1. Lunawulf
Carolina
“Mesa doze,” sussurrou Catherine, com um tom intrigado.
Eu nem precisei olhar. Já sentia os olhares deles percorrendo meu corpo e ouvia os cochichos — fantasias vis e baratas, carregadas de perfume barato e desespero.
O pulso deles batia mais rápido, um ritmo de fome e luxúria. Não precisei adivinhar o que estavam imaginando. Eu ouvia tudo.
Eu... de joelhos.
O pau deles na minha garganta.
Chupando. Engasgando. Sendo usada.
Eles se achavam predadores. Mal sabiam eles.
Porque, enquanto eles sonhavam em gozar com a minha humilhação, eu imaginava o final verdadeiro: minha boca neles, sim, mas não do jeito que queriam. Minhas presas cravadas. O sangue deles jorrando quente e frenético. O prazer deles se transformando em puro terror pouco antes de eu drená-los até o fim.
Um sorriso de lado surgiu em meus lábios, e minhas presas se alongaram quase por conta própria. Eu quase podia sentir o pulso deles através do ar, um ritmo que eu queria devorar.
“Eu consigo sentir a sua excitação”, murmurou Catherine, com um sorriso malicioso e conhecedor...
Um sorriso surgiu em meus lábios ao pensar nisso, a imagem mental do horror no rosto deles passando pela minha mente como um show particular.
As palavras dela me deram um calafrio, alimentando a fome que fervia sob minha aparência calma. Meus sentidos se aguçaram; cada batimento cardíaco na sala agora era um tambor que gritava para mim. Eu conseguia sentir o calor do sangue fluindo sob a pele de cada humano que eu via, senti-lo denso e metálico, provando-o nas bordas da minha mente.
Eu bufei, balançando a cabeça como se pudesse me limpar, tentando controlar aquele impulso primitivo. Mas a tentação me arranhava, testando os limites do meu autocontrole.
Catherine arqueou uma sobrancelha perfeitamente feita, seu olhar afiado, quase brincalhão. “Hmm?”, ela provocou. “Perdida em pensamentos?”
Dei de ombros, forçando meus olhos a saírem do olhar dela, embora minha atenção tenha vagado para outro lugar — para a entrada principal, procurando. A única pessoa que eu não via desde ontem.
“Procurando alguém?”, ela instigou, com um tom leve, zombeteiro... perigoso.
“Não... não exatamente”, respondi rápido demais, meu pulso me traindo mesmo tentando soar casual. Meus olhos se recusavam a deixar a entrada, escaneando em busca dele, rastreando cada movimento na multidão, cada sutil mudança nas sombras. A expectativa vibrava em mim, crua e implacável, um fogo que eu não conseguia apagar.
E enquanto eu esperava, a fome se transformou em algo mais sombrio — mais agudo, mais delicioso. Eu sabia que poderia me perder completamente se me soltasse. Mas, por enquanto... eu apenas observava e esperava.
“Você sabe que ele vai encontrar a companheira dele algum dia”, continuou ela, com um sorriso astuto enquanto movia as sobrancelhas. “Ou quem sabe... talvez você seja a primeira a encontrar o seu?”
Não consegui evitar o leve sorriso que curvou meus lábios. A felicidade dela era genuína, contagiante — eu podia sentir irradiando dela como calor.
“Quem dera, Cat”, suspirei, com a voz pesada, o desejo transbordando em cada palavra. “Mas... para isso, eu teria que ir embora daqui.”
Embora uma parte de mim doesse para procurá-lo, eu sabia a verdade. Eu nunca me senti sozinha... não de verdade. Mas agora, vendo todos os dias, a cada momento, como os outros se animavam com a ideia de ter um companheiro... isso despertou algo profundo dentro de mim. Uma fome além do sangue. Um desejo por uma conexão que fosse minha, e apenas minha.
Meu companheiro.
