O Peso da Minha Sombra

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Resumo

eles acharam que ela era apenas mais uma recruta.O erro deles foi esquecer que sombras também matam. Criada entre o luto e a poeira das ruínas, Zaya Aprendeu cedo que a única coisa mais rápida que uma lâmina é a vingança . Disfarçada e implacável, Ela se infiltra na fortaleza da temida Ordem 2 assassinos para arrancar a cabeça do homem que destruiu sua vida. Tristan Cole é a própria Ordem. Com 1,94 de pura autoridade, Olhar de gelo e um império de sangue sobre seu comando, Ele não aceita falhas e desconfia de cada passo da garota pequena de olhos afiados que acabou de cruzar seus portões. Eles foram feitos para se destruir. Mas no primeiro choque de aço, O Impossível acontece: As pedras ancestrais encravadas em suas espadas reagem em uma explosão de poder e atração magnética. 2 lâminas proibidas.Um segredo capaz de arruinar. Uma tensão perigosa que ameaça queimar a razão de ambos. Zaya entrou na fortaleza para matar o líder. Ela só não esperava que o homem que jurou odiar seria o único capaz de enxergar a escuridão que ela carrega.

Gênero
Romance
Autor
Lanna
Status
há 23 dias
Capítulos
14
Classificação
n/a
Classificação Etária
16+

Capítulo -1 Cinzas e Chuva

O cheiro de madeira queimada e o gosto de fumaça na boca eram as únicas coisas que restavam.

A chuva caía sem trégua, transformando a terra em uma lama escura e pegajosa.

Zaya estava jogada no chão. Aos quinze anos, seu corpo pequeno doía como se cada articulação estivesse quebrada, mas ela se recusava a fechar os olhos. O sangue escorria da testa, lavado pelas gotas frias da tempestade. A casa que fora seu lar por toda a vida agora era apenas um esqueleto de madeira carbonizada, devorada por chamas dançantes que desafiavam o temporal.

As vozes... os gritos... o som violento do metal contra o metal.

Tudo acontecera rápido demais.

Na memória de Zaya, ainda estava vivo o aroma do pão quente que sua mãe assava ao amanhecer; a risada rouca do pai consertando a cerca do celeiro; os olhos azuis de seu irmão mais novo, Kael, correndo pelo campo atrás das borboletas.

Agora, toda aquela vida virara cinza.

A Ordem tirara tudo dela. Ela não vira os corpos — a fumaça era espessa demais e alguém a empurrara para longe antes que pudesse alcançá-los. Mas sabia. No fundo da alma, ela sabia que estava completamente sozinha.

Apoiando as mãos na lama gelada, erguer-se foi um ato de pura teimosia. As pernas tremiam, e o ombro esquerdo latejava com uma dor pontuda que cortava o ar dos pulmões. Mas não havia lágrimas. No lugar do choro, uma raiva pura, antiga e perigosa acendeu-se no peito.

Cuspiu um fio de sangue na lama.

— Olha só para você... — uma voz masculina e desconhecida emergiu da névoa.

Zaya ergueu o queixo.

Passos lentos cortavam a chuva. Um homem alto, usando um sobretudo escuro que parecia engolir a pouca luz ao redor, aproximou-se sem pressa. A sombra do capuz escondia seu rosto, mas seus olhos — dois pontos de gelo cinzento — brilhavam com uma intensidade que trespassava a tempestade.

Ele não ofereceu ajuda. Não demonstrou pena. Apenas parou a alguns passos, observando-a como quem estuda uma fera encurralada.

— Qualquer outra garota estaria implorando pela vida — disse ele. A voz grave e calma cortou o som da tempestade como uma lâmina. — Mas você... seus olhos estão em chamas.

Zaya firmou os pés no chão, mesmo vacilando. Encarou a sombra à sua frente com o olhar afiado de quem já não tinha nada a perder. Seus punhos estavam tão fechados que as unhas cravavam a pele das palmas.

