Morto Por Opção by Quenaris at Inkitt
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MORTO POR OPÇÃO

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Summary

MORTO POR OPÇÃO Cecília Cross morreu aos vinte e oito anos. O problema é que a morte veio com um erro administrativo. Sem aviso, sua alma foi enviada para o corpo de Victor Vesper, o herdeiro de uma organização criminosa... e um personagem secundário destinado a morrer no final de uma novel. A compensação parece simples. Quando a história terminar e Victor morrer como deveria, Cecília recuperará seu corpo e voltará para casa. Então por que não aproveitar a espera? Ela foge da organização, rouba alguns diamantes do cofre da família e passa sete anos vivendo como sempre sonhou: viajando pelo mundo, sem responsabilidades, sem obrigações e sem olhar para trás. O plano era perfeito. Até o dia em que descobriu que fugir da história também muda a história. Agora, um herdeiro oficialmente morto está vivo. Uma noiva que nunca o suportou quer estrangulá-lo. O homem que passou sete anos ocupando seu lugar preferia que ele continuasse desaparecido. E uma organização inteira está prestes a descobrir que o maior problema do Grupo Vesper nunca foi a guerra entre máfias... Foi o retorno de Victor Vesper. Porque morrer fazia parte do roteiro. Voltar... nunca fez.

Genre
Romance
Author
Quenaris
Status
Ongoing
Chapters
5
Rating
n/a
Age Rating
16+

Capítulo 1


Cecília Cross morreu numa terça-feira.

Não foi dramático. Não houve tempo para últimas palavras, para arrependimentos organizados ou para aquela clareza que os livros prometem chegar no final. Foi só uma dor no peito, aguda e breve, e depois nada.

Vinte e oito anos. Parada cardíaca.

Ela nem terminou o café.

O que veio depois não era o que os livros descreviam tampouco.

Sem luz no fim do túnel. Sem parentes falecidos estendendo a mão. Sem paz.

Só um branco absoluto e uma voz — seca, levemente entediada, como quem lê um relatório pela décima vez no mesmo dia.

— Cecília Cross. Vinte e oito anos. Morte por parada cardíaca às 07h43. Confirmado.

Cecília olhou ao redor. Não havia nada para olhar.

— Onde estou?

— Em trânsito. Uma pausa curta, burocrática. — Houve um incidente.

— Um incidente.

— O personagem designado para o corpo de referência morreu prematuramente. Falha de processamento. O corpo ficou vazio.

Cecília levou um momento para processar isso.

— Que corpo?

— Victor Vesper. Dezoito anos. Herdeiro do Grupo Vesper. Personagem secundário da obra catalogada como...

— Para. Ela ergueu a mão, ou pelo menos teve a sensação de erguê-la. — Personagem?

— Correto. A voz não demonstrou nenhum interesse pela sua confusão. — Um corpo vazio não pode permanecer vazio por tempo prolongado. A única alma disponível no momento do incidente era a sua.

O silêncio que se seguiu foi dela. Não da entidade.

— Não me perguntaram.

— Não havia tempo hábil para consulta.

— Eu acabei de morrer.

— Correto. Por isso estava disponível.

Cecília ficou quieta por um momento. Havia uma lógica absurda nisso que ela não conseguia refutar, e isso a irritou profundamente.

— E se eu me recusar?

Uma pausa ligeiramente mais longa desta vez.

— O prazo para recusa já expirou. O processo foi concluído.

— Então por que estão me contando isso agora?

— Protocolo de transparência pós-transferência.

Ela respirou fundo. Ou teve a sensação de respirar.

— Vocês me jogaram no corpo de outra pessoa sem pedir e agora me explicam por protocolo.

— Correto.

— E esse Victor Vesper. Ela falou o nome devagar, testando o peso dele. — Quem é?

— Personagem secundário. Função narrativa limitada. Herdeiro incompetente designado para obstruir os protagonistas em momentos específicos e morrer no capítulo final da obra.

— Ele morre.

— No capítulo final. Correto.

Cecília processou isso.

Ela havia morrido. Havia sido colocada no corpo de um personagem secundário de uma história que não era dela. E esse personagem tinha data de morte marcada.

— Quando terminar a história, ela disse devagar, o que acontece comigo?

A primeira hesitação real.

— Seu corpo original será restaurado. Sua identidade será devolvida.

— Meu corpo que teve parada cardíaca.

— Será restaurado.

Não era exatamente uma garantia tranquilizadora. Mas era alguma coisa.

Cecília ficou em silêncio por um longo momento. Pensando. Organizando. Vinte e oito anos haviam lhe ensinado pelo menos isso — quando a situação é absurda demais para controlar, você controla o que puder.

— Esse Victor Vesper. Ela voltou ao nome. — Ele é rico?

— O Grupo Vesper é uma organização de porte intermediário com ativos consideráveis, sim.

— E a história já começou?

— Está nos estágios iniciais.

— Então ainda há tempo antes da morte dele.

— Anos, presumivelmente.

— Certo. Ela deixou o peso da palavra assentar. — Mais alguma coisa que eu precise saber?

Uma pausa.

— Houve uma... observação interna, durante o processo.

— Que observação?

— A alma transferida é feminina. O corpo de destino é masculino. Outra pausa, desta vez com algo que poderia ter sido constrangimento, se a voz fosse capaz disso. — Percebemos após a conclusão do processo.

Cecília esperou.

— E?

— Pedimos desculpas pelo inconveniente.

— Pedem desculpas.

— Correto.

Ela deixou o silêncio durar o suficiente para ser desconfortável.

— Certo. A voz de Cecília saiu completamente plana. — Pode me transferir.

Ela abriu os olhos para um teto que não era o seu, num corpo que definitivamente não era o seu, com dezoito anos que também não eram os seus.

Ficou deitada por alguns minutos, olhando para o teto.

Depois se levantou, foi até o espelho mais próximo e ficou olhando para o rosto de Victor Vesper por um tempo razoável.

Cabelo preto. Ossos do rosto afiados. Olhos escuros.

Objetivamente, não era um rosto ruim.

Ela virou de lado. Depois para o outro lado.

Poderia ser pior, concluiu, com a objetividade de alguém avaliando um apartamento alugado que não era exatamente o que esperava mas servia para o período.

Depois foi procurar informações sobre o Grupo Vesper.

Tinha uma história para analisar e um cofre para localizar.

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Good Writing

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