Prelúdio de um Destino

All Rights Reserved ©

Summary

Já olhou para os céus e perguntou: quem será minha alma gêmea? Murdock sempre teve essa sensação de estar incompleto. Apesar de gostar muito de se relacionar com os outros, aquela sensação de vazio persistia. Sendo o único de sua espécie de shifter, urso pardo, ainda não consegui uma parceira adequada para formar sua família. Dono de um bar movimentado em uma comunidade de shifters de todas as espécies, humanos também, é claro, não lhe faltava oportunidades de conhecer pessoas e shifters, mesmo assim acabava olhando para o céu no terraço do seu bar todo fim de noite. Será que um dia encontraria a parceira ideal? Seria o último de sua espécie? Melphier, filha bastarda ou melhor, uma rogueblood, em sua língua, nunca quis saber de família ou romance. Cresceu com a determinação do mais puro minério de sua galáxia. Quando soube que não era filha do homem e da mulher que a criaram, e de sua verdadeira história e origem, jurou por todos os deuses que faria pagar aqueles que fizeram sua mãe sofrer. Também faria o nome de sua mãe, Sicilien, ser conhecido e temido por todos os planetas. Nada de sentimentos ou se importar com qualquer outro ser, se não for ela mesma. Xantrya nunca foi a mesma após sua Executora. Um quer amor e família. Outra só quer vingança. Um quer uma companheira, a outra só quer viver para a guerra e o terror. Um acidente e um sequestro muda toda a história e planos. Num jogo de poder e força, que envolve até a raça humana da Terra, quem será o conquistado e o conquistador? Nem sempre o amor é o suficiente, ou será?

Genre
Romance
Author
Mariele
Status
Ongoing
Chapters
21
Rating
n/a
Age Rating
18+

CAPÍTULO 01

Prelúdio de um Destino - Rascunho

Glossário

Aldas - árvores

Amil - mãe

Awrien - sol

Atar - pai

Bútios - abutres

Ciclos - anos

Curama - médico/curandeiro

Chabay - dias

Ezella - verde

Fâmulos - servos/serva

Fána - branco

Gaoith dhearg - redemoinhos de vento vermelhos

Gardeon - parecidos com tigres

Gusor - ferro

Helcê - gelo

Isil - lua

Jângala - floresta

Sigm - trevas

Meses - pesses

Mörna - preto

Mostka - lesma

Nacor nasar - vestido vermelho

Nasar - vermelho

Narmo - parecidos com lobo

Narmohtar – Guerreiro dos Lobos

Ohtar - Guerreiro

Torni - irmãos

Númen - oeste

Yeldë - filha

Yondo - filho

Seller.- irmã/irmão

Lossë - neve

Vastrim - fêmea suja/desonrada = prostituta

Rogueblood — bastardo

Iter animae et cordis = Caminho da Alma e coração

Thamiodrel - família/tribo na linguagem de Quoliamin

Tasa-bruja morê - serpente negra

___________________________//____________________________________

499337888 de Awrien

As grandes planícies negras de Arkarf pareciam tristes com a cena que se desenrolava nas suas terras. Todos estavam no alto da grande planície, onde os ventos quentes sopram como fogo em brasa, carregando a areia. Alguns acham beleza naquela visão desolada, mas o lugar, para quem não está acostumado, cheira a morte e desespero.

Cinco membros da casa do grande Gorfon, vestidos nos seus trajes fúnebres fánas, estão diante do túmulo do grande ohtar. A perda para eles era irreparável, mas não se comparava à dor da sua yeldë que segura orgulhosa a grande espada nos seus braços. Narly, a sua amil de criação, chora copiosamente ao seu lado, enquanto ela permanece como uma estátua parada sem derramar uma gota.

O ancião relata para todos sobre os feitos, o caráter e a conduta do grande ohtar que serviu à grande casa real dos Qulofer. Todas as suas vitórias são reconhecidas e serão contadas pelas gerações. Mesmo que se passassem milhares de ciclos, ainda haveria menção ao nome do grande Gorfon, o maior de todos os Narmohtar, nome dos ohtars da sua aldeia.

Melphier ouve todas aquelas histórias, lembrando todas às vezes que seu atar lhe contava na beira do fogo nas longas noites frias, quando dormiam ao relento para caçar ou mesmo nas grandes festas que fazia. Ela segura firme a longa espada entre os seus braços, lutando contra as lágrimas que teimam em desafiá-la a querer cair.

Seu atar não ia ficar satisfeito ao vê-la chorar ou mesmo demonstrar fraqueza diante do seu povo, pensava, respirando fundo.

Desde pequena, o grande ohtar a ensinou a sobreviver naquelas terras inóspitas de ar quase irrespirável. Todos que por ali passavam sentiam-se muito mal, devido à grande compressão atmosférica das grandes luas e do ar cheio de substâncias tóxicas.

A aldeia do campo esquecido de Arkarf é cercada por jângalas onde muitos ohtars não se atreviam a ir, devido às feras que ali habitavam, que são consideradas as mais terríveis e cruéis de todo o reinado. As grandes terras negras onde a grande Awrien testava os viajantes, mandando ondas de luzes escaldantes num terreno arenoso, onde inúmeros buracos sugam os desavisados para suas entranhas.