— Eu não quero ajuda — a voz dela saiu rouca, mas carregava um veneno que a chuva jamais lavaria. — Eu quero o sangue de quem fez isso.

O homem deu um meio sorriso imperceptível na escuridão do capuz.

— A Ordem.

O nome caiu entre eles com o peso de uma sepultura.

— Eles vieram por causa do que seu pai sabia — continuou ele, dando um passo à frente. — Por causa do que ele se recusou a entregar. E não vão parar. Vão queimar cada vila até encontrarem o que procuram. Sua família foi apenas o começo.

Zaya sentiu o peito contrair.

— Meu pai... ele nunca fez mal a ninguém.

— O mundo não se importa com a bondade, garota. A Ordem não precisa de motivos para destruir. Você pode passar o resto da vida fugindo até que eles a encontrem... ou pode aprender a lutar.

A garota ergueu o rosto para a tempestade, deixando que as gotas frias limpassem o sangue seco de sua pele. Fechou os olhos por um segundo. Viu o sorriso da mãe, a força do pai, a inocência de Kael. Quando os abriu, a dor derretera. Restara a promessa.

— O que você está oferecendo?

O homem estendeu a mão. A palma coberta por uma luva escura parecia um convite sem volta.

— Eu posso transformar você em uma arma. Treinar seu corpo, sua mente e sua alma até que não reste qualquer fraqueza. Quando eu terminar, a Ordem aprenderá a temer o seu nome.

— Por que faria isso? — a voz dela desconfiou. — O que você ganha?

— Digamos que tenho minhas próprias contas a acertar. E você... você é a melhor vingança que eu poderia moldar.

Zaya encarou a mão estendida. O vento uivou, erguendo brasas e cinzas ao redor deles. Sem hesitar mais, ela tocou a luva escura. A mão do homem era firme e fria como mármore.

— Você vai me ensinar a matá-los?

— Vou te ensinar a sobreviver. O resto virá naturalmente.

Ele a puxou para cima com uma facilidade assustadora.

— Meu nome é Kaelen. E a partir de hoje, você deixa de ser a garota que perdeu tudo. Você é a tempestade que eles não viram chegar.

— E o que eu sou agora? — ela sussurrou, sentindo a força teimosa dos seus próprios dedos machucados.

Kaelen olhou para as ruínas incandescentes.

— Você é a cinza que vai incendiar o império deles.

Os dias viraram semanas. As semanas, meses.

A montanha era um monstro implacável. Kaelen a levara para um refúgio escondido entre picos esquecidos, onde o vento uivava como matilhas famintas e o ar era tão rarefeito que rasgava os pulmões.

O treinamento começou na primeira noite. Exausta, ferida e faminta, Zaya foi arrastada para fora da cabana e jogada na neve profunda.

— Levante — ordenou Kaelen.

Suas pernas congeladas não responderam.

— Levante!

Com um grunhido, ela forçou os músculos extenuados e colocou-se de pé, oscilando.

— Você acha que a Ordem vai esperar você descansar? — ele caminhava ao redor dela, as botas afundando na neve fresca. — Eles vão te encontrar de joelhos. E vão cortar sua garganta sem piscar.

Um golpe rápido no estômago a fez desabar na neve, sem ar.

— Levante.

Ela se ergueu. Ele a derrubou.

— Levante!

O gosto de ferro inundou sua boca.

— De novo! De novo!

O frio queimava a pele. A neve encharcava as roupas. Mas a cada queda, Zaya encontrava um motivo para ficar de pé. Em algum momento, Kaelen parou. Observou-a por um longo segundo, fitando o fogo inacabável naqueles olhos castanhos.

— Você tem o que a maioria nunca terá — murmurou ele. — Não é força bruta. É a recusa absoluta em ser destruída. Isso é mais mortal do que qualquer aço.

Cinco anos se passaram.

Cinco anos de um martelar constante sobre a alma de Zaya. Ela aprendeu a lutar com lâminas, punhos, sombras e silêncio. Aprendeu a ler o impulso no corpo de um homem antes mesmo que ele movesse um músculo. Aprendeu a transformar a dor em foco.

