Ainda Existe Amor No Mundo
15/06/2012
Damon Nash é um homem comum, ou assim ele gostaria de ser, ele nasceu e cresceu em Londres na Inglaterra onde vive atualmente, têm 37 anos, olhos azuis escuros, cabelos curtos e levemente loiros. Sua vida não tem sido mais a mesma desde a morte da sua esposa, chamada Linda. Ela morrera num acidente de carro a pouco mais de um mês. Damon e Linda se conheceram nos Estados Unidos, pais de origem dela, em uma convenção de advocacia. Damon imediatamente achou Linda atraente, e se pegou várias vezes pensando em como iria conversar com ela. Já Linda o achara metido, e o fato dela ter acabado de sair de um relacionamento não contribuiu muito. Ela o evitou durante os dois dias que durou a convenção e na manhã que tinha que partir, fingiu que estava falando ao telefone só para não responder o singelo aceno dele. Depois disso, durante todo o check out não o viu mais. Entrou em seu carro para ir embora e ao dar ré, sem querer, bateu no carro que estava estacionado atrás. Desesperada desceu do carro para ver o dano que causou, mas se surpreendeu ao ver o belo homem que a assediava deixando um bilhete sob o para brisa do outro carro assumindo toda a responsabilidade pelo acidente. Linda não entendera o por que daquilo, mas assim que ele se virou e foi embora, com as mãos nos bolsos e um sorriso no rosto ela não pensou duas vezes e anotou o nome e o numero que ele escrevera rapidamente sob um pequeno guardanapo. Ela levou duas semanas para ligar para ele.
Naquela manhã Damon não queria levantar da cama, não queria tomar seu café da manhã, nem ler o jornal, ou tomar banho, ele só queria uma coisa, a esposa de volta. O luto seria definitivamente mais fácil se ele não tivesse um filho para cuidar. Ele sabe que se fosse ele quem tivesse morrido, sua esposa saberia o que fazer. Se levantou ao ouvir o alarme de incêndio da cozinha tocar. Ao chegar lá viu Blake, seu filho de 8 anos, tentando fazer o café da manhã, a fumaceira cobria quase tudo, desligou rapidamente o fogo, pegou a panela usando um pano de pratos e a jogou na pia, ligou a torneira e abriu a janela.
— O que porra você tá fazendo? Gritou ele.
— Panquecas. Eu pensei que você ia gostar. Respondeu ele inocentemente.
Damon abriu o armário e tirou uma caixa de cereal e serviu ao filho.
— Eu não gosto desse. Reclamou o garoto.
— Vai ter que comer esse porque é o que tem. Respondeu ele severamente.
O pobre garoto se encolheu na cadeira e forçadamente comeu o cereal. As oito horas os dois saíram de casa, Damon precisava levar o filho para a escola, era um alivio para os dois ficarem longe um do outro por algumas horas, embora jamais fossem admitir isso. As roupas de Blake estavam mal passadas e totalmente desalinhadas, passar roupas nunca foi o forte de Damon, as roupas dele também não estavam nada boas. Damon deixou seu filho na escola e se esforçou o máximo para evitar os outros pais, que só o deixavam mais irritado e triste, insistentemente lhe dando os pêsames, ou pior, já que algumas mães davam a entender que queriam mais do que só consolar com palavras. O resto do dia, ele passava no parque, sentado na grama embaixo da arvore em que pedira Linda em casamento, alimentando os pombos e só não chorava porque sabia que alguma boa alma britânica, sem mais o que fazer, acabaria perguntando o porque de tantas lágrimas. Estava de licença no trabalho por tempo indeterminado, então não precisava se preocupar por enquanto. De repente, sentado lá, sentiu uma brisa gelada passar por ele. Era como se alguém o estivesse tentando avisar que algo estava para acontecer...
Coincidência ou não, o celular de Damon começou a tocar, já passava da meia noite, mas ele não estava dormindo, estava deitado no sofá assistindo a uma reprise na TV de Janela indiscreta num canal que só passava filmes antigos. Hesitou em atender, naquele horário só podia ser más noticias, porém a curiosidade foi muito maior. Atendeu sem nem se dar ao trabalho de levantar.
— Graças a Deus você atendeu. Disse uma voz feminina.
— Quem está falando?
— Sou eu, Emma. Respondeu a mulher.
— Eu não conheço nenhuma Emma. Disse Damon preste a desligar.
— Ei espera. Suplica a garota. — Como assim não me conhece?
— Aonde conseguiu esse número?
— Damon sou eu. Eu não tenho muito tempo. Apressa ela. — Você se casou com a minha irmã Linda. Eu coloquei vodka no ponche durante a festa,se lembra. Seu tio Al vomitou em cima de todo mundo, o que não foi muito legal, mas pelo menos demos muitas risadas.
— Emma, claro. Falou Damon ao finalmente se recordar da cunhada. — Eu não te vejo a um tempão. Por que está me ligando á essa hora?
— Essa com certeza é uma outra história muito engraçada. Eu estou em Londres e eu meio que preciso de um favor.
