Concubina Wei | SUKUNA RYOMEN — FEM READER

Summary

Quando a ideia de se submeter em uma prisão, é melhor comparada com viver em um eterno desespero, as pessoas podem acabar tomando decisões estúpidas, ou até mesmo, geniais. Tsuki Wei era uma bastarda proveniente da renumerada família Jang, que repentinamente se ofereceu para se tornar a nova concubina do "Imperador Maldito", no lugar de sua meia-irmã. Sendo assim, se candidatando para casar-se com um homem ao qual transformou o sangue esparramado nos campos de batalha, em alicerce para construir seu império, e consequentemente, unificar todo o território japonês. Mas oque a ruiva não imaginava, era que este homem em questão se afeiçoa-se a ela, e a desejasse a ponto de reivindicar um herdeiro em seu ventre. E consequentemente, a abençoasse com o assento de Imperatriz ainda vago ao seu lado?

Status
Ongoing
Chapters
8
Rating
n/a
Age Rating
18+

Prólogo

02 deNi Gatsu, 390 a.C,

Estrada para a Província Principal,

Em direção a Capital Imperial .

*

TSUKI WEI QUE ANTERIORMENTE fora uma bela senhorita — servente — da família Jang, se via dentro de uma carruagem com lindos detales em ouro, os quais, praticamente gritavam dinheiro e poder.

E enquanto observava a paisagem que transpassava a pequena cabine que estava, a mesma se direcionava ao império do Norte. Sendo ela a dinastia com maior extensão de terras, riquezas e poder de todo o continente oriental.

Já o homem que hoje portava a maior força política, econômica e militar ao seu lado, era filho ilégitimo do antigo governante daquelas terras, e agora o atual Imperador delas.

E os rumores que circulavam por aquelas terras, mesmo que distantes, permitiram que a ruiva estrangeira soubesse, minimamemte, como o mesmo havia chegado ao poder.

Após a infeliz morte de seu único herdeiro, o interesse do anterior Imperador do pelo seu filho bastardo havia, repentinamente, surgido. E após a morte de seu pai, sendo ele o único herdeiro, o mesmo assumiu — com brutalidade — o trono que até os dias de hoje se assentava com tranquilidade. Sem questionamentos, sem interrupções, sem adiamentos, ninguém do parlamento do antigo governante ousou negar o desejo daquele homem, o qual fez seu nome ser conhecido por todos os campos de batalha que por uma vez, colocara seu pés.

Eles o temiam, e de certa forma, não era para menos.

O histórico do novo Imperador continha inúmeras participações em guerras, as quais havia ampliado consequentemente a força do país quando seu “pai” governava. Mas o que ele fez após ser coroado rei, fora um pouco mais além do que todos que de perto o observava, poderiam imaginar.

Invadindo terras após terras. Matando líderes e monarcas. Tomando suas filhas como concubinas para assegurar-lhes de seu dimínio, as matando simplesmente quando assim lhe convinha. Declarando acima do sangue derramado que o solo que pisava agora era seu. Esparramando corpos em campos na esperança de quem quer que fosse que os visse, compreendesse que agora o governante daquelas terras, era outro.

Construindo e solidificando o seu Império e poder em cima de cadáveres, morte, dor e sangue, em um teste de poder, e demonstração de fúria. Tais afirmações pareciam em toda a sua magnitude, resumir a meneira em que Vossa Majestade pesou sua mão sobre todo o seu povo, enquanto a ganância de domimar abrangia com fervor o seu peito.

Unificar todo o país e ter o poder de todo o território Japonês em suas mãos. Isto era oque o atual Imperador desejava, e isto fora o que o mesmo conseguiu. Quase como o exemplar perfeito da mais bela crueldade que uma maldição poderia exercer.

Um calafrio transpassa o âmago da ruiva em um claro sinal de medo, o qual, ela rapidamente fez questão de guardar mais uma vez em seu interior. Mesmo que em toda a sua glória, sua Alteza real lhe passasse o mais simplório sentimento de medo, Tsuki não poderia esquecer que, da mesma forma que o apelido do mesmo parecia defini-lo melhor que seu título, ainda naquela manhã, ele também se tornaria seu marido.

E ela não poderia reclamar se em algum momento ele decidisse, por algum motivo, decapita-la. Desde o início ela sabia dos riscos, da mesma forma em que estar ali, indo em direção ao harém do homem que poderia facilmente mata-la, também havia sido uma decisão sua.

E mesmo com os rumores que o abrangiam, com a maneira em que contavam seus feitos sangrentos em batalha. Sua sedenta vontade por morte e sangue, e com ela, a facilidade que ele chegava a assassinar a sangue frio as concubinas que compartilhavam de suas noites, ainda assim, os homens entregavam a ele suas filhas com total gratificação. Como se sentisse que não haveria honra maior se elas chegassem a morrer pelas mãos do próprio esposo.

