Thomas e Ash

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Resumo

Thomas Clover é a definição de 'DILF'. Gentil, inteligente, bonito de morrer; ele é um neurocirurgião brilhante e um pai amoroso. Mas ele também é muito, muito solitário. É por isso que ele decide entrar em um aplicativo de namoro. E não qualquer aplicativo; um aplicativo de namoro BDSM. Conheça Ash: a primeira pessoa com quem Thomas dá match — a única que chama sua atenção. Mas parece que os dois não poderiam ser mais diferentes um do outro. Enquanto Thomas salva vidas, Ash as tira; enquanto Thomas é cheio de luz, Ash é consumido pela escuridão; e onde Thomas é generoso, Ash é ganancioso. Ash acha que é difícil demais para ser amado, e Thomas está mais do que pronto para provar que ele está errado. (História BDSM entre um neurocirurgião e um Navy SEAL.)

Status
Complete
Capítulos
34
Classificação
4.9 (40 avaliações)
Classificação Etária
18+

prólogo

Este é o terceiro livro depois de ‘Pet-Brother’. A ordem da série é ‘Pet-Brother’, ‘Jordan’s Brat’ e depois ‘Thomas e Ash’.

Aviso: esta é uma história de romance gay com temas sexuais, BDSM e menções a questões de saúde mental.

PONTO DE VISTA DE THOMAS

Estava sentado em casa sozinho, tentando achar o que fazer com meu tempo livre, já que tinha folga depois de uma cirurgia longa na noite anterior. Suspirei, olhei para a TV e decidi assistir a alguma coisa, mas logo me entediei. Resolvi subir para pegar um livro na minha mini-biblioteca. Infelizmente, a ideia também não me animou, e acabei voltando para o sofá.

Olhei para o celular, que estava na mesinha de centro, e pensei em ligar para o meu filho. Ele tinha prova hoje, e eu sabia que estava ansioso mais cedo. Ele estudava oncologia na universidade, a 45 minutos de distância, e, como alguém que já tinha sido estudante de medicina, eu entendia como o terceiro ano podia ser cansativo.

Talvez eu possa mandar uma mensagem para ver se ele já terminou a prova. Ele pode estar precisando de um apoio ou—

Não. Ele tem o Jamie. Não devo ser um daqueles pais grudentos.

Suspirei de novo e tentei escolher outro programa, mas não encontrei nada que me interessasse. Na verdade, nem queria assistir TV. Eu queria… companhia. Já fazia tanto tempo desde a última vez que tinha tido uma boa conversa com alguém ou saído para um encontro.

Os outros médicos saíam para beber quando tinham tempo livre, mas nunca me chamavam. Eu sabia que muitos tinham vergonha de me abordar por causa da minha fama e sucesso como cirurgião, mas seria bom ter alguns amigos. E não ajudava em nada o fato de eu também ser tímido demais para puxar papo com eles.

— Preciso me abrir mais — murmurei, sentindo aquela solidão conhecida apertar o peito.

Por sorte, o celular vibrou com uma mensagem antes que eu começasse a pensar demais. Sorri ao ver que era do Hayden.

Hay🩵: Acabei de terminar a prova

Eu: Que ótimo. Como foi?

Hay🩵: Mais fácil do que eu imaginava

Eu: Estou orgulhoso de você. Está um passo mais perto de se tornar médico!

Hay🩵: 😊❤️

Sorri, pensando em como ele tinha crescido. Eu tinha a idade dele quando ele nasceu e lembrava do desespero que senti, sabendo que teria que criá-lo sozinho depois que a mãe dele morreu no parto. Achava que não daria conta, e às vezes errei feio, mas sempre fiz o possível para estar presente. Agora, ele tinha 21 anos, estava noivo e a caminho de se tornar um médico brilhante.

— Estou tão orgulhoso — falei, tentando segurar as lágrimas. — Vou comprar uma caixa de cupcakes para ele. Ele merece, trabalha tanto.

Levantei na hora, achando que era uma ótima ideia. Ia comprar cupcakes para o meu filho, para ele saber o quanto eu estava orgulhoso por ter terminado a prova.

— DOUTOR CLOVER!

Larguei a caixa de cupcakes no chão ao ouvir o grito do Jamie e corri para dentro do apartamento.

Minha cabeça entrou em modo pânico na hora. Atravessei a porta destrancada e corri para o quarto deles antes mesmo de processar direito o que estava acontecendo. Só quando entrei no quarto é que percebi que o grito do Jamie não tinha sido de dor.

Abri a porta com tudo, e as cabeças dos dois viraram na minha direção. Nossos olhos se arregalaram de horror quando vi o Hayden metido até o talo no noivo, que, no fim das contas, era como um segundo filho para mim.

— Pai?! — o Hayden gritou, parecendo mortificado.

— Meu Deus! — gritei, saindo do quarto na mesma hora. — Desculpa! Eu juro que não era minha intenção! — pedi desculpas enquanto me afastava apressado. — Achei que ele tivesse gritado “Doutor Clover” por minha causa! Não sabia que vocês estavam… fazendo isso!