Já passava da uma da manhã, Damon pegou um táxi em direção ao centro da cidade, seu filho dormia em seu colo. Ele pediu para descer em frente a uma delegacia.
— Espere aqui. Pediu Damon ao taxista deixando o filho dormindo no banco de trás.
Ele entrou e não teve muita dificuldade em encontrar Emma, ela estava de papo com um policial. Ele se aproximou, e ela se virou ao perceber que ele estava lá. Emma lembrava muito Linda, a moça de 22 anos, com seus longos cabelos castanhos, pele clara, um sorriso delicado e outros traços que não conseguiam esconder que ela era americana.
— Damon. Tão bonito quanto eu me lembrava de você. Disse ela sorridente.
— No que foi que você se meteu agora hein Emma?
Depois de conversar um pouco com um policial conseguiu fazer com que ela fosse liberada, aparentemente houve um mal entendido numa loja e na hora de pagar ela teria se confundido, não estava acostumada com o Euro. Fora da delegacia Damon deu a entender que não estava a fim de conversa. Emma preferiu não insistir. Foram direto para casa.
— Você pode ficar com o sofá, eu vou colocar o Blake na cama dele. Disse Damon carregando o seu filho nos braços que dormia como se nem tivesse saído da cama.
Emma agradece com um gesto com a cabeça.
Na manhã do dia seguinte Damon acordou ouvindo risadas, ele achou que estava sonhando. Foi até a cozinha e viu Emma e Blake comendo cereal e assistindo e assistindo Bob Esponja.
— Desliga isso Blake! Ordena ele. — Você sabe que não pode assistir TV durante a semana.
— São só desenhos. Protestou Emma.
O garoto fechou a cara quando o pai desligou a TV.
— Eu teria feito café, mas acho que não tem mais. Pra falar a verdade foi difícil encontrar alguma coisa para comer na sua cozinha. E olha que eu nem sou muito exigente. Disse Emma. — Precisa fazer umas compras.
— Eu estive ocupado. Disse ele seco.
— Com o que?
— Criando o meu filho de 8 anos por exemplo. Respondeu ainda mais rude. — E além do mais quem fazia as compras era a Linda.
— Percebe-se.
— O que você veio fazer aqui?
— Essa é uma ótima pergunta.
— E é melhor que você tenha uma boa resposta se não vou ter que te colocar pra fora.
— É meio complicado. Digamos que eu precisava dar um tempo de Los Angeles e vir pra cá pareceu o mais certo. Queria saber como vocês estavam indo. Respondeu ela claramente inventando a resposta assim que as palavras saiam de sua boca.
— Engraçado já que você não veio aqui quando sua irmã morreu.
— Eu também estive ocupada. Respondeu ela.
— Sério? Disse ele incrédulo.
— Mas eu liguei. Se defende ela.
— Ah sim, às 3 da manhã. E eu nem acho que você estava sóbria quando o fez.
— Olha, eu sei pelo que você deve estar passando, e eu me recuso a ser arrastada para o meio disso. Disse ela tentando ser sensata. — Eu estou aqui agora.
— Pai eu tenho que ir pra escola. Lembrou Blake.
— Claro filho. Vai pegar sua mochila. Ordenou Damon — Quanto tempo você pretende ficar?
— Não se preocupe não vou te incomodar por muito tempo. Respondeu ela.
Damon abriu a porta assim que Blake apareceu com a sua mochila.
— Por favor, Emma. Comporte-se enquanto eu estiver fora. Eu não demoro.
Damon repetiu sua rotina diária terminando sentado debaixo da mesma árvore, só que desta vez ele encurta seu tempo lá. Ficou preocupado com a hospede em sua casa. Ele então retornou ao seu lar e ao abrir a porta se depara com algo que ele não esperava. Sua casa estava... Limpa. Isso mesmo, limpa.
— Agora sim parece que alguém mora aqui. Se gaba Emma carregando um balde e um rodo.
— Quem te deu permissão pra limpar a minha casa? Pergunta Damon nervoso.
— A vigilância sanitária. Haviam restos de comida debaixo do sofá e estava cheio de mofo. Muito nojento.
— E daí?
— Como assim? Eu só estava tentando te agradecer por você ter me livrado a cara ontem. Não sabia que você curtia viver no estilo “Joe e as Baratas” Justificou ela.
— Você não pode simplesmente aparecer assim do nada e ficar mexendo nas minhas coisas sem autorização, não me interessa os seus motivo.
— Eu não vou me desculpar por limpar a sua casa. Mas tudo bem eu entendi. Disse ela séria.
— Eu vou para o meu quarto não quero ser incomodado. Pediu ele.
— Tudo bem. Disse ela dando de ombros. — Mas será que você pode me dar algum dinheiro?
— Pra quê você quer dinheiro? Perguntou ele curioso.
— Pra comprar comida! Respondeu ela direta. — Sua dispensa está totalmente vazia. Não quero ser a portadora de más noticias, mas sem comida não acho que você ou o Blake possam sobreviver muito tempo. Arrematou ela.
