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Resumo

Um mundo onde você só sabe o que é estranho depois que você vê de tudo. O lugar que você não tem um protagonista, mas o próprio ambiente como um. Aqui vamos acompanhar juntinhos a história de alguns amigos... Ou não... Em suas jornadas. Juntos sentindo, errando e aprendendo lado a lado.

Gênero
Fantasy,Adventure
Autor
PEA
Status
há 16 dias
Capítulos
2
Classificação
n/a
Classificação Etária
18+

Capítulo 1 - prólogo: Uma noite especial

Em uma noite escura, clareada apenas pela lua e alguns postes na rua, um ambiente que parecia de terror, poderia ser descrito apenas como "frio e silensioso". Neste ambiente, se encontra uma garota coelha não mais alta do que 0,85 metros, que está indo para a casa de alguém com uma espécie de encomenda em suas mãos. (Provavelmente algo importante, pois a Caixa tem quase o tamanho dela), mesmo não sendo pesada de verdade, ela apresentava dificuldades em andar, provavelmente por conta da Caixa ser basicamente da mesma altura dela.

Sua pelagem rosa brilhava diante a lua, com destaque em seus olhos verdes, nunca parecento assustada com o escuro ou o que pode ter lá. Sempre carregando consigo sua lança nas costas. Uma lança alta com 1,80 de altura, ponta dupla e totalmente feita de madeira, liberando uma certa aura de imponência.

A garota então toca a campainha de uma casa de madeira, deixando a Caixa no chão por alguns minutos. Um barulho suave sendo ouvido com o contato da Caixa com o chão, mostrando que talvez tenha mais de um item dentro. de repente, a porta se abre, revelando uma silhueta levemente escura, sendo revelado ser sua amiga, uma garota raposa com 1,60 de altura; sua pelagem Branca e amarela tendo um contraste grande com seu cabelo ruivo, enquanto seus olhos castanhos refletiam a imagem da coelha.

A garota raposa então abre espaço para a coelha entrar, pegando a Caixa logo em seguida:

— Lirya! Tudo bem, amiga? Vamos, entre, entre. Estavamos esperando por você. — disse a garota raposa, com um tom empolgado, seus olhos castanhos brilhando com a emoção de ver a amiga — Então, parece que você trouxe a minha encomendinha... Hehehe... — ela acrescenta, agora mais calma. Então, ela entra em sua casa, fechando a porta pouco após. Lirya, a garota coelha, então tranquilamente comenta:

— Bem... A caixa é um pouco mais leve do que eu pensava. Mas ok. É o que você pediu. — sua voz sai neutra, mas com um toque de delicadeza.

Durante o momento que estava olhando a caixa nas mãos da amiga, Lirya parecia claramente curiosa para saber o do porque ela estava tão leve, mesmo sendo quase de seu tamanho, mas então decide ignorar por enquanto, já que iria logo descobrir de qualquer forma.

Dentro da casa da raposa, ela e Lirya passam pela cozinha para ir até o quarto no segundo andar. Na cozinha se encontram os pais da raposa, o pai olhando para elas por um momento com seus olhos também castanhos sérios, antes de perguntar calmamente mas direto ao ponto:

— Niki, pode me explicar onde acham que vão com essa caixa aqui em casa, no meio da noite, e sem me avisar antes? — ele fica em silêncio após a pergunta, apenas esperando a resposta das duas. Niki fica pensativa, mas logo responde:

— Ah... são coisas de colecionador, nada de mais. — sua voz fluiu suavemente, não travando nem um pouco ao falar, demonstrando confiança.

Após um momento de observação, o pai de Niki apenas acena com a mão, indicando que ambas poderiam subir. Tais quais sobem tranquilamente pelas escadas, até chegar na porta do quarto de Niki. Um ambiente meio pequeno, mas confortável, sendo notável a primeira vista um armário de porta dupla cheio de adesivos fofos.