Gorfon sempre a treinou naquele lugar, mesmo que não seja aconselhável fazer isso a uma fêmea, pois na sua cultura elas só servem para procriar, serem curamas ou rastreadoras, nada mais além disto. Mas o atar dela via algo a mais na menina magra de semblante fechado, mas quando sorria parecia que o mundo se abria. Ele enxergava uma força incomum, junto a uma determinação de gusor. Por conhecê-la, principalmente a sua origem, e saber de todos os obstáculos que teria de enfrentar, ele não poupou esforços ou recursos para lhe passar todos os conhecimentos possíveis para transformá-la em uma guerreira. Para isso, teria que dominar também os conhecimentos de cura, tecnologia e magia, mesmo que não fosse capaz de utilizar esta última.

Melphier, nome dado por sua amil antes da sua morte, quando nasceu, nos seus poucos anos de vida tornou-se uma adversária notável, tanto que os seus treinos agora eram com ohtars com o dobro da sua idade e experiência. Fora sua sintonia incomum junto às feras e animais. Ela é um ser vigiado de perto pelos anciãos e todos os ohtars da aldeia, mesmo ela sem saber.

_ Vamos. - Narly chamou a garota ao seu lado assim que o ancião terminou de falar e todos começaram a se retirar - Venha comigo. - tentou puxá-la pelo braço, mas a garota permaneceu - Melphier… não é…

_ Me deixe ficar mais um pouco. - disse a garota firme.

Narly a conhecia muito bem para saber o quanto estava sofrendo pela perda do seu atar, mas no momento não podia fazer nada. O mal que sobreveio à existência de Gorfon não tinha cura, e no decorrer do tempo ele se desfazia a olhos vistos. Segundo os curamas esta doença foi adquirida em um planeta muito distante deles, o qual não tinha cura, pois ainda estava em estudo, das inúmeras batalhas que participou. Até o grande monarca enviou a suas curamas pessoais, mas nada adiantou.

Foi um período muito penoso e triste para Melphier, que não sorria muito, mas… tudo se agravou. Ela agora passava longas horas ao lado dele treinando, como se fosse para provar o que todos sabiam desde cedo, Melphier é notável!

Agora a pequena cria que Narly criou desde que nasceu, a qual lhe chamava de amil estava sofrendo de uma forma horrenda. Mas ela não podia fazer nada para apaziguar.

_ Tem certeza de que ficará bem? - perguntou Narly, abraçando-a, fazendo o corpo tão jovem estremecer com o contato.

_ Sim. - respondeu ela quase num sussurro.

Como Narly desejava retirar toda aquela dor daquele ser tão forte, mas, ao mesmo tempo, tão frágil. Doía o seu coração ao vê-la daquela forma.

_ Não demore. - Narly lhe pediu ao beijar a cabeça da sua cria e saiu lentamente.

Mesmo longe, ao caminhar de volta para sua cabana que fica no alto da montanha, Narly podia ver a figura solitária no alto da grande planície. Sabia que não podia fazer nada, mas era por demais doloroso ter aquela visão.

Narly viu quando a sua cria se ajoelhou diante do túmulo e jogou a cabeça para trás num grito de pura dor e desespero. Ainda podia ouvir o eco daquele grito nos seus ouvidos, trazendo lágrimas aos seus olhos e dor ao seu peito.

Melphier só tinha Narly agora! E ela sabia disto, o que a fazia se perguntar o que podia fazer para ajudá-la?

Desde pequena, eram notórios os dons que ela tinha. Melphier tinha plena consciência disso, que são além dos limites, o que pode ser chamado de comuns entre o seu povo, causava grande distúrbio e desconforto entre todos.

Muitos desconheciam os fatos reais do nascimento dela, mas os que sabiam quiseram bani-la ou matá-la para evitar problemas futuros. Mas, graças à generosidade de Gorfon, ela foi salva e trazida para este lugar, sendo criada então como sua yeldë. Entre o seu povo, que somente por saber que é sua yeldë de Gorfon seria protegida sem questionamentos.

Gorfon conhecia os fatos de toda a história de Melphier, mas diante do desenrolar dos últimos acontecimentos, se pergunta se fizeram certo em lhe esconder fatos importantes da sua existência. Mas preferiu levar para seu túmulo todo aquele segredo do que ver magoada aquela pequena cria que roubou o seu coração.

Narly, a sua pequena Phier, era como a chamava, não retornou para a cabana naquela noite. Ainda podia enxergar a pequena figura solitária diante do túmulo, mas ao amanhecer ela havia desaparecido.

O ancião que ainda se encontrava na cabana delas, sim, agora é somente elas, pediu para que Narly não se preocupasse, pois os ohtars que moram ao redor estão cuidando do bem-estar de Melphier. Ele tinha dado ordens para vigiá-la. Os outros jovens com quem ela tinha um laço também estavam próximos, caso ela precisasse de algo. Todos da aldeia estão cientes e prontos caso precisem agir.

Foi-lhe aconselhado pelo ancião que a deixasse livre por alguns dias, até a dor passar um pouco. Assim foi feito, mesmo Narly não gostando de saber que a sua pequena Phier está sofrendo sozinha em algum lugar longe dos seus cuidados, mas conhecia muito bem aquela natureza selvagem que ela possui. Só que Narly não esperava que não fosse a ver mais… por vários ciclos.