¿Mas o que realmente Tsuki queria? Depois de tudo, o que lhes importava era a influência, o poder e o favorecimento.

Não importava a época ou ocasião, era isso o que atraia a atenção de qualquem homem que vivenciava desde o nascer, até o por do sol sobre aquelas terras. Podendo eles serem poderosos e respeitados. Ou até mesmo, fracos e desajustados.

Mas em cada um dos casos, eles sempre usavam, nada mais e nada menos que suas filhas para conseguirem o que queriam. Quase como se elas fossem moedas de troca, documentos ou até mesmo, tributos fúteis. Sendo algumas destas privilegiadas, entregues ao Imperador como nada mais, e nada menos que um presente.

E geralmente como eles, elas como presentes não falavam quando não se era permitido, não se expressavam, e não ditavam suas opiniões. E ao contrário de Tsuki, ser um presente em um imenso e luxuoso palácio, era exatamente o que aquelas que adentravam as imensas e adornadas portas do harém com um sorriso no rosto, pareciam desejar. Quase como que se deitar com o Imperador em meio à lençóis de linho, fosse a maior realização que cada uma delas poderiam ter em seus míseros anos de vida.

Elas desejavam ter uma parte do poder que o Imperador podia dar a elas, elas cobiçavam o trono de Imperatriz que estava vago e os luxos que facilmente poderiam receber por simplesmente portar o título de Concubina.

Preocupadas em apenas ter o favoritismo do Imperador, e serem chamadas com frequência à sua habitação. E mesmo que não gostasse da ideia de se vender desta maneira fútil, Tsuki não era tão diferentes de todas aquelas mulheres que desejavam apenas comodidade em meio a uma vida sem preocupações.

E era em troca de tudo isso — como todas as outras Concubinas do harém ao qual futuramente ela faria parte — que a ruiva não se importaria em nenhum momento de obedecer as ordens que lhe seriam dadas.

Em falar apenas quando a permitissem e, com toda a força, suprimir suas próprias opiniões. E juntamente com tudo isso, deitar-se com seu futuro marido sempre que este desejasse te-la abaixo de si. Tsuki queria, pela primeira vez verdadeiramente viver, mesmo que isso à levasse direto para uma prisão que possuía suas paredes detalhadas em ouro, e uma fachada de riqueza.

E estas palavras praticamente resumiam o porque naquele momento, Tsuki se encontrava angustiada dentro daquela carruagem.

Tanto porque a decisão que ela tomou poderia mata-la, quanto pelo fato de ter manipulado a situação para se encontrar ali, exatamente indo em direção do harém mais formoso e rico de todo o território japonês.

Havia sido sua meia-irmã mais nova Mei-Mei — filha da casa principal e a primeira senhorita do clã — que fora convocada para servir ao harém em seu lugar. Ela era uma criança de apenas 17 anos, e ser mandada de uma hora para outra em direção a um ninho de cobras seria demais para ela, levando em consideração a sua saúde frágil e sua personalidade extremamente ingênua, ela não sobreviveria lá dentro sequer por um mês.

Mas seria mentira dizer que foi apenas por sua irmã mais nova que Tsuki se propôs a ir no lugar dela.

Quando escutou que seu pai precisava mostrar o seu apoio ao Imperador, a ruiva rapidamente interviu na situação, ela sabia que como todas as outras vezes, a forma mais rápida e eficaz de resolver este problema seria através de um matrimônio político, ou seja: entregar sua filha como Concubina.

Devido ao pedido repentino de sua filha que implorava com todas as forças ir ao harém no lugar de sua irmã mais nova por conta de sua fragilidade, seu pai se surpreendeu, e em frente aos representantes do Imperador, ele negou, ele não podia acatar o pedido da filha — mesmo que quisesse.

Tsuki então argumentou que sua irmã ainda era muito nova, e que devido a sua saúde frágil e a conhecida personalidade agressiva do homem que seria seu futuro marido, junto com o ambiente novo e a viagem desgastante, era muito possível de que Mei-Mei piorasse gradativamente seu estado físico, e mental.

Seu pai relutante disse, que mesmo com sua pureza ao tentar ir no lugar de sua irmã debilitada, ele não podia, seria um grande problema entregar ao Imperador uma mulher que não era do ramo principal da família, seria um desrespeito a sua casa, e ao homem que havia solidificado o próspero império que viviam.

— ¡Por favor pai, eu te imploro, Mei-Mei não pode ir! — Tsuki disse ajoelhada e com seu rosto apoiado nas costas de sua mão ao chão em profunda rendissão, implorando desesperada por aquilo. Embora de fato, fosse verdade.