Kaelen não era gentil. Ele a quebrava todos os dias, e todos os dias Zaya se reconstruía mais afiada. Com o tempo, ele se tornou sua única constante: um mentor severo, uma âncora no abismo do seu ódio. O coração bondoso que um dia pulsara nela não morrera; fora trancado em uma armadura de aço, fumaça e cicatrizes.

Aos vinte anos, Zaya era uma obra-prima da sobrevivência.

O corpo pequeno e franzino dera lugar a músculos magros e precisão cirúrgica. Seus movimentos tinham a fluidez de um predador. Os olhos castanhos, antes ingênuos, tornaram-se dois poços de cálculo e gelo.

Kaelen a observava enquanto ela finalizava uma sequência complexa com duas lâminas curtas. O metal cortava o ar congelado com um silvo perfeito. Quando ela parou, a respiração ritmada era o único som na montanha.

— Olhe para as suas mãos — disse Kaelen, aproximando-se.

Ela obedeceu.

— Elas não tremem. Você não é mais minha aluna, Zaya. É a lâmina mais afiada que este mundo já gerou.

— O treino acabou?

— Acabou.

Um vazio estranho ecoou no peito dela.

Kaelen estendeu um pedaço de pergaminho envelhecido. Ela o pegou com dedos firmes. Seus olhos percorreram a tinta preta.

Um nome. Uma cidade.

— Tristan Cole — pronunciou Zaya. O nome tinha o peso de uma sentença.

— O líder de A Ordem — confirmou Kaelen. — O homem que assinou a destruição da sua casa.

O ódio dentro dela não explodiu; concentrou-se, denso e letal.

— Como eu chego até ele?

— Há um posto avançado na cidade de Valdris. Você vai se infiltrar, tornar-se uma deles e subir na hierarquia. Quando estiver ao alcance... cortará a cabeça da serpente.

— Quanto tempo?

— O tempo que for preciso. Você tem a maior vantagem de todas: eles não sabem que você existe. E alguém que não tem nada a perder é a criatura mais perigosa do mundo.

Ao amanhecer, o céu tingiu-se de tom carmesim.

Zaya ajustou as lâminas duplas na cintura e ajeitou o casaco escuro. Kaelen permanecia na soleira da cabana, os braços cruzados.

Ela parou por um instante. Encarou o homem que a tirara da lama e a moldara na escuridão. Havia mil coisas a dizer, mas ela apenas inclinou a cabeça em respeito.

— Obrigada.

Kaelen assentiu, curto e solene.

— Vá. Faça o império deles ruir.

Zaya virou-se e começou a descer a montanha. O vento soprava forte, desordenando seus cabelos escuros. Na mente, ela passou a mão pelas memórias do pai, da mãe, de Kael... do cheiro do pão. Empurrou tudo para o fundo do peito, trancando a gaveta com chaves de ferro.

Parou à beira do penhasco, contemplando a silhueta distante de Valdris, recortada contra o horizonte como uma mancha de tinta sob a luz nascente.

Tocou a cicatriz na palma da mão direita — o corte do primeiro dia de treino.

— Para destruir o monstro — murmurou para a tempestade —, preciso me tornar o pesadelo dele.

Mas, ao dar o primeiro passo penhasco abaixo, Zaya parou.

Um ruído estranho veio com o vento.

Leve. Distante.

Não era a risada macia da mãe, nem o eco rouco do pai ou os gritos de infância de Kael. Era um som diferente, que fez seus dedos congelarem sobre o cabo do punhal. O coração trancado no peito deu um baque descompassado — o primeiro choque em cinco anos de silêncio.

Zaya fechou os olhos. Quando os abriu, o gelo retornara ao seu olhar, mas uma fenda imperceptível fora aberta na armadura.

Apertou a lâmina até os nós dos dedos contrairem.

— Maldito seja... — sussurrou para o vazio.

Ajustou o passo e continuou a descida em direção a Valdris, sem saber que o destino já havia começado a tecer a sua teia.