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Resumo

Autor: Diego M. Sinopse, gêneros mais classificação etária. Romance, Ação, Drama, Comédia, Psicológico, Linguagem imprópria para menores. Classificação etária 16+ Sinopse: Brian Roby, 17 anos, é um estudante comum do Colégio Aoyama, em Tóquio. Por fora, é educado, carismático e prestativo. Por dentro, esconde um passado sombrio marcado por expulsões escolares e violência — um passado que ele fará de tudo para manter enterrado. Tudo muda quando a escola organiza uma viagem de uma semana para as Ilhas de Okinawa. O objetivo é ensinar os alunos a socializar, trabalhar em equipe e se divertir. Durante essa semana, Brian se vê cercado por colegas como Hanji, Sayuri e Touka, quase amigos, e por 35 outros adolescentes com papéis distintos. Entre eles está Suzane Mihama, uma parasita social obcecada por redes sociais, e seu namorado Sasaki Kyoto, um cara legal, mas fraco e sem pulso. À medida que os dias passam no acampamento, Brian precisa manter sua máscara de bom garoto. Mas sua segunda personalidade — manipuladora, fria e inteligente — começa a se revelar em pequenas rachaduras, principalmente quando ele observa Suzane de longe. Ninguém sabe quem Brian realmente é. E ele fará de tudo para continuar assim.

Status
há um mês
Capítulos
12
Classificação
5.0 (1 avaliação)
Classificação Etária
16+

Capítulo 1: Nossa, Quem é Você?

Capítulo 1: Nossa, Quem é Você?

O pátio do Colégio Aoyama fervia. Malas enfileiradas, uniformes impecáveis, risadas altas demais. Brian Roby parou perto do portão e ajustou a alça da mochila. O sol da manhã batia no letreiro da quadra; ele sorriu para um grupo de garotas que acenou.

— Brian! Aqui! — Hanji acenou, os óculos escorregando no nariz.

Brian caminhou até o banco onde Hanji, Sayuri e Touka dividiam uma garrafa de chá.

— Cheguei cedo? — Brian puxou o zíper da mochila, tirou um pacote de biscoitos. — Trouxe para a viagem. Minha mãe fez.

— Sua mãe é uma santa. — Sayuri pegou dois biscoitos. — A minha só me deu dinheiro e um sermão sobre não me perder.

— Isso é cuidado, não sermão. — Brian riu. — Se você sumir, ela me mata. Melhor eu te vigiar.

Sayuri revirou os olhos, mas sorriu.

Touka, encostada no banco, observava o movimento.

— Vocês já viram a lista de quartos? Vão separar meninos e meninas, óbvio, mas tem dupla. Eu juro que se cair com o Ishida, vou dormir na praia.

— Ishida é tranquilo. — Brian descascou a embalagem. — O ronco dele é que é uma arma biológica.

Hanji riu alto, derrubando chá no uniforme.

— Olha o que você fez! — Sayuri bateu no ombro de Hanji.

Brian ofereceu o lenço.

— Toma, antes que a mancha seque.

Enquanto Hanji se limpava, Brian deixou o olhar vagar pelo pátio. Não procurou ninguém. Apenas observou.

Do outro lado, perto da escadaria, Suzane Mihama segurava o celular com as duas mãos, os polegares dançando sobre a tela. O cabelo escuro caía sobre um ombro. Sasaki Kyoto estava ao lado, segurando a mochila dela e a dele. Ele falava com outro colega, gesticulando, tentando incluir Suzane na conversa. Ela não ergueu o rosto. Sasaki fez uma piada. Os garotos ao redor riram. Suzane deslizou o dedo na tela.

Brian desviou o olhar para um ponto neutro: o portão, a calçada, o ônibus que manobrava.

— Ei, Brian. — Touka estalou os dedos na frente dele. — Acordou?

— Estava pensando se o motorista vai deixar a gente parar para comprar água.

— Você já trouxe biscoito e ainda quer água? — Sayuri mordeu outro biscoito.

— Hidratação é importante.

A conversa seguiu. Brian sorria, respondia, devolvia as provocações. Cada riso parecia encaixar.

O professor Yagami apitou.

— Todo mundo para o ônibus! Deixem as malas no bagageiro e subam em ordem. Nada de correria.

Os alunos se moveram em bloco. Brian pegou a alça da mala de Hanji sem que ele pedisse.

— Eu consigo... — Hanji tentou.

— Eu sei que consegue. Mas se você tropeçar na escada, atrasa todo mundo. E eu quero sentar na janela.

Hanji riu.

— Você é impossível.

— Dizem.

No caminho para o bagageiro, Brian passou a menos de dois metros de Suzane. Ela cheirava a morango e chiclete. Sasaki carregava as duas malas enquanto tentava convencê-la a tirar uma foto com o grupo.

— Depois, Kyoto. Agora não. — Suzane não tirou os olhos do celular.

— Tá bom, tá bom. — Sasaki sorriu, sem insistir. — Deixa eu guardar sua mala primeiro.

Brian seguiu em frente. Não olhou para trás.

Dentro do ônibus, o caos das mochilas e dos fones de ouvido. Brian sentou-se na janela, como dissera. Hanji ao lado, Sayuri e Touka no banco da frente, viradas para trás.

— Quanto tempo até as ilhas? — Touka chutou o encosto.

— Seis horas, se ninguém enjoar. — Brian abriu a mochila.

— Seis horas com vocês? Vou surtar.

— Você já surtou. — Hanji cutucou Touka com uma caneta.

Brian riu. Do banco da frente, Sayuri esticou o braço para pegar outro biscoito.

— Isso é um assalto? — Brian afastou o pacote.

— É um imposto por me obrigar a acordar cedo.

— Justo.

Ele entregou o pacote.

O ônibus sacolejou ao sair do portão. Brian ajeitou a testa contra o vidro. O reflexo mostrava o corredor: Suzane sentara três fileiras atrás, ao lado de duas garotas. Sasaki, no banco oposto, tentava puxar assunto com o grupo do fundo. Suzane teclava.

Brian fechou os olhos por um instante. Quando os abriu, o reflexo tinha mudado: Suzane agora ria de algo no celular. O som chegava fraco, abafado pelo motor.

— Brian. — Hanji tocou seu braço. — Você joga cartas?

— Jogo.

— Então me ensina a vencer a Sayuri. Ela trapaceia.

— Eu não trapaceio! — Sayuri virou-se. — Tenho talento.

Brian sorriu.

— Primeiro, vamos definir o que é trapaça. Depois eu decido se ensino ou se entro no jogo.

Hanji bateu palmas. Sayuri fingiu indignação. Touka bufou.

O ônibus pegou a estrada. A cidade foi ficando para trás. Brian distribuiu as cartas sobre a mochila, os dedos ágeis, o tom de voz calmo. A cada rodada, alguém ria. A cada piada, ele devolvia outra. Parecia o centro daquele pequeno grupo, sem esforço.

Mas, entre uma jogada e outra, seus olhos se erguiam para o corredor. Não demoravam. Voltavam às cartas.

Suzane não percebeu.

Ninguém percebeu.

No fim da primeira hora, um colega do fundo gritou:

— Brian, você trouxe remédio para enjoo? O Kenji tá verde.

Brian levantou-se, pegou a mochila e caminhou até o banco do garoto. Abaixou-se, entregou o remédio, disse algo em voz baixa. Kenji riu, mesmo pálido.

— Nossa, quem é você? — uma garota ao lado murmurou, impressionada.

Brian apenas sorriu.

— Um cara prevenido.

Voltou ao banco. O ônibus avançou pela rodovia, deixando Tóquio para trás.

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