— Pode pegar 60 Euros na minha carteira e só. Permitiu ele. — E, por favor, pode demorar o quanto você quiser pra voltar.
— Eu estava pensando que devido a confusão de ontem por causa do dinheiro, você bem que podia vir comigo. Evitaria que eu fosse presa duas vezes na mesma semana.
— Não!
— Não, espera ai você achou que eu estava te fazendo uma pergunta. Disse ela séria. — Pegue o seu casaco.
— Não!
No supermercado, Damon empurra o carinho com os cotovelos, ele para próximo a Emma que tenta escolher qual tipo de macarrão vai levar.
— Este ou este? Perguntou ela mostrando duas embalagens diferentes.
Ele aponta para o da esquerda, totalmente desinteressado, quase que de maneira automática.
— Tem certeza?
— Emma é só uma porcaria de macarrão. O outro então.
— Esse tem pedaços estranhos, acho melhor levar esse outro aqui. Disse ela descartando os dois primeiros. — Aonde você vai? Pergunta ela ao ver que Damon se virou e está indo embora.
— Você parece ter tudo sobre controle, eu vou dar uma olhada por ai.
Ela concorda com a cabeça e o deixa ir, assume o controle do carrinho e o leva até a sessão de congelados. Enquanto isso Damon passeia pelos corredores quase vazios, já que durante a semana poucas pessoas vão às compras. De repente ele ouviu alguém chamar o seu nome, estava tão distraído que demorou pra se tocar que ele era quem era chamado insistentemente por uma voz feminina. Não teve mais como ignorar quando a pessoa estava bem atrás dele. Ao se virar vê Simone, uma mulher magrela, com pele totalmente pálida, dentes tortos e cabelos ruivos e longos. Simone era muito amiga de sua esposa. Ela por inúmeras vezes dormira bêbada no sofá de sua casa. Damon só a suportava por quase de linda, e não a vira ou falara com Simone desde o velório. Se perguntou onde ela estaria dormindo toda vez que bebia além da conta.
— Como você tem estado? Perguntou ela forçadamente gentil.
— Eu estou bem!
— E o Blake? Pobrezinho.
— Também!
— Foi uma pena o que aconteceu com a Linda. Ela era uma mulher incrível e minha grande amiga e eu...
— Olha Simone... Interrompeu ele. — Eu tenho que ir buscar o Blake na escola. Foi um prazer revê-la. Adeus. Disse ele dando as costas para ela e indo antes que ele pudesse falar mais alguma coisa.
Ele se afastou o máximo que pode até encontrar Emma escolhendo algumas verduras.
— Emma eu vou esperar lá fora. Não demora muito. Disse ele.
— Aconteceu alguma coisa? Perguntou ela preocupada. — Você está pálido.
— Eu estou bem caramba. Eu vou esperar lá fora.
Cerca de 20 minutos depois Emma saiu do supermercado, não teve problema com o dinheiro dessa vez. Ela lutava para carregar as sacolas.
— Não se preocupe em me ajudar. Eu só estou fingindo que está pesada. Disse Emma ao ver ele encostado numa parede.
— Eu mataria por um cigarro. Disse ele.
— Eu pensei que você tinha parado quando o Blake nasceu. Disse Emma surpresa.
Ela entrega algumas sacolas para Damon e puxa da bolsa um maço de cigarros, puxa um e ascende, dá um trago e passa para ele, que o fuma como se fosse um diabético se pudesse comer todos os doces que quisesse.
— Você não deveria ter dado isso pra mim. Reclamou ele. — A Linda vai ficar uma fera, ela sente o cheiro dessas coisas de longe. Completou ele.
— Vai? Questionou ela espantada.
Foi só então que ele percebera o que dissera, olhou para o relógio só para disfarçar.
— Acho melhor a gente ir, o Blake já deve estar pra sair da escola. Disse ele iniciando a sua caminhada.
Damon achou melhor que Emma fosse para casa enquanto ele ia até a escola do filho. Chamou um táxi pra ela e foi andando na direção oposta.
Nem bem abriu a porta e sentiu pela primeira vez em muito tempo o cheiro de comida caseira. Pai e filho se entreolharam, com um pensamento singular em suas cabeças... Linda. Blake passou a frente do pai e empurrou a porta com um grande sorriso, queria gritar mãe, mas o grito se abafou quando viu Emma cortando cebolas ao som de Beautiful da Christina Aguilera. Damon percebera a frustração do garoto e o mandou se lavar e colocar outra roupa para poder jantar.
— Não sabia que você cozinhava. Disse ele surpreso.
— É o meu talento secreto. Disse ela com um sorriso no rosto. — Espero que esteja com fome.
— Eu estou sempre com fome!
Por volta das 7 horas, o jantar estava servido. Damon não demonstrava, mas estava feliz por aquele momento estar acontecendo. A campainha tocou assim que Damon e Blake se sentaram à mesa, ambos estranharam.
— Você está esperando alguém? Perguntou Damon ao filho.