Meu rosto queimava enquanto saía do apartamento e batia a porta atrás de mim.

Dei de cara com o Hakeem no corredor, segurando a caixa de cupcakes que eu tinha derrubado, enquanto comia um tranquilamente.

— Viu os dois transando? — ele perguntou.

Assenti em silêncio, me sentindo mais envergonhado do que nunca.

— Coitado… Vem para o meu apartamento. Vamos desabafar sobre o trauma que acabamos de ter.

E assim começou.

O Hakeem me levou para o apartamento dele, me serviu vodca e deixou eu desabafar sobre meus problemas. Contei como me sentia sozinho, e, depois que comecei a me abrir, não consegui mais parar.

— Tentei fazer amigos no trabalho, mas é difícil. Muitos têm medo de chegar perto de mim por causa da minha reputação, e outros preferem me ver como mentor do que como amigo — suspirei e tomei o resto da vodca do copo antes de colocá-lo na mesinha de centro. — Acho que gostaria de ter alguém para dividir a vida. Mas tenho 44 anos agora, e não é fácil encontrar alguém nessa idade. Já faz três anos que o Jamie e o Hay saíram de casa. Eu já deveria estar acostumado a viver sozinho.

— Tem coisas que a gente nunca se acostuma — o Keem murmurou, me olhando com aqueles olhos cor de mel cheios de compaixão antes de sorrir. — Thomas, acho que tenho o que você precisa.

— Não é um brinquedo sexual esquisito, né? — estremeci ao lembrar do presente que ele deu para o Hayden no aniversário de 18 anos. — Estou bem sem essas coisas.

— Não é um brinquedo sexual esquisito — ele revirou os olhos. — Mas eles fazem maravilhas pela felicidade, então me avisa se mudar de ideia.

— Não vou mudar — falei.

— Tanto faz — ele deu de ombros e estendeu a mão. — Me dá seu celular.

— Por quê?

— Para curar sua solidão, ué.

Peguei o celular no bolso a contragosto, destravei com o reconhecimento facial e entreguei para o Hakeem com desconfiança. Ele entrou na internet na hora e achou um aplicativo qualquer. Vi ele baixar e, quando terminou, me devolveu o aparelho.

— O que é isso? — perguntei, olhando para o ícone novo. Meu rosto esquentou quando li o nome. — Fetish Corner?

Não parecia um aplicativo de receitas…

— É um app de relacionamentos BDSM para Doms e subs — o Keem explicou, todo orgulhoso. — Eu estava nele procurando o Jordan, mas ele não tem conta, então desisti. Tem todo tipo de Dom e sub, então tenho certeza de que você vai encontrar o que procura.

— Mas eu não sou BDSM — falei, corando, mas não conseguia parar de olhar para a tela. Estava curioso.

— Dá uma chance — ele sugeriu. — Se não gostar, pode sair quando quiser.

— Tá bom… — mordi o lábio e apertei em “criar conta” antes de estender o celular para o Keem. — Me ajuda.

Ele sorriu, e começamos a criar meu perfil. Tinha um monte de perguntas invasivas sobre minhas preferências, e foi meio constrangedor responder na frente do Hakeem, mas, por sorte, não eram perguntas sexuais. Depois de terminar, começamos a deslizar para a esquerda e para a direita nos perfis que apareciam.

Assistimos a um filme e comemos alguma coisa enquanto esperávamos alguém responder. Três horas depois, recebi uma mensagem de um tal de “Ash”. Nem tive tempo de ler o perfil direito, porque o Keem deu um gritinho, animado, e tive que esconder a tela para ler a mensagem.

Ash: Você é de verdade?

Franzi a testa, confuso, mas respondi.

Eu: Sim.

Ash: Me diz três defeitos seus

Eu: Por quê?

Ash: Prefiro deixar tudo claro logo de cara. Pensa como se fosse um teste

Mordi o lábio, tentando pensar em “defeitos”, mas era difícil, ainda mais com o Hakeem me olhando com aqueles olhos curiosos.

Eu: Não consigo pensar em nenhum.

Ash: Tenta

Dei de ombros e escrevi as primeiras coisas que me vieram à cabeça antes de enviar.

Eu: Choro fácil, prefiro gatos a cachorros e incentivo meu filho a bater em gente ruim com um taco de beisebol (só se forem ruins mesmo, claro)

Ash: Nenhum desses parece defeito. Também amo gatos

Eu: 😄Então passei no seu teste?

Ash: Mais ou menos. Ainda não tenho certeza se você é de verdade

Olhei para a foto de perfil dele, que era só a letra A em preto.

Eu: Também não tenho certeza se VOCÊ é de verdade. Nem foto de perfil você tem.

Ele começou a digitar e parou. Por um segundo, achei que tinha assustado o cara, mas ele respondeu alguns segundos depois.

Ash: Ligação de vídeo em uma hora?

Ele é bem direto…

Eu: Tá bom.

[Ash está offline]

Fiquei olhando para a tela por um tempo, sem saber o que sentir ou pensar sobre o desconhecido com quem tinha acabado de trocar mensagens. Mas imaginei que uma ligação de vídeo esclareceria as coisas. Afinal, é mais fácil se comunicar quando se vê o rosto da pessoa.