Ao entrarem no cômodo, um cheiro levemente metálico e eletrônico entra em suas narinas, o que não as parece incomodar:

— Ah, vocês chegaram! Ita. — diz um robô raposa humanoide se aproximando alegre mas calmo, seus olhos ciano brilhantes olhando entre as duas garotas em direção a caixa, sua pelagem fortemente alaranjada se destacando no ambiente beje do quarto. Seu corpo parecia muito real para ser só um robô:

— Bem, eu estava de boa esperando por vocês, então decidi fazer uns desenhos no seu caderno. Tudo bem, Niki? Ita. — diz o robô raposa, também sorrindo um pouco. Era como se realmente possuísse emoções próprias, ou alguma coisa semelhante:

— ah... não tem problema, Foxey. Você gosta, então eu deixo. Só não esqueça, o caderno de desenhos pode, o de tarefas não! — Niki alerta, como se não gostasse que estraguem seus estudos.

Lirya então resolve falar:

— Eu ainda fiquei na dúvida... O que realmente tem aí dentro? — sua expressão mostrava clara dúvida, seus olhos não saindo da Caixa misteriosa.

Niki então ri um pouco, momentos antes de colocar a Caixa próxima à TV, abrindo-a logo em seguida — ainda bem que perguntou! É uma coleção de DVDs antigos de desenhos animados que eu comprei online de um colecionador. Esses programas eram feitos para crianças, mas eu acho eles tão interessantes que decidi comprar, mesmo que sejam muito infantis. — Niki explica enquanto abre a caixa, mostrando que realmente possuía muitos discos de DVD, alguns até mesmo com a capa quebrada, indicando que estavam um pouco mal cuidados.

Ela então decide colocar um disco, no qual possuí 5 minutos e 20 segundos, mostrando um episódio de um desenho de bonecos de palito que falam sobre a diferença do amor de amizade e do amor romântico:

— esse parece interessante. Sobre o que insinua? Ita. — Foxey questiona, inclinando levemente a cabeça para o lado, indicando curiosidade genuína:

— simples, ele é um episódio sobre relacionamentos. É bem legal, porque ele explica bem para as crianças sobre amizade e tals. Bem nostálgico, não? — Diz Niki, enquanto gesticula com a mão, revelando leve ansiedade, aparentando gostar muito de coisas antigas que ainda funcionam.

Então, Niki sem esperar muito, dá o Play no DVD.

Após alguns instantes de carregamento, começa uma música simples, mas que agrada os ouvidos apenas de Niki, na qual se encontra cantarolando junto à melodia.

Nos primeiros instantes todos ficam focados apenas na televisão, como se todo o ambiente estivesse dentro da tela. Mas então, de repente, Niki sente um leve frio na espinha... E no corpo todo, seguido por um arrepio leve. Mas ao invés de ficar com medo ou se desesperar, ela apenas ri levemente, como se já estivesse acostumada com isso. Então diz com um tom suave e alegre:

— eu sei que você tá aí, Kira. Vem assistir com a gente. — ela olha para os lados, esperando alguma resposta. O mesmo fazem Lirya e Foxey, olhando para os lados, antes que uma silhueta branca aparecesse repentinamente. A mancha é um pouco mais alta que Niki, e assemelha-se com um gato branco antropomórfico, com olhos castanhos brilhosos. Ela está de frente para todos, bloqueando a visão da TV com uma pose triunfante e confiante:

— Ei! Vocês nem me chamaram pra assistir? E eu alí brincando com o Diro achando que não tinha visita hoje. — diz Kira, a garota gato metade fantasma metade carne e osso, momentos antes de um pequeno garoto raposa aparecer. Ele era um pouco maior que Lirya, mas menor que Niki, sua aparência é de uma raposa amarelada, assim como sua irmã Niki:

— Brincando?! Kira! Você estava me atormentando! Para de fazer aquilo! — diz enquanto se apoia na porta com uma mão, seu olhar intercalando entre Niki e Kira enquanto seu rosto se marca em vermelho de raiva:

— Niki! A Kira não para de desligar meu fone e rabiscar a tela do meu computador com as canetinhas! — diz Diro com uma expressão irritada. Niki então ri um pouco da situação, mas logo fica um tanto mais séria:

— Kira, deixa ele em paz um pouco. Sabe o como ele é... temperamental. — em sua voz havia um toque de seriedade, no entanto não se nota o mesmo mesmo no momento de falar do temperamento de Diro — Ei, Niki! Eu não sou temperamental! Eu só estava ocupado com meu jogo e ela veio me atrapalhar! — retrucou Diro, agora mais calmo, mas ainda irritado.

