei de pessoas sarcásticas. É como se elas jamais conseguissem levar alguma coisa a sério.

Volto a estender a mão para a maçaneta, a prata queima, mas não me permito fazer nenhum som. Abro a porta, largando o metal assim que possível.

Sentada em uma poltrona vermelha no meio da sala há uma mulher. Seu cabelo ruivo e cacheado é como as chamas em um incêndio, revolto e descontrolado. Seus olhos são de uma cor escura de castanho, a cor de teca ou talvez algo mais forte, como café quente.

— Você é nova demais para ser a mãe de Caio é parecida demais com ele para ser sua Luna.

A mulher revira os olhos.

— Você ficaria surpreso pela quantidade de casamento consanguíneos que temos por essas bandas.

Ela comenta olhando as unhas compridas pintadas de vermelho.

— Então você era a Luna dele?

O rosto perfeito dela se distorce em uma careta.

— Eu não disse isso.

Tento conter minha impaciência e ela sorri. Seja quem for, essa mulher é daquele tipo perigoso de fêmea que gosta de levar os machos à loucura testando cada um de seus limites e os forçando quando os encontra.

Meu tipo preferido de fêmea. Eric resmunga por nossa conexão mental e eu contenho o revirar de meus olhos.

— Vim prestar minhas condolências. Por sua perda. Independente de quem você seja.

— Csilla Argent. — Ela fala parecendo a mais entediada das criaturas. — E não me importaria com condolências se fosse você. Meu irmão era um porco e você fez um favor a todos nessa matilha acabando com a vida miserável dele. Meu único problema com você, é o fato de você não ter demorado um pouco mais para aparecer.

Franzo minhas sobrancelhas.

Talvez ela seja louca. Daniel sugere já que nada do que ela fala parece fazer sentido.

— Acho que não entendi onde você quer chegar, Csilla.

O nome dela escorrega por meus lábios provocando um arrepio. Perigo. É o que cada um dos meus nervos parece gritar.

— Eu estava preparada para ir até a cidade e desafiar meu irmão pelo posto. Conversei com membros da matilha, ganhei apoio. A palhaçada política que brutamontes como você tem dificuldade de entender. Eu atacaria hoje, mas aí você e seu pequeno exército apareceram e arruinaram todos os meus planos.

— Não me desculparei por isso.

Ela bufa.

— Não pedi que se desculpasse.

Deixo escapar um rosnado e ela ri.

— Eu não gosto do seu tom.

— Um de seus betas não gosta de flores, eu não gosto de machos autoritários. Todos nós temos que viver com essas coisas.

— Sou seu Alfa, e se eu digo que não gosto de seu tom, você muda de tom. Se eu te mandar, você canta feito um fodido passarinho até eu encontrar um tom de que eu goste.

Minhas palavras tiveram um efeito nela, mas ao invés de se submeter como a maioria dos lobos com juízo faria, ela corrige sua posição, enrijece os ombros e se levanta.

— Primeiro, você não é meu Alfa. Segundo, eu sou uma péssima cantora e duvido que você gostaria de me ouvir cantar.

Surpresa corre por nossa ligação mental.

— Como você é irmã do Alfa Caio e não é uma Crescente?

— Eu nasci uma Crescente, mas sou uma Omega agora.

Curiosidade pipoca por nossa ligação.

— Por que você se isolaria?

Alguma emoção antiga e dura passa por seu rosto frente a pergunta de Eric.

— Meu irmão tentou me estuprar quando eu tinha doze anos. Ele era o preferido da minha mãe e herdeiro do meu pai. Não quis pedir que eles escolhessem, então parti.

— Seu pai morreu recentemente.

Digo sem deixar que nenhuma emoção passe por meu rosto. A mulher assente.

— Eu sabia que pedaço de merda meu irmão era, então quando escutei sobre a morte do meu pai, comecei a planejar um golpe contra ele. Não tive tempo de concluir meus planos.

— Isso te torna uma ameaça pra mim.

Meus Betas concordam pela ligação.

— Do meu ponto de vista, seria muito estúpido de sua parte me matar. Não estou dizendo isso porque é minha vida em jogo, é só um fato. Pelo sotaque, você é de uma matilha atlântica. Seus costumes são vastamente diferentes dos nossos, até seus rituais de parcerias são diferentes. Se você tentar mudar as pessoas dessa matilha, se tentar forçar seus costumes sobre elas, elas se revoltaram contra você. Ter alguém que entende essas pessoas do seu lado é uma jogada inteligente.

Ela não deixa de ter razão.

Eric me deixa saber por nossa conexão.

Mesmo assim, ela tem o apoio de pessoas dentro da matilha, se quisesse se revoltar contra mim… é um risco.

Respondo no mesmo tom.

Ela pode estar apenas querendo se infiltrar em nossas defesas. Reunir conhecimento e depois tomar a matilha para si mesma.

Como se tivesse vindo do nada, eu sinto o puxão em minha mente, uma invasão, uma mente a mais no lugar onde geralmente só há três.

É muito rude manter conversas particulares na presença de outras pessoas.

A voz mental de Csilla é idêntica a sua voz falada, cheia de humor e sarcasmo mal disfarçado. Surpresa roda nossa mente, deixando todos nós irritados.

— Como você fez isso? A ligação entre Alfas e Betas é sagrada.

Csilla ri, um som perigoso e escuro.

— A parte mais importante não é o como e sim porque. Não preciso me infiltrar em sua preciosa matilha para roubar seus segredos. Posso invadir sua ligação, posso invadir seus sonhos. Se eu não te quiser como Alfa, você não será um Alfa.

— Então vou matar você.

Ela dá de ombro.

— Você poderia tentar. Estou mesmo precisando do exercício e vamos dizer que você consiga, o que você acha que vai acontecer se a matilha escutar que a última dos Argent foi morta por você, sem nenhum motivo. Que a sobrevivente da linhagem do Alfa, que você deveria proteger foi assassinada por você?

Eles te veriam como um homem sem princípios. Nenhum deles respeitaria você.

— Eu não quero matar você.

Digo tentando acalmar meus pensamentos.

— Então não mate.

— Preciso de garantias.

— Nunca tive nenhuma ambição de ser Alfa, esse não é meu propósito. Seja um bom líder, cuide dessa matilha, não machuque nenhum deles, não viole mulheres, seja justo e você não vai precisar se preocupar comigo.

— Só os machucarei se eles não se submeterem.

— Eles se submeteram.

— Como você pode ter certeza?

— Essas são boas pessoas, que não querem nada além de uma vida tranquila. Elas tiveram um Alfa imprestável que tomava péssimas decisões e por isso estamos aqui. Com a liderança certa, eles não serão um problema.

— E nem você.

Csilla se sentou de volta em sua poltrona.

— Eu sou uma inimiga formidável, mas posso ser uma aliada valiosa. Seja melhor que meu irmão e você nunca precisará enfrentar a primeira.

Não consigo sentir o cheiro de mentira.

Eric comenta.

Eu não consigo sentir o cheiro de nada. É como se só estivéssemos nós aqui.

Daniel completa um segundo depois.

— Você não tem cheiro.

Ela assente.

— Acredite em mim, é melhor assim. Para todos nós.

Franzo as sobrancelhas sem entender, mas resolvo ignorar isso por hora.

— Preciso reunir minhas forças, finalizar a aquisição inicial com a matilha. Você e eu conversamos de novo. Em breve.

Ela cruza as pernas em um movimento que é quase predatório.

— Mal posso esperar, Gael.