Ela implorava por sua irmã que ainda estava enferma na cama devido a um resfriado forte, ao mesmo tempo em que desesperada, já que tinha que sair daquele lugar com todas as suas forças. Tsuki precisava virar as costas para aquela casa e nunca mais olhar para trás.

O velho olhava tristemente sua filha ao seus pés, antes de se aproximar agachando em sua frente e passando as mãos em seus cabelos, fazendo Tsuki finalmente erguer sua cabeça. Seus olhos brilhavam devido as lágrimas que escorrinham silenciosamente por seu rosto.

Então ele a puxa para um abraço, sem se importar com os olhos curiosos e espantados dos representantes que ainda estavam em seu salão. Ele então fala calmamente para ela que mesmo se quisesse cumprir seu desejo, ele não poderia.

Mas Tsuki precisava sair dali, ela não suportava mais. E mesmo agarrando fortemente as roupas de seu pai e chorando de frustração, dor e desespero, o mesmo apenas a abraçava fortemente enquanto ainda acariciava seus cabelos.

Ele a amava. De uma maneira completamente errônea, mas ainda assim a amava.

Tsuki sabia que seu pai e sua linda irmã tinha um imenso carinho por ela, mas que mesmo assim, nenhum dos dois puderam salvá-la dos toques horrendos de seus meio-irmãos. Mei-Mei não podia salva-la das chacotas de suas outras irmãs. E seu pai não podia — e não queria — livra-la das torturas de sua esposa. E mediante isso, a ruiva sabia que não mais poderia, e tampouco podia, sequer queria ou desejara continuar ali.

Aquela havia sido, e era, a sua única maneira de se ver livre daquele maldito lugar, e que Deus a perdoasse por seus pecados e a livra-se daquela tortura. Ela nunca havia lhe pedido nada, mas naquele momento implorava aos céus que por mero privilégio, housassem lhe abençoar.

Mas então, quase como que por piedade do destino — ou de Deus já que ela clamava por ele —, Tsuki obteve o alívio que ela tanto buscava.

Um homem jovem de longos cabelos prateados e olhos azuis exuberantes que trajava vestes escuras, se aproximou. Com um sorriso gentil disse que não possuir uma linhagem pura não era um problema, que sendo esse um desejo nobre em prol de sua irmã, ele conversaria a respeito com sua majestade.

E assim, suas lágrimas de desespero foram trocados pelas de alívio. E seu pai ainda a abraçando, sorri com gratidão ao jovem, grato pela consideração e compreensão que o mesmo teve com sua família naquele instante. Ou pelo menos, assim fingia estar.

*

SUSPIRANDO AINDA ENTORPECIDA com as lembranças dos últimos dias que passavam rapidamente por sua mente — quase como se esperassem que isso a fizesse se sentir ainda mais angustiada —, Tsuki se força a parar de imaginar como seria se a vida no harém não fosse exatamente como ela havia imaginado. E que, se fosse assim, de certa forma estaria roubando a oportunidade de sua meia-irmã.

Se virando então em direção a janela, a ruiva suavemente coloca a cortina que a cobria de lado e observa a bela paisagem que a rodeava. Ainda era primavera. As lindas flores rosas e vermelhas que decoravam o caminho ao qual ela passava desprendiam um gostoso aroma doce, ela respira fundo, sentindo a essência da sua liberdade provisória.

Eles estavam chegando ao seu destino, e ela só sabia disso pois um dos guardas que a acompanhava havia comentado alegremente com ela, e embora soubesse que apenas havia saído de uma prisão para entrar em outra, ela se sentia agradecida. Cinco dias seguidos viajando havia esgotado toda a sua energia.

Ela se sentia um pouco — apenas levemente — arrependida, essa poderia ter sido uma boa oportunidade para sua irmã ter alcançado um estatus mais elevado do que ela possivelmente conseguiria agora.

Mas Tsuki tinha sido egoísta, e pensar em todas as coisas que ela havia perdido para ganhar apenas aquela oportunidade, lhe tirava todo esse peso de sua consciência.

Ela podia ser egoísta, pensar apenas nela, pensar em coisas que benefíciaria somente a ela pelo menos uma vez em sua vida. O que significava que naquele momento ela tinha a liberdade de atuar como uma vadia e pensar apenas em si mesma. Ela tinha esse direito.

¿Não tinha?

Suspirando mais uma vez enquanto soltando soltava a cortina enquanto passava a apoiar a cabeça na parede daquele pequeno compartimento fechado de madeira, Tsuki finalmente se permite fechar os olhos e se entregar ao cansaço que os dias viajando, e a consciência pesada lhe trazia.

Só mais alguns dias, e ela, por fim, chegaria.