Então após alguns momentos de discussão, a Mãe de Niki chama com uma voz firme, mas suave:

— O jantar está pronto, crianças! Venham comer, pois já são 10 da noite! — sua voz ecoou em um silêncio limpo, antes de todos começarem a sair da sala, restando apenas Kira. Na qual olha silenciosamente para todos irem enquanto a luz do quarto é apagada, pois ela não pode aparecer para os pais de Niki. Eles não sabem que ela existe.

Kira então começa a pensar consigo mesmo, agora finalmente sozinha, demonstrando algum tipo de dor interna. Antes ela era alegre e zombeteira, a sensação que ela passa para os outros era de dominância e protagonismo. Mas agora ela parecia muito diferente, um contraste direto com a personalidade anteriormente mostrada. Ela então diz para si mesma com uma voz dura e fraca:

— você é muito idiota, Kira! — uma lágrima ameaça sair de seu olho, mas ela logo limpa com as costas da mão — Você tem todas as chances de falar com a Niki, tem todas as chances de revelar seu amor, mas... Mas... — sua voz falha, como se recusasse a aceitar tal fragilidade em suas decisões. Então ela olha para a TV, que havia sido esquecida ligada enquanto passava o desenho. Seus olhos refletem a tela como espelhos cintilantes enquanto ela percebe que ainda está tocando um CD. Então ela se aproxima, ainda lacrimejando e fungando um pouco, prestando atenção na cena. Na cena, um personagem de palito fala uma sentença simples e com uma voz meio boba:

— ... e é basicamente assim! E você além de conseguir ver reações indiretas, ainda pode esclarecer elas com gestos. Mas ainda continua tendo que tomar cuidado, ninguém gosta de não ser correspondido. — ela olha para a tela com um olhar levemente doído, como se as palavras realmente atingissem ela. Agora mais curiosa com o desenho, a frase na qual o personagem disse, servia exatamente para ela naquele momento. Então o desenho continua:

— outro cuidado que se deve cuidar, é com as palavras! Mesmo que você escute que alguém te ama, não significa que ela quer um beijinho seu... As vezes só significa que você é importante pra ela, não necessariamente romântico. Mas então, você também, tome cuidado com o que fala! Não só para não confundir os outros assim, mas também para não magoar usando as palavras erradas no momento errado. Pois o seu amar não é o mesmo amar do próximo, mesmo que vocês namorem, ainda podem amar diferente mesmo na mesma situação. E por hoje é só, pessoal! Hoje aprendemos... — Kira se vê completamente fissurada na cena, logo sacudindo a cabeça ao perceber a situação que estava, quase hipnotizada em pensamentos. Então reflete por alguns segundos antes de pensar consigo mesma novamente:

— então... Eu... sim, amo ela, eu sei, mas... Porque não consigo falar? Será que é um sinal? Será que ela não gosta de mim romanticamente? Será que ela sabe que eu gosto dela mas não fala nada, pra eu ficar olhando de longe sem coragem de falar?! — ela então trava a fala, respirando quase freneticamente, brevemente entrando em um estado de pânico, mas logo se acalmando. Estava nítido que ela não era alegre por nada, é apenas uma máscara que ela coloca por cima do medo de falar com a menina que ela gosta, com medo de ser julgada por não ser um homem e gostar de outra mulher. Tudo isso preenchia a cabeça dela, mas ela logo se acalmou, sabendo que logo os outros iriam voltar para o quarto. Então Kira se ajeita um pouco, secando os pelos molhados pelas lágrimas e se virando para trás para se preparar para esconder-se novamente em sua máscara. Mas então, quando ela olha para trás, uma figura familiar aparece atrás dela... Essa figura era ninguém mais ou ninguém menos do que Lirya, que provavelmente ouviu tudo que Kira disse para si mesma. Kira congelou no lugar, seu corpo quente agora quase gelado, ela não sabia o que fazer. Seus olhos brilhantes agora refletindo apenas medo de ser julgada. Ela então apenas tentou dizer desesperadamente:

— L-L-L-LIRYA-A??!! você... V-você ouviu tudo!? É brincadeira! Eu tava a-atuando, eu sabia q-que você estava aqui! H-hahahahah....! — estavam nítidos sua vergonha e nervosismo e que ela não estava brincando. Mas então, Lirya sem dizer nada, apenas segura o ombro de Kira, que logo fica confusa, pois esperava qualquer outra reação, menos essa. Então Lirya diz com uma voz baixa e surpreendentemente doce:

— Kira... Tá tudo bem, é normal amar, é normal sentir medo. São emoções inevitáveis que uma hora todos vamos sentir na vida. E sobre a Niki... Bem... eu prometo que esse segredo vai ficar entre a gente. Só entre gente, enquanto você não falar pra ela, eu vou guardar isso. Eu sei o quão íntimo e importante é pra você. — Kira fica surpresa com a cena, não sabendo reagir com toda essa situação, mas então ela começa a lacrimejar, quase chorando de confusão. Provavelmente era apenas uma sobrecarga emocional, onde haviam vários conflitos entre seus problemas de amor e a cena em que Lirya comenta sobre guardar esse segredo. Kira então olha os olhos de Lirya, que agora estão brilhando em não determinação, nem confiança como sempre, mas sim amor, amor de amizade, um ato de compaixão e respeito pela própria amiga. Kira então nota que as orelhas de Lirya estão abaixadas, o que ela nunca tinha visto antes, pois a coelha estava sempre alerta e nunca abaixava a guarda. Então ela logo abraça Lirya, fortemente, quase chorando:

— obrigada, Lirya... Você é uma ótima amiga. — então Lirya responde com uma risada suave, sua voz doce como uma flauta:

— tudo bem, Kira. Você é minha amiga. O que eu seria se te visses assim e deixasse passar? — Então elas se afastam, Lirya indo para a porta e Kira para baixo da cama. Lirya apenas olha para Kira por alguns momentos, antes de suas orelhas levantarem novamente, e ela dar uma piscadela para Kira, logo saindo do quarto. Deixando Kira sozinha novamente, agora um pouco mais calma.

Na cozinha estavam todos jantando macarronada, pois a mãe de Niki sabia que era a comida favorita da filha:

— certo, gente. Eu só fui no banheiro rapidinho, desculpem a demora. — diz Lirya, enquanto se ajeita na mesa. Niki apenas ri um pouco, respondendo com um sorriso engraçado:

— tenho certeza que você não come mais do que eu! — seus olhos se apertam em desafio, antes de ser cortada pela sua própria mãe:

— Niki, eu já não te disse que você tem que parar de comer tanto? Você sabe que a Lirya precisa de comida assim como você, então ambas comem e bebem igualmente. — sua expressão era um pouco mais pro lado neutro, mas ainda havia uma certa fatia de alegria, achando graça na determinação da filha em comer tanto. Lirya se serve com um prato grande, seu olhar também estreitando:

— vamos ver quem vomita por último! — ela coloca o prato na mesa, começando a comer freneticamente. Antes de Niki também fazer o mesmo:

— você vai parar no momento que descobrir que já perdeu! — diz com a boca cheia de comida.

Os outros apenas riem da situação, enquanto o pai de Niki olha para as duas, sorri, e diz calmamente:

— a primeira que o estômago explodir, a outra vai levar pro hospital! — seu tom era brincalhão, mas a mãe de Niki apenas intervém:

— Niro, você tem que parar de dar corda pra nossa filha. Se ela realmente passar mal, a brincadeira passa a ser um acidente grave. — seu tom era firme, mas ainda cauteloso. Niro, o pai de Niki, apenas assente. Sua expressão brincalhona agora suavizada:

— certo vocês duas, comam direito, pois existem pessoas que nem comida tem pra poder comer. — suave, mas direto, sua frase fez impacto. Niki e Lirya agora se encontram comendo calmamente.