— Não! E Você? Retrucou Blake.
Eis que surge Emma toda sorridente e vai até a porta para atender. Do outro lado está um rapaz magrelo de cabelos escuros e olhos verdes claros, pele branca e orelhas grandes. Seu nome é Shane Wanes, ele é vizinho de Damon, e um dos bem barulhentos pra dizer a verdade.
— O que está fazendo aqui? Perguntou Damon se levantando da mesa.
— O Shane foi tão legal mais cedo me ajudando a trazer as compras pra dentro de casa e eu tive que recompensa-lo por isso. Convidei ele pra jantar conosco. Explicou ela.
— Espero que não tenha problema. Disse o rapaz acanhado.
— Não se preocupe Shane. Entre logo de uma vez. Disse Emma receptiva.
Damon achou melhor não protestar mais e voltou a se sentar, mas estava claramente incomodado com a presença de Shane ali. Durante todo o jantar, Damon trocou poucas palavras, até mesmo Blake que não é muito de falar, acabou falando mais do que o pai. Diferentemente de Emma e Shane que pareciam estar se dando muito bem. Depois do jantar, Damon lavava a louça enquanto Emma e Shane continuaram sua conversa na sala. Já o pequeno Blake dormia no colo dos dois, embalado pelas caricias de Emma em sua cabeça.
— Tem certeza de que não precisa de ajuda? Perguntou Emma para Damon jogando sua cabeça para trás.
— Não se incomode. Eu já estou quase terminando mesmo. Disse ele passando a esponja num prato. — Mas acho que já está um pouco tarde, talvez o Shane queira ir pra casa. Disse ele dando uma indireta bem direta e reta.
Shane entendeu o que Damon quis dizer e deu um sorriso constrangido para Emma. Ela fez o mesmo.
— Eu agradeço pelo jantar. Estava ótimo. Disse Shane.
— Eu sei, fui eu quem fez. Gabou-se ela.
— Eu lembrei que eu tenho vinho na geladeira de casa. É um daqueles importados e caros. Eu roubei do bar onde eu trabalho. Disse ele animado. — Se você quiser, nós podemos ir beber ele lá em casa.
— Eu gostei da ideia. Disse Emma se mostrando também animada. — Tudo bem se eu for um pouco até o vizinho? Perguntou ela para Damon.
— Você é uma mulher adulta, não precisa da minha permissão. Respondeu ele de forma grosseira.
— Isso deve significar que ele não se importa. Sussurrou ela para Shane. — Eu vou levar o Blake pra cama e já volto. Disse ela se levantando e carregando o garoto para o quarto.
Shane esperou ela sair da sala e se levantou do sofá, foi até a cozinha, se aproximou de Damon e encostou sua mão sob o ombro de Damon. Ele se virou rapidamente e o olhou com raiva.
— O que está fazendo na minha casa? Perguntou Damon. — Eu pensei ter deixado bem claro que eu não quero você aqui. Atacou ele.
— A Emma me convidou! Respondeu ele incrivelmente calmo. — E além do mais você não atende as minhas ligações. Completou ele sendo forçado a tirar a mão de cima de Damon.
— As coisas mudaram Shane.
— Por quê?
— Você sabe bem o porquê! Respondeu ele tentando na alterar o tom de sua voz.
— Eu sei que você se sente culpado pelo que houve entre nós, mas pelo amor de Deus tenha a decência de falar isso na minha cara. Disse Shane agora nervoso e igualmente tentando falar baixo.
— O que aconteceu entre nós nunca mais vai acontecer de novo. Eu posso lhe garantir isso. Eu não tenho cabeça pra essas coisas desde que minha esposa morreu.
— Não faça isso.
— Não fazer o que?
— Não use sua esposa morta como desculpa. Você me disse que ia deixar ela assim que o Blake tivesse idade pra entender. Disse que ia fazer isso porque me amava.
— Isso é besteira. Eu nunca disse que te amava.
— Claro que disse Damon! Não só disse como se eu não em engano você escreveu.
— E o que esperava que eu fizesse que eu saísse correndo pros seus braços quando a Linda morreu?
— Eu não quis dizer isso.
— Isso não é brincadeira. Vá embora! Ordena ele.
— Você fica tão bonito quando tá com raiva.
— Vai à merda.
— Porra como eu queria te beijar agora mesmo. Disse Shane tentando agarrar Damon.
— Não seja ridículo. Se a Emma nos ver o que acha que ela vai pensar. Disse Damon outra vez o afastando.
— Tudo bem, se é assim que você quer que seja então. Disse Shane indo para a porta. — Eu vou esperar lá fora. Disse ele decepcionado. — Me desculpa por isso. Disse ele fechando a porta logo em seguida.
Damon sente um pouco de tontura e se apoia na pia, Emma surge logo depois.
— Cadê o Shane? Pergunta ela.
Damon aponta para a porta.
— Você está bem?
— Sim, só estou cansado!
— Tem certeza?
— Emma, eu estou bem.