Engoli em seco, tentando manter o controle enquanto o desejo se contorcia no meu peito. A ideia de ter alguém que pertencesse a mim — e eu a ele — fazia o mundo parecer insuportável e dolorosamente doce ao mesmo tempo. Um dia, prometi a mim mesma, eu o encontraria. Meu companheiro. Minha alma.
Sem perceber o rumo sombrio que meus pensamentos tomaram, Catherine me cutucou com o ombro, com um sorriso perverso: “Ou talvez ele já esteja a caminho... procurando por você.”
Revirei os olhos, mas antes que pudesse responder, a voz do Alfa Ralph cortou minha mente, baixa e autoritária.
“Venha até a minha cabana.”
O vínculo de autoridade não deixou espaço para hesitação. “Sim, Alfa”, respondi mentalmente, pegando um pano para limpar o balcão.
Ao colocar o último guardanapo no suporte, fiz um pequeno sinal para Catherine cuidar das minhas mesas. Ela arqueou uma sobrancelha, mas não perguntou nada.
“Valeu”, murmurei, já me movendo em direção à porta.
Ralph Savage.
O nome combinava demais com ele. Dono do Lunar Den e Alfa da Alcatéia Moon Grove.
Savage não era apenas um título — era a verdade. Ele era implacável quando precisava ser. Imbatível quando desafiado. Uma força tão absoluta que até o ar parecia se curvar ao redor dele.
E depois havia o jeito dele. Quase dois metros de puro poder, músculos pesados sobre o corpo. Um maxilar afiado o suficiente para cortar, coberto pela quantidade certa de barba. Olhos da cor de terra escura — penetrantes, firmes, perigosos. Ombros largos, um peito construído como uma muralha, mãos que pareciam ter sido feitas para destruir e proteger na mesma medida.
Lupas sem companheiro se atropelavam só para ter a atenção dele.
Mas eu?
Eu não o queria.
Eu apenas o respeitava.
Depois de séculos vagando — mudando de um lugar esquecido para outro, nunca ficando tempo o bastante para pertencer — eu finalmente tinha encontrado um lar.
Lunawulf.
Uma cidade escondida tão profundamente nas florestas do norte da Califórnia que nenhum humano tropeçaria nela por acidente. Um lugar oculto, pulsante, vivo com segredos.
Quando cheguei, Ralph Savage não me expulsou. Ele me permitiu ficar — embora não sem condições. Eu não poderia ferir nenhum humano. Eu podia beber, sim, mas nunca a ponto de matar. E quando eu me alimentasse, as memórias deles precisavam ser apagadas. Nossa existência não era para olhos mortais.
Justo. Era mais do que eu já tinha ganhado em qualquer outro lugar.
Bati duas vezes na porta de madeira grossa da cabana dele antes de entrar. O espaço do Alfa cheirava a fumaça de cedro e couro, um cheiro pesado e reconfortante.
“Queria me ver?”, perguntei, cautelosa, mas firme.
“Sim.” A voz dele era um estrondo, calma, mas com um toque de algo não dito.
Ele me estudou por um momento antes de continuar. “Quero que você vá até a fronteira e faça uma inspeção.”
“Para quê?”
Os olhos dele se voltaram para mim completamente então, afiados e penetrantes, embora uma carranca marcasse linhas em seu rosto.
“Houve... atividade suspeita. Roger sentiu um cheiro.” O maxilar dele se contraiu antes que as palavras saíssem, curtas e deliberadas.
“Um vampiro”, disse ele.
Prendi a respiração.
Ele se recostou na cadeira, o olhar escurecendo. “E não qualquer vampiro. Um poderoso.”
As palavras pareciam vibrar no ar entre nós, mais pesadas do que deveriam ser. Engoli em seco, tentando ignorar a estranha atração dentro do meu peito, a forma como meu corpo reagiu a um nome que ele nem tinha mencionado.
Por razões que eu não conseguia explicar, meu pulso acelerou. O desconforto se arrastou mais fundo, misturando-se com algo mais — algo perigosamente próximo de expectativa.









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