Após longos minutos, Niro está lavando a louça, enquanto Niki pega um pouco do que sobrou do macarrão, então tenta levar para o quarto. Mas antes é parada pela sua mãe, que apenas diz:

— ei, mocinha! Onde acha que vai com esse prato? Acabou de comer dois pratos enormes, não está mais com fome. — Niki apenas trava. A comida é para Kira, mas não pode falar isso. Mas então, antes de qualquer coisa, Foxey aparece e responde por Niki:

— Ah, sim. Me desculpe senhorita Laya, é que eu preciso de energia amanhã. Então pedi para que Niki levasse um pouco para eu comer durante a noite. Assim, meu núcleo bioenergético pode ter mais energia amanhã por causa de uma viagem que eu vou fazer. Ita. — Ele diz calmamente, seu sorriso doce não passando despercebido. Laya apenas sorri e os deixa passar.

Após chegarem na escada, Foxey pergunta para Niki com uma expressão genuinamente curiosa:

— eh... Niki, pode me responder uma pergunta? Se não for te incomodar muito. — ele para de andar, olhando indiretamente nos olhos dela. Ela apenas responde com um sorriso:

— ah, claro! Porque não poderia? — seu sorriso era tão genuíno quanto à curiosidade dele. Então, aproveitando que ela deixou, ele solta a pergunta:

— porque você tem que levar a comida da Kira... sendo que... Bem... ela pode esperar até todos dormirem pra comer? Ita. — sua pergunta trava Niki por alguns instantes, na qual o sorriso parece falso pro alguns momentos, antes de suavizar um pouco. Ela solta uma risada baixa, como se fosse uma brincadeira, então responde:

— ah, Foxey... Eu não gosto de ver a Kira comendo comida fria, então entrego pelo menos morna para ela. — sua voz saía como uma flauta tocando, era suave e doce, mas também não muito alta. Ela continua:

— e também, não quero que ela fique gastando energia ficando invisível ou intangível só pra comer. Se for pra fazer todo esse rolê, eu nem faria tanto por ela. — agora a voz saiu mais séria, era como se ela estivesse fazendo algum tipo de desabafo simples. Seus olhos também abaixavam um pouco enquanto seu sorriso sumia. Mas ela ignora isso e sobe as escadas sozinha, deixando Foxey para trás. Ele apenas assiste ela subindo as escadas, sua expressão era de curiosidade até então, mas não parece muito diferente agora. Ele apenas dá de ombros, não querendo invadir nada, mas também não suspeitando nada, pois não gostava de parecer invasivo em momentos particulares como esses.

Niki agora se encontra na porta do quarto, por algum motivo está nervosa, ou alguma coisa semelhante. Ela bate na porta, rapidamente sendo atendida por Kira, que aparentemente já estava esperando ela:

— Ah, você chegou! Achei que ia ficar a noite toda com fome! — diz Kira, seu tom zombeteiro ainda cortando o ar como uma faca cega — então... Você vai entrar ou ficar aí igual uma estátua? Eu estou com fome! — sua expressão era um sorriso grande, mas um pouco forçado, dando a impressão que não quer sorrir realmente. Então Niki apenas sorri sem muito motivo, supostamente pela piada de Kira. Ela logo entra no quarto, fechando a porta logo em seguida. Agora estavam sozinhas. Niki acende a luz do cômodo e entrega a comida para Kira, que estava ainda morna e um pouco cremosa. Kira aceita pegando rapidamente e já comendo, dizendo com a boca cheia:

— olha, se eu pudesse falar com sua mãe, diria que a comida dela é muito boa! — sua frase sai francamente, o que faz Niki olhar um pouco estranhada para Kira, sem dizer muito, apenas sem entender porque ela estava diferente esta noite. Ao invés de zombeteira o tempo todo como sempre, ela estava um pouco menos, mas só agora que estavam sozinhas.

Kira apenas come sua comida, aproveitando cada mordida enquanto refletia dentro da própria cabeça:

— ok, Kira. Essa é sua Chance, vocês duas estão sozinhas e ninguém está aqui para atrapalhar. Você finalmente vai poder revelar pra ela! — enquanto pensava, ela soltou uma risada real. O que fez ela travar por um momento, pois não fazia sentido rir agora. Muito menos uma risada doce e amigável.