— Então não me espere acordado. Disse ela pegando o seu casaco e saindo porta a fora.
Já passava das 2 da manhã, Damon estava deitado de bruços forçando seus olhos para que se mantivessem fechados enquanto o sono não vinha. Ouviu a porta de seu quarto se abrir e passos curtos no assoalho, era Emma, que acabou batendo o pé na quina da cama. Ela grunhiu algo que Damon não conseguiu entender. Ela se deitou ao lado dele.
— O que está fazendo aqui? Perguntou ele ainda com os olhos fechados.
— Eu não quero dormir no sofá hoje. Respondeu ela soluçando.
— Você está bêbada?
— Com certeza! Disse ela rindo. — Acontece que o vinho acabou muito rápido e a cozinha dele estava uma bagunça porque ele está reformando. Então achamos melhor irmos a um pub. Um maldito pub inglês, repleto de homens másculos e mal humorados. Eu nunca bebi tanto em toda a minha vida.
— Você sabe que o Shane é gay. Disse Damon como quem não quer nada.
— Eu percebi isso quando ele me levou para casa dele e nós só bebemos vinho. Disse ela se ajeitando na cama. — Agora chega de conversa e boa noite.
— Eu não disse que podia dormir aqui.
— Não seja um chato. Disse ela adormecendo logo em seguida.
Pela manhã, Emma acordou e saiu correndo para o banheiro para vomitar.
— Bom dia pra você também. Disse Damon passando em frente ao banheiro.
— Não enche! Gritou ela batendo a porta.
Ao chegar na cozinha viu que Blake também já havia acordado e esperava seu café da manhã.
— Por que a tia Emma está vomitando? Perguntou o garoto.
— Ela passou da conta ontem a noite.
— Ela também vomitou assim no dia em que ela chegou.
— Sério? Perguntou Damon surpreso.
O celular de Damon começou a tocar e ele teve que atender ao constatar que era seu chefe, que foi logo ao assunto, precisava que Damon fosse até o escritório para resolver uns assuntos. Ele primeiro se certifica de que Emma está bem para levar Blake para a escola e depois de trocar de roupa vai ao encontro do chefe.
Emma e Blake saem de casa logo em seguida. O dia estava um pouco frio então ela faz Blake usar um casaco mesmo diante dos protestos dele. Durante o caminho até a escola eles conversam um pouco. Blake quem começa.
— Por que você bebe se isto te faz mal?
— Essa é uma boa pergunta. Quando tiver a minha idade e passar por todas as frustrações que eu passei, vai perceber que o álcool é uma boa escolha. Reponde ela. — Mas não diga ao seu pai que eu disse isso. Ele me mataria.
— E por que está aqui? Perguntou ele.
— Essa é outra boa pergunta. Disse ela ficando sem palavras por alguns segundos. — É uma longa história.
— Não me entenda mal tia Emm. Eu gosto que você está aqui. O papai grita menos comigo agora.
— Provavelmente porque ele tem a mim agora pra descontar a raiva dele. Disse ela sem pensar.
— Então o que veio fazer aqui? Insiste ele na pergunta.
— Tem certeza que só tem 8 anos?
— Eu tenho 8 e meio.
— Isso explica muita coisa. Disse ela sorrindo. — A verdade é que eu precisava me afastar de alguém por um tempo. Eu pensei porque não atravessar um oceano pra isso.
— Ele era ruim com você?
— Quem?
— A pessoa de quem você precisava se afastar?
— Não! Na verdade ele nunca me disse nada que não fosse gentil. Mas eu sou burra demais para fazer as coisas do jeito certo. Eu não sei se eu ia querer passar o resto da minha vida com alguém, acho que eu não sou esse tipo de garota. Desabafou ela.
— E por que você teria que passar o resto da vida com ele?
— Nossa você faz perguntas demais.
— Chegamos! Avisou o garoto ao avistar a escola do outro lado da rua.
Emma não consegue soltar a mão do garoto, ela olhou para ele e soube que Blake era mesmo um garoto especial e muito esperto. Alguém que ela certamente poderia confiar.
— Vem comigo. Disse ela puxando ele na direção oposta.
— Pra onde nós vamos? Perguntou o garoto curioso.
Damon volta pra casa e a encontra vazia. Resolve aproveitar a calmaria pra tomar um bom banho quente, relaxar ouvindo música, beber um chá e folhear alguns livros. Passara das 5 e meia quando finalmente Blake e Emma apareceram, Damon estava tão entretido que perdeu a noção do tempo ficou aliviado ao ver que Emma tinha buscado Blake na escola, mas não estranhou o fato de eles terem chegado tão tarde. Porém antes de entrar em casa Emma fez Blake prometer que não contaria ao pai que faltou a escola.
— Estamos em casa. Anunciou Emma.
— Que ótimo, já posso pedir pra policia encerar as buscas. Disse Damon se levantando do sofá.
— Chamou a policia? Perguntou ela assustada.
— Isso foi uma piada! Respondeu Damon.
— Você nunca conta piadas.