— E aí?! — o Hakeem gritou, e olhei para ele, que estava com uma cara de curioso e frustrado ao mesmo tempo. — Fala logo! É homem? Mulher? Vocês vão transar hoje? Não recomendo a última opção. Tem muito maluco por aí.

— Nada de transar hoje — falei, levantando do sofá. — Vou para casa.

— Ah, qual é! Não vai me contar nada?! — ele resmungou, e eu sorri.

— Obrigado por me animar.

— De nada, acho — ele bufou. — Compartilhei minha vodca e você não me conta os detalhes suculentos.

Até agora, não tinha detalhes nenhum para contar. Decidi que leria o perfil do Ash quando chegasse em casa. E, só de pensar em voltar para a casa vazia, já comecei a sentir falta do Hayden e do Jamie. Mas aí lembrei que eles moravam logo ao lado do Hakeem. E depois lembrei que tinha acabado de pegá-los no flagra… fazendo uma cena.

Tá bom. Vou para casa e tomo mais uma dose.

E talvez marque uma consulta com um terapeuta.

Ou só peço demissão. As palavras “Doutor Clover” podem estar marcadas na minha mente para sempre.

Quando cheguei em casa, o sol já tinha se posto. Passei mais tempo na casa do Hakeem do que imaginava, mas, por sorte, tínhamos comido juntos, então não precisava cozinhar. A viagem durou 45 minutos, o que me deixava com 15 minutos antes da ligação do Ash. Decidi subir, tomar um banho, escovar os dentes e vestir o pijama.

Mal tinha me acomodado na cama quando o celular começou a tocar com uma chamada do aplicativo de relacionamentos.

[Chamada de Ash]

Atendi na hora, mas não vi o rosto do Ash nem o meu. Era só uma chamada de voz, com a mesma letra A preta na tela. Franzi a testa, confuso, e coloquei no viva-voz.

— Oi — falei, soando meio sem jeito, porque não era muito bom em conversar com estranhos. Muito menos com estranhos em um app de relacionamentos. Um app de relacionamentos BDSM. — Achei que fosse vídeo.

Do outro lado, ouvi uns barulhos, e suspirei, achando que era trote. Estava quase desligando quando o Ash falou.

— Desculpa — congelei ao ouvir aquela voz grave e rouca. — Só um segundo. A conexão está uma merda.

— Tá bom.

Aproveitei para dar uma olhada no perfil dele. Cliquei no nome, e o aplicativo me levou direto para a conta. Sorri e comecei a ler.

Nome: Ash

Idade: 40

Graças a Deus. Só três anos mais novo que eu.

Gênero/pronomes: Ele/Dele

Sexualidade: Gay

D/s/S: sub

Quando terminei de ler, o Ash já tinha resolvido o problema da conexão. O rosto dele apareceu na tela, e levantei o celular para ficarmos na mesma altura. Os dois congelamos ao nos olharmos, e meus olhos se arregalaram um pouco. Não esperava que ele fosse tão… bonito.

Ele tinha cabelo preto, cortado curto nas laterais e um pouco mais comprido em cima, um estilo que combinava com ele e destacava os traços marcantes do rosto, os lábios rosados e aqueles olhos cinzentos e intensos. Parecia intimidador, com a barba por fazer, o olhar frio e uma cicatriz fina acima da sobrancelha direita. Mesmo assim, não conseguia parar de olhar.

Havia algo nele. Algo nos olhos, por trás da frieza. Uma espécie de… medo?

— Você é muito bonito — ele disse, e saí do meu devaneio.

— Você também — murmurei, corando. — Quer dizer, v-você também.

Ele ergueu uma sobrancelha. — Seu perfil diz que você é Dom?

— Sou.

Ele me encarou por um momento e deu de ombros. — Você não parece Dom coisa nenhuma.

— Mas sou.

— Hum — ele disse. — Boa noite, então.

Boa noite?

— Só isso? — franzi a testa, me sentindo confuso de novo.

— O que mais você esperava?

— Achei que a gente ia se conhecer melhor — murmurei, sentindo as bochechas esquentarem. — Sou o Thomas. Tenho 43 anos. Sou neurocirurgião. E tenho um filho, o Hayden. Ele tem 21.

— Bom, eu sou o Ash — ele falou, no mesmo tom indiferente. — Tenho 40. Sou Navy SEAL. Não tenho filhos. E você não é meu tipo. Boa noite.

E desligou.

Fiquei olhando para a tela em branco por um tempo, me sentindo envergonhado e magoado.

— Em que eu estava pensando? — suspirei, colocando o celular no criado-mudo e apagando a luz. Deitei e puxei o cobertor até os ombros, tentando segurar as lágrimas. — Eu? Dom? Namorando alguém na minha idade? Meu Deus, que ridículo.

Amanhã, eu iria para o trabalho e salvaria outra vida. Depois, voltaria para a casa vazia. Talvez o Jerard e o Cace me chamassem para jantar. Mas, no fim, eu iria dormir sozinho.

E estava tudo bem.

Eu estava bem.

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