Niki estranha mais ainda, agora se sentando na cama e olhando para Kira, logo perguntando:

— Kira, você tá bem? Parece meio reflexiva... — sua voz era preocupada, mas também curiosa, com medo de Kira brigar com ela ou zombar em um momento tão repentino. Mas então, Kira apenas responde sem olhar:

— Niki, eu tava pensando só em um meme, por isso eu ri. Não precisa se preocupar tanto comigo o tempo todo. — Niki sente um leve aperto, mas decide falar, mesmo sabendo que colocando Kira em cheque, também não saberia como reagir caso qualquer coisa acontecesse:

— mas eu perguntei se você estava bem. Eu... Não mencionei a risada. Porque ela foi seu primeiro pensamento? Você está escondendo algo de mim? Sua melhor amiga? — ela fica olhando para Kira, seu medo aumenta, mas ela decide insistir, sabendo que se não fizer nada, nunca vai poder falar uma coisa que parecia querer soltar. Então Kira, ouvindo isso, trava completamente, deixando ela mesma se prender no cheque mesmo sabendo que tinha resposta. Ela também logo percebe que essa travada também era uma revelação do que estava pensando. Então o quarto fica em silêncio, pois Niki agora tem certeza que Kira esconde algo, e Kira Sabe que não consegue mais esconder.

Após alguns segundos de silêncio, a luz do quarto se apaga, junto à TV que se desliga. Niki não se assusta com isso pois sabia que Kira podia manipular eletrodomésticos, então decide apenas esperar. Então após alguns instantes de mais silêncio, a voz de Kira sai da direção que ela estava momentos antes do apagão no quarto:

— Niki... Me desculpa, eu escondo isso de você a muito tempo, e.... Eu tenho medo do que você vai pensar de mim depois do que eu vou falar. — sua voz começa nervosa, mas logo passa a entregar medo e choro:

— mas, Niki, eu não aguento mais esconder isso... — as luzes então se acendem novamente. Kira está agora segurando as mãos de Niki, seus olhos brilhando profundamente em lágrimas de vergonha e medo, refletindo o rosto preocupado de Niki, antes de falar:

— Niki... Eu sou apaixonada em você. — sua voz finalmente sai corretamente, mas um pouco trêmula. Seu rosto cora completamente, maquiado em um rosa profundo. Niki, então, também não escapando da cor rosa de vergonha, olha diretamente nos olhos de Kira, procurando qualquer sinal de brincadeira ou zoação. Mas logo percebe que Kira realmente estava falando a verdade. Niki responde quase de olhos fechados, abraçando Kira com um desejo muito grande, como se estivesse sem vê-la por anos:

— Eu também sou, só tinha medo de você me zombar... — ambas se abraçam por um longo momento, antes de alguém bater na porta. Elas se assustam, e Kira fica invisível na hora, deixando Niki sozinha e com lágrimas nos olhos.

A porta se abre, e se revela ser Lirya, que sabia da situação e provavelmente subiu apenas para ver como estava a situação das duas. Vendo a raposa chorando, já entende a situação, e apenas fecha a porta. Nenhuma emoção é expressa em seu rosto, mas é notável um certo respeito em seu olhar.

Depois de alguns minutos, Niki e Kira aparentam ter conversado um pouco:

— então... Você gostava de mim desde o momento que nos vimos? Tipo... Sério mesmo? Porque? — pergunta Niki, sua cabeça levemente inclinada para o lado, provavelmente já tentando imaginar os motivos. Kira então responde, abaixando a cabeça e desviando um pouco o olhar, mas deixando um sorriso tímido escapar:

— bem... Desde quando minha mãe foi expurgada e meu pai se suicidou pra não cuidar de mim... Eu fiquei muito sozinha. — sua voz não saiu quebrada como antes, era como se tivesse sido restaurada totalmente — então você apareceu pra mim. Eu achava que iria morrer de fome sozinha nesse mundo, que não teria chance nem de sentir algo bom. Mas... Você me fez sentir, sentir amor. — as palavras pregaram fundo no coração de Niki, ela sabia que Kira poderia ter literalmente morrido sozinha, mas ela secretamente levou Niki para casa para cuidar. Niki então responde:

— você me fez me sentir especial justamente porque eu sou especial pra você. Se eu pudesse ficar o dia todo com você, sem mais ninguém... Eu ficaria. Não por ficar só nós, mas pra poder aproveitar cada momento com você. — ela tenta falar firme, mas quebra em choro, que logo acaba, pois era apenas uma ponte emocional grande.