— Eu conto piadas. Defende-se ele.
— Não conta não, pai. Reforçou Blake.
— Esquece! Disse ele virando os olhos. — Tive uma ideia. Não tirem os casacos porque vamos sair. Disse Damon animado.
— Sair? Mas acabamos de chegar. Reclamou Emma.
Damon os faz dar meia volta e os leva até uma pizzaria a alguns quarteirões dalí. Eles pegam uma mesa próxima a uma grande vidraça e observam a rua movimentada.
— Podem pedir o que vocês quiserem. Eu estou morrendo de fome acho que vou comer uma pizza bem grande. Disse Damon animado.
Ele abre o cardápio e analisa cada uma de suas opções.
— E ai amigão, já sabe o que vai pedir. Disse Damon para o filho.
— Eu não sei. Eu não estou com fome.
— Como assim você não está com fome? Indagou ele largando o cardápio sob a mesa. — Você sempre volta da escola morrendo de fome. O que você comeu?
— Um hot dog! Respondeu Blake feliz ao se lembrar do sabor da comida.
— Nós comemos no caminho de volta da escola. Inteirou ela rapidamente.
— Isso não é possível. Desacreditou Damon. — Eles não vendem hot dogs naquele bairro.
— Como sabe disso? Perguntou Emma.
— Porque eu fiz parte do comitê de pais que proibiu comércios próximos da escola.
— E isso faz de você um sabe tudo agora.
— O único lugar onde vende é no centro da cidade, muito longe da escola do Blake.
— Então acho que tivemos sorte. Disse Emma tentando encerrar o assunto.
Damon encarou os dois por um instante.
— Filho eu vou te fazer uma pergunta e você sabe que eu não gosto de mentiras. Disse ele num tom sério. — Você foi pra escola hoje?
Um silêncio toma conta do garoto e ele sem saber o que dizer olha para Emma, que ao perceber o desespero do garoto quebra o silêncio.
— Não, ele não foi para a escola. Pronto tá ai o que você queria saber. Confessou Emma.
— Sério Emma? Eu só pedi pra que você fizesse uma coisa e é isso que você faz. Disse Damon indignado.
— Ah por favor! Não acho que isso tenha sido assim tão ruim.
— Eu não acredito que você acha isso justificável. Disse ele ainda mais indignado.
— Ele só perdeu um dia de aula, eu fui para a escola a minha vida toda e não aprendi nada. Retrucou ela.
— Isso porque você estava ocupada chupando o pinto do seu professor de matemática.
— Isso não é justo. Você não deveria saber disso. Nãoa credito que a Linda te contou. Disse ela totalmente ofendida. — Quer saber Damon vai se fuder.
— Vai se fuder você. Devolveu ele.
— Eu cansei disso. Eu cansei de toda essa maldita raiva que você está sentindo e descontando em mim. Gritou ela nervosa. — Eu estou indo embora.
— E pra onde você vai?
— Eu não sei, eu só sei que quero ficar bem longe de você!
Ela saiu nervosa saindo da pizzaria e passando diante deles pelo outro lado do vidro, atravessou a calçada e foi embora.
Damon até pensou em correr atrás dela e pedir desculpas, mas estava muito chateado para engolir seu orgulho. Blake felizmente foi poupado de toda essa discussão.
— Acho que eu vou querer pizza agora. Disse o garoto se virando para o pai.
De volta para casa, Damon percebe que Emma ainda não voltou. Ele fica visivelmente preocupado e agora percebe o quão pesado pegou com ela. As horas passam e nenhuma noticia dela. Como já é tarde resolve que é melhor colocar Blake para dormir e depois vai até a sala e liga a TV, mas nem presta atenção no que está passando, se deita no sofá e acaba cochilando. Pouco depois Emma chega na ponta dos pés. Damon acorda e ambos se assustam ao se verem. Ele acende o abajur do lado do sofá e mesmo com a luz cortando os seus olhos ele tenta olhar para ela.
— Onde esteve? Perguntou ele.
— Você me assustou.
— Me desculpa.
— Por ter me assustado ou pelo que houve mais cedo? Indagou ela.
— Pelos dois!
— Que bom.
— Isso quer dizer que você me perdoa?
— Não. Eu não te perdoo por nenhum dos dois.
— Não vai me dizer onde esteve.
— Com o Shane.
— Meu vizinho?
— Sim!
Damon não sabia se ficava aliviado ou preocupado com isso.
— Eu só vim pegar as minhas coisas e nunca mais eu te incomodo.
— Não precisa ir.
— Preciso sim! Retrucou ela.
— Me desculpa, me desculpa, me desculpa. Quantas vezes eu vou ter que dizer isso até que você me perdoe.
— Isso tudo é ridículo. Eu não deveria ter vindo aqui.
— E o que você queria que eu fizesse Emma? Você não levou o meu filho pra escola e ainda por cima pediu para que ele mentisse pra mim. Isso não é certo. Disse ele alterando o tom de voz.
