Prólogo: É Melhor você começar
10/12/25
Querem ouvir uma história engraçada, daquelas em que a ironia parece ter tomado um gin tônica a mais e decidido brincar com a minha vida? Pois então, estou vivendo uma dessas ironias tão exageradas que até Shakespeare levantaria da tumba para dizer: “calma lá, isso já é overacting”. Eu me belisquei tantas vezes que já posso abrir uma franquia de spa especializado em hematomas, e ainda assim continuo acordado. Porque sim, é real: ela concordou. E não, não é um sonho, não é delírio coletivo, não é efeito colateral de remédio para dor de cabeça. Eu até pensei em bater a minha cabeça na parede pra ter certeza de que não estou em coma, mas não acho que isso vai ser necessário. Porque a realidade insiste em me lembrar: ela aceitou sair em um encontro comigo. Embora eu não tenha bem a convidado, mas ela deve ter achado isso e só aceitou. Ela só disse sim para um cara que não conseguia descolar um encontro com garota nenhuma na escola.
E não foi só um sim protocolar, daqueles que a pessoa manda para se livrar de você e depois finge que esqueceu. Não. Ela mandou um não vejo a hora de sair com você. Eu quase respondi com um “tem certeza que não confundiu meu nome com o do motorista do Uber ou com outra celebridade?”. Mas não, era eu mesmo. Eu, o zé-ninguém, o vendedor de livros de viagem que nunca saiu do bairro, agora com um encontro marcado com Scarlett Monroe, a estrela de cinema que já ganhou mais prêmios do que eu ganhei pontos no cartão fidelidade do restaurante O’malleys da esquina.
Agora, a pergunta que não quer calar: como foi que eu convenci uma grande estrela mundial a sair comigo? Ah, essa resposta não cabe em um tweet, nem em um bilhete de guardanapo. É uma mistura de acaso, timing e, claro, uma boa dose de ironia britânica, aquela que faz você rir e chorar ao mesmo tempo. Porque convenhamos, se a vida fosse justa, eu estaria em casa discutindo com o micro-ondas porque ele insiste em explodir pipoca. Mas não, estou aqui, prestes a sair com alguém que tem mais seguidores no Instagram do que eu tenho neurônios funcionando.
E se você acha que há uma explicação lógica, esqueça. Não há. Talvez ela tenha confundido minha cara com a de algum poeta maldito, ou talvez tenha achado que um vendedor de livros de viagem é exótico, tipo um animal raro que só aparece em documentários da BBC. Ou talvez, e aqui entra o humor inglês, ela só esteja colecionando experiências bizarras para contar em entrevistas: “Ah sim, uma vez saí com um sujeito que vendia guias de turismo e achava que Veneza ficava em Susex”.
No fim, a verdade é que eu não sei. E talvez seja melhor assim. Porque se eu descobrir, corre o risco de perder a graça. E convenhamos, a graça está justamente em viver essa ironia absurda, esse teatro improvisado em que eu sou o protagonista sem talento, tentando não tropeçar no tapete vermelho que nunca foi feito para mim.