Elas ficam conversando por minutos, até que Foxey e Diro entram no quarto sem bater, vendo Niki e Kira de mãos dadas e frente à frente. Diro começa a rir muito, enquanto Foxey apenas observa, sem saber reagir realmente:

— HAHAHAHAHA! OLHA A NIKI! Ela tá tão engraçada com o rosto vermelho! — ele aponta para ela, seu dedo atingindo como uma flecha, mas ela não leva muito, sabendo o quanto ele era infantil:

— Diro! A gente está tendo um momento íntimo. Não é pra você entrar assim e se achar o dono de tudo pra falar da vida dos outros! — sua voz era bruta, mas levemente emocionada. Kira então vê a situação, e responde Diro com uma voz surpreendentemente suave:

— Diro e Foxey... Eh... Eu sei que pode ser estranho vocês me verem séria, mas... Eu e Niki estávamos pensando em namorar. O que vocês acham? — sua voz suave assusta Diro e Foxey, nos quais quase andam para trás ao ver que Kira não estava brincando, pela primeira vez. Então Diro, infantil que é e não gosta de estar errado mesmo estando, fica bravo com a fala das duas, então responde de forma ignorante:

— deixa de drama, nem é tanta coisa assim. Vocês sabem que ser lésbica é errado? Nossos pais não vai gostar de saber que estão criando uma lésbica. O certo é você ficar com um homem, não é, Foxey? — sua entonação não era irritado, era infantil e dramático, o que fez Foxey não entender que era errado, e passou a acreditar que o certo é ser hetero. Logo também respondendo genuinamente:

— ah, sim! Pelo que você diz, né. E realmente, elas estão engraçadas sendo lésbicas! Ita. — Foxey solta a frase como se não valesse nada, acreditando ser uma piada inocente. Mas essa piada faz Kira ficar em silêncio e apenas desaparecer. Niki não só tentando processar quem e o que está falando, também acaba ficando sozinha no quarto, sentindo o peso da dor que Kira obviamente sentiu. Niki então começa a chorar, não por só tristeza, mas por uma junção de emoções de uma vez só, era literalmente uma crise de ansiedade por conta de tudo isso de uma vez.

Os pais de Niki então chegam no quarto e vêem a filha chorando pesadamente, e começam a procurar o motivo. Diro não querendo levar a culpa, aponta para o Foxey, que na cabeça dos país de Niki já não era muito de valor real para eles. Então o pai de Niki grita sem hesitação:

— VOCÊ ACHA QUE É O QUE? ALGUM TIPO DE PROTAGONISTA DE UMA SÉRIE?! VOCÊ FAZ MINHA FILHA CHORAR, E AINDA FAZ QUESTÃO DE ESPERAR EU CHEGAR E VER, ACHANDO QUE NADA IA ACONTECER??! — a mãe dela, simplesmente entra na onda do pai, por algum motivo comprando a história dele mesmo sem provas concretas de que ele fez de propósito:

— garoto, você não é uma pessoa, não tem direito de ganhar moradia e ainda se achar bom o suficiente pra fazer alguém dessa casa se sentir mal. Eu nem sei o que falar pra você. Isso inclui você, Diro. Eu sei que você tem dedo nisso, essa lata Velha não aprende coisas sozinho, ele precisa de alguém pra ensinar, e você é o único aqui que pode fazer isso! — a bronca estava séria. O pai de Niki estava pesando o ambiente, literalmente vibrando as janelas de tão alto, enquanto Diro começa a chorar de medo do que pode acontecer com ele. Niki escutando tudo isso fica pior, não conseguindo processar tudo de uma vez. Tudo isso enquanto Foxey começa a tentar se explicar:

— N-não senhores, eu não fiz de propósito. Eu achei que... — o Niro corta sua frase, sem querer ouvir a explicação, também ficando cansado de ouvir choros e sentindo a dor de ver sua própria filha chorar quase mais alto que sua própria voz:

— VOCÊ NÃO VAI FALAR NADA. VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE TENTAR PASSAR A VOZ POR CIMA DE MIM. VOCÊ ESTÁ EXPULSO DA MINHA CASA, E NÃO QUERO NENHUM "A". VOCÊ VAI EMBORA AGORA MESMO! — ele gritava, sua voz arranhando na hora de tão forte que o ar saía. Ele sobe para cima de Foxey, que apenas foge para baixo, sendo perseguido até a porta de saída, na qual é fechada antes mesmo de poder olhar para trás.