— Me desculpa se eu estou estragando o fato de que você se acha o melhor pai do mundo. Mas pelo que a Linda me dizia no telefone... Ela parou de repente.
— Continua. Gritou ele.
— Ela me dizia que você nunca tinha tempo pra ela ou pro Blake. Estava sempre trabalhando.
— Pare de inventar coisas.
— Ela também me disse que achava que você estava tendo um caso.
— Ela te disse isso? Perguntou ele num tom claramente de surpresa. — Quando?
— Umas duas semanas antes dela morrer.
— E o que isso tem a ver? O que você quer de mim? Gritou ele nervoso e alvoroçado.
— Eu não quero nada de você! Gritou ela de volta.
A discussão foi ficando mais feia a partir daí e os gritos foram ficando mais altos e acabaram acordando Blake, que não hesitou diante da situação e foi até a sala.
— Pai. Disse ele coçando os olhos.
Ele os observa discutindo.
— Pai. Repete o garoto. — Paaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaraaaaaaaaaaaaa.
Ao ouvirem o grito de Blake os dois imediatamente cessam sua discussão e o olham sem saber o que fazer. Emma então corre para o banheiro e fecha a porta.
— Você deveria ter ficado na cama filho.
— O que você acha que está fazendo pai? Perguntou o garoto nervoso. — Nada mais vai ser como antes.
— Eu acho que eu estou sentindo saudades dela. Eu sinto falta da sua mãe. Disse Damon começando a chorar.
— Eu gostaria que ela pudesse voltar, mas ela não vai. Eu queria que você tivesse morrido no lugar dela. Disse Blake aos prantos.
— Não diga uma coisa dessas.
— Eu digo sim. Disse o garoto batendo o pé no chão. — Eu quero a minha mãe de volta.
— Eu também quero. Disse Damon chorando ainda mais.
Ele vai até o filho e o abraça tão forte que teme ter quebrado algum osso do pobre e frágil garoto. Eles ficam assim por um bom tempo.
— Emma eu sinto muito. Será que você pode sair do banheiro, por favor. Gritou Damon por sobre os ombros do filho.
Ele se levanta carregando o seu filho nos braços e vai até o banheiro. Continua chamando por ela, mas ela não responde. Ele se aproxima da porta.
— Emma, você está bem? Pergunta ele abrindo a porta com uma das mãos.
Ele viu Emma sentada no canto da banheira com a cabeça abaixada. Ela estava com a calça abaixada até o joelho e há sangue em toda a sua coxa escorrendo pelas pernas e formando poças no chão. Ela levanta a cabeça e olha para ele.
— O que há de errado comigo?
No hospital Damon espera sentado numa cadeira ao lado do filho.
— Ela vai ficar bem? Perguntou Blake.
— Vai sim filho! Respondeu ele.
— E o bebê?
— Você sabia sobre o bebê?
— Ela me contou ontem quando a gente foi na cidade.
— E Por que não me contou?
— Ela me pediu pra guardar segredo. Se lembra?
— Tudo bem. Porque você não vai pegar um refrigerante ali na maquina. Disse Damon tirando algumas moedas do bolso e entregando-as ao filho. — Nada de coca-cola faz mal para os seus dentes.
O médico aparece e imediatamente lhe dá as noticias de que Emma vai ficar bem, mas infelizmente ela perdeu o bebê.
— Eu posso ver ela? Pergunta Damon apreensivo.
— Claro, é por aqui! Respondeu o médico lhe mostrando o caminho até o quarto onde ela está.
Damon pede para uma enfermeira ficar de olho no filho e depois segue o médico. Ao entrar no quarto ele vê Emma deitada na cama, ela parece tranquila, provavelmente porque foi sedada.
— Oi. Disse ele tímido. — Como você se sente?
— É difícil dizer!
— Você me deu um belo susto.
— Eu sei Damon, mas você deveria saber que eu adoro um drama. Disse ela sorrindo.
— Eu quero dizer que eu sinto muito pelo que houve. Disse ele se aproximando da cama. — Eu nunca deveria ter dito aquelas coisas. Eu me sinto como se fosse um monte de bosta, podre e asqueroso. Eu sinto muito. Disse ele segurando a mão dela.
— Não precisa ficar se desculpando. Tá começando a soar como um cd arranhado. Disse ela séria. — Por favor.
— Mas você perdeu o seu bebê e eu me sinto responsável por isso.
— Você não teve nada a ver com isso. A culpa foi toda minha. Eu provavelmente o matei com toda aquela bebida e aquelas pílulas de Valium que eu tomei. Disse ela séria. — E além do mais o médico também disse que o bebê não tinha muita chance. Era uma sementinha fraca. Tenho certeza de que foi melhor assim.
— Mesmo assim Emma...
— Por favor, vamos fazer dessa a última vez que falamos sobre isso.
Os dois ficam em silêncio por algum tempo, ambos procurando em suas mentes um outro assunto.
— Linda estava certa. Disse Damon rompendo subitamente o silêncio.
— Sobre o que?
— Eu realmente estava tendo um caso.
— Não acredito! Disse Emma completamente surpresa. — Não você Senhor Certinho.
— Eu não sou tão certinho assim.
— Não me diga. Disse ela com um sorriso. — Ela é bonita?
Damon funga asperamente.
— Ela estava saindo do trabalho quando sofreu o acidente de carro. Eu disse pra ela que eu estava ocupado e que não poderia buscar o Blake na escola, mas a verdade era que eu a estava traindo. Damon enxuga suas lágrimas que correm deliberadamente pelo seu rosto. — Eu estou tão arrependido, e eu não consigo parar de pensar nisso.
— Todo mundo comete erros. Você pode não ser capaz de corrigi-los, mas pode pelo menos aprender alguma coisa com eles. Disse ela passando a mão sob o rosto dele.
— Mesmo assim, não consigo parar de pensar que eu poderia ter evitado tudo isso.
— Não chore. Isto é muito deprimente até mesmo pra mim.
— Eu sei.
— Você é um ótimo pai, o Blake tem muita sorte. Você só está confuso. Disse ela de forma solidaria. — Você parece pior do que eu. Talvez seja melhor eu me levantar e você se deitar.
— Não seja besta. Disse ele rindo e enxugando suas lágrimas.
— Tem certeza? Nós podemos mudar de lugar sem problemas.
Os dois se olham e sorriem um para o outro.
— Acho melhor você descansar.
— Sim.
Alguns dias depois, Damon, Blake e Emma estão no aeroporto na sala de embarque.
— Não precisa ir se não quiser. Pede Damon.
— Infelizmente eu tenho que ir. Preciso resolver algumas coisas.
— Mesmo assim poderia ficar mais.
— Cansei de fugir. Eu preciso voltar pra casa.
Uma voz feminina faz um anúncio pelo alto-falante anunciando o embarque do voo em que Emma irá embarcar.
— Adeus Damon. Disse ela abraçando ele.
Logo ela se vira para Blake e os dois se entreolham.
— Você vai ficar bem?
Ele balança a cabeça e depois a abraça.
— É isso então. Disse Damon. — Vê se aparece pra nos ver de vez em quando.
— Vou pensar no seu caso. Disse ela com um sorriso nos lábios.
Ela anda pelo longo saguão e para ao chegar na metade dele se vira e os olha mais uma vez com um sorriso radiante. Damon a olha com lágrimas em seus olhos. Ela se vira e desaparece entre os outros passageiros. Blake corre até a grande janela que dá vista a pista do avião, ele encosta seus pequenos dedos no vidro, e olha para o avião sem dizer nada, sua respiração ofegante logo embaça o vidro. Ele desenha um coração com o dedo e vai embora quando o pai o chama para que eles possam ir para casa.
Ao chegar na frente de sua casa, Damon e o filho descem do taxi que os trouxe do aeroporto e caminham, não em direção a sua casa e sim em direção a casa do vizinho. Damon segura firme na mão de seu filho, que não contesta, apenas o segue. Ele para diante da porta, respira fundo, e bate duas vezes. Ouve Shane gritar que já vai atender. Ele abre a porta e está sem camisa e sujo de tinta branca por boa parte do seu peito e sua calça. Ele não esconde o espanto ao ver Damon ali.
— Oi. Disse Damon quase inaudível.
— Oi... Cumprimentou Shane ainda espantado. — Se for sobre o cheiro de tinta, eu só estava pintando a cozinha, no final da tarde já vai ter sumido.
— Não. Não é sobre isso.
— Aconteceu alguma coisa?
— Eu acabei de levar a Emma para o aeroporto. Disse ele rapidamente.
— Claro, ela veio aqui ontem pra se despedir. Ela voltou para a America.
— Sim.
— Vou sentir falta dela. Ela é legal.
— Será que eu posso entrar? Pediu Damon. — Quero dizer nós. Será que nós dois podemos entrar? Corrigiu ele ao olhar para o filho.
— Claro... Disse Shane sem hesitar. — Só não reparem na bagunça, eu estou no meio de uma reforma. Shane se afastou da porta para dar passagem para eles. — Blake eu tenho um jogo super legal no Playstation. Você pode ir lá jogar se você quiser.
— Eu posso? Perguntou o garoto correndo para dentro da casa sem nem ao menos esperar a resposta.
Logo depois é a vez de Damon entrar também, ele olhou Shane nos olhos e apenas sorriu. Shane retribuiu o sorriso. Fechou a porta assim que ele passou. Dentro da casa Damon tirou o seu casaco e pegou um dos rolos de pincel e o mergulhou na tinta fresca e depois passou na parede da cozinha.
— O que está fazendo? Perguntou Shane.
— Essas paredes não vão se pintar sozinha! Respondeu ele.
Shane pegou outro rolo de pincel e começou a pintar também. Nenhum dos dois falou mais nada depois disso. Blake que estava na sala, se virou por um breve momento e viu seu pai, e naquele momento, por mais incompreensível que fosse para ele, tudo parecia que ia ficar bem.
FIM