De fora, ainda é possível ouvir os choros de Niki, agora com um peso diferente de antes.

Logo ele decide aceitar a sua própria situação, sentindo uma tristeza maior do que ele jamais sentiu, ele começa a andar em direção oposta à casa. Lirya então sai pela porta correndo para acompanhá-lo. Quando ela chega, Foxey já estava chorando. Era uma noite complicada, muito pra processar. Mas por algum motivo, Lirya não parecia tão incomodada quanto triste. Era como se não fosse tão ruim para ela. Então, seguindo do lado de Foxey, ela diz:

— eh... Você não tem pra onde ir... Né? — sua voz e expressão correspondiam, pura tristeza eram as únicas coisas presentes naquele ar. Enquanto Foxey apenas respondia com voz de choro:

— eu não ligo pra onde eu vou. Não importa onde eu esteja, nenhum lugar vai ser tão... Tão... — ele se perde em palavras, enquanto pisa agora em mato ao invés de estrada, pois nem na cidade ele desejava estar.

Lirya então responde rapidamente, sua voz não mudando de preocupação e suavidade:

— Foxey. Olha, eu sei que é difícil pra você entender o que aconteceu, mas... Você precisa entender que isso não é motivo pra você viver no mato. Eu só te digo que o mato é pior pra um robô do que pra um ser vivo. — sua frase sai com um peso mais intenso que a luz da lua para Foxey, que apenas para de andar por um momento, sabendo que Lirya estava certa. Então ele apenas pergunta, ainda dolorido pelo evento:

— então... Onde fica uma cidade bem longe daqui que não precise voltar? — Lirya sabe que ele realmente não pode voltar para a casa, mas que pode pela cidade. Porém ela acredita que seria melhor para todos se ele realmente fosse longe. Então ela suspira, suas orelhas caem em profunda tristeza e ela responde sem muito gosto:

— a cidade fica mais pra aquele lado... Eu vou com você. Eu também não tenho casa, então vai ser tranquilo ir até lá. — ambos não sabiam o que fazer. Mesmo sendo muito inteligentes, não passavam de adolecentes de 15 anos, o que os faz ficar sem ideias muito fácil.

Após algumas horas, já era outro dia. Na casa de Niki, tudo já se acalmou, os pais estavam dormindo tranquilamente, Diro estava também dormindo, mas descoberto pois se movia muito dormindo. Mas o que se destacava era o quarto de Niki. Ela está completamente coberta, como um rolinho. Mas não parecia dormindo. Kira então aparece, chegando bem perto de Niki pra tentar Consola-la:

— ei, Niki! Sai daí, vamos conversar um pouco... — sua voz era Alegre, baixa e suave, tentando chamar a atenção da raposa, que por si só tem uma natureza curiosa. Mas nesse caso, ela não parecia muito animada. Niki deu um tempo de silêncio, até o sorriso de Kira cair sem resposta. Niki então decide falar, mas não muito feliz:

— eu não quero falar com ninguém... Eu... Só estou um pouco mal. Mas logo logo eu melhoro. — era notório que não estava doente. Ela apenas estava muito chocada ao saber que Foxey agora estava sozinho de verdade. Isso doía tanto nela, que a última coisa que Kira escuta antes de sair do quarto, é apenas o choro fraco de Niki. O ambiente era vazio De emoções boas. Qualquer pensamento positivo era rapidamente substituído pelo evento da noite passada. Não parecia que algo iria animar o dia de Niki, o que aparentemente era verdade, já que nem sua própria crush conseguiu levanta-la. Kira então apenas sai do quarto, ficando intangível e flutuando até o teto para tomar um pouco do Sol da manhã, pensando em como pode animar Niki nessa situação difícil.

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Sr. Blackwood

DANIELA MARIA: Gosto dos personagens, embora acho que tema alguns erros de continuidade. A idade dela não bate com a experiência profissional